Ansiedade em adolescentes acende alerta em famílias

 

Dados mostram que jovens de 10 a 14 anos têm mais atendimentos do que população com mais de 20 anos

A ansiedade entre crianças e adolescentes bateu recorde no Brasil. Pela primeira vez, os atendimentos por transtornos de ansiedade nessa faixa etária superaram os registrados entre adultos, conforme dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS, que cobrem o período de 2013 a 2023.

Em Bom Despacho (MG), o cenário preocupa especialistas. O psicólogo Felipe Viegas Tameirão, professor da Una campus Bom Despacho, afirma que as famílias precisam ficar atentas a mudanças de comportamento dos jovens, inclusive nas férias escolares.

“Temos observado um aumento das queixas e dos sintomas de ansiedade na população em geral, e os adolescentes fazem parte desse cenário”, diz.

Em 2023, a taxa de atendimento chegou a 157 por 100 mil habitantes entre adolescentes de 15 a 19 anos. Entre adultos com mais de 20 anos, o índice foi de 112 por 100 mil.

O professor ressalta que a ansiedade é esperada na adolescência, fase marcada por transformações físicas e sociais. O problema é quando o sofrimento prejudica a rotina.

“O que preocupa é quando essa ansiedade deixa de ser uma reação adaptativa e passa a causar sofrimento intenso ou prejuízos na vida escolar, familiar ou social”, explica. Veja mais seguindo @jornaldenegocios no Instagram.

Não há uma causa única. Pressão por desempenho, redes sociais, alterações no sono, redução de atividades físicas e dificuldades familiares estão entre os fatores associados.

Mesmo nas férias, a ansiedade pode aumentar. A mudança brusca de rotina, o tempo excessivo diante das telas e a expectativa do retorno às aulas interferem no bem-estar.

“Também vivemos uma cultura marcada pela comparação permanente e pela sensação de que é preciso estar sempre produzindo”, pontua Felipe.

Sinais de alerta incluem isolamento, irritabilidade persistente, alterações no sono e apetite, queda no rendimento escolar, perda de interesse por atividades que antes davam prazer e crises frequentes.

Dores de cabeça e abdominais sem causa médica identificada também podem estar relacionadas ao sofrimento emocional.

“Mais do que um sintoma isolado, o principal critério é observar se esse sofrimento está comprometendo a rotina, as relações familiares ou o desempenho escolar. Quando isso acontece, é importante buscar uma avaliação profissional”, orienta.

Atendimento gratuito

A Clínica Escola de Psicologia da Una, campus Bom Despacho, oferece atendimento psicológico gratuito para crianças a partir de 6 anos, adolescentes, adultos e idosos. Os atendimentos são realizados por estudantes sob supervisão de professores.

Interessados devem fazer cadastro prévio. Contato pelo telefone ou WhatsApp (37) 99818-8005. (Portal iBOM com informações de Jessica Riegg Decker, da Una / Imagem ilustrativa de Ana Krach do Pixabay).

 

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