Copasa: a bem da verdade

 

DILERMANDO CARDOSO – Devo dizer que não recebi procuração da Copasa para escrever o presente artigo. Ele nada mais é do que a manifestação de um consumidor, no exercício da pluralidade de opiniões. Logo, sem intimidação ou embate ideológico.

Aqueles bom-despachenses mais antigos hão de lembrar-se da penúria — para não dizer da tragédia, que eram dos serviços de água e esgoto, à época, prestados pela Prefeitura. Redes de esgoto praticamente não existiam: em seu quintal, cada casa tinha uma fossa para receber “aquilo” que as pessoas deixavam na privada! Quanto à água, esta não era tratada satisfatoriamente. Se é que fosse… O povo consumia uma “tiborna” que transmitia doenças e entupia as canalizações.

Captado de uma barragem próxima à cidade, o santo líquido nunca era bastante para a população. Havia, então, o remanejamento de sua distribuição entre os bairros. Isto é, certo dia uma parte dos bom-despachenses recebia água, enquanto os demais ficavam no seco! E o rodízio podia durar três ou mais dias! Os funcionários da Prefeitura, encarregados do setor — Chico Preto, Paraíso, e outros —, sem merecer, quase apanhavam dos consumidores furiosos, nas ruas! Siga @jornaldenegocios no Instagram e acompanhe outras matérias.

Até que a Copasa assumiu os serviços de captação, tratamento e distribuição da água em Bom Despacho; bem como iniciou os trabalhos de canalização do esgoto. E tudo mudou para melhor. Há que se perguntar: está uma maravilha? Não, certamente. Melhorias nos serviços serão bem-vindas, a qualquer tempo. A propósito, pergunto: que empresa, estatal ou privada, do porte da Copasa, não tem problemas que devam ser criticados e corrigidos?

A Copasa, por exemplo, precisa investir mais na utilização dos meios e recursos técnicos. Convém rever sua política salarial e oferecer maior remuneração, sobretudo para o pessoal da ponta: operadores de máquinas, bem como as turmas que, sob o sol ou sob a chuva, pegam no pesado abrindo valas, trocando canalizações, desentupindo bueiros… Estes funcionários têm ficado com o “abacaxi”, ou seja, toda bomba explode no colo deles. Enquanto os diretores (muitas vezes apadrinhados políticos) recebem polpudos salários e saboreiam as “jabuticabas”… Sempre docinhas!

Em Bom Despacho, a Copasa desempenha relevante função social. Todavia, cabe à empresa cuidar para que o consumidor final do seu “produto” seja atendido e respeitado nas suas reivindicações. Se, no passado, a Prefeitura não estava capacitada para executar os serviços de água e esgoto em nossa comunidade, no presente os mesmos desafios continuam. Contudo, não está correta a conversa de que a única saída seja “privatizar tudo” — tão em moda. Experiências de outras cidades confirmam: a qualidade dos serviços deixa a desejar, enquanto as taxas cobradas, mais caras, são quase impagáveis para a maioria dos consumidores. São Paulo que o diga! (Portal iBOM / Dilermando Cardoso é bancário aposentado e escritor / Foto: Copasa).

 

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