Diploma no armário: o custo da evasão de talentos em BD

 

Como a falta de oportunidades está afetando o futuro da nossa cidade

SAULO LELES COSTA – Bom Despacho tem um paradoxo: é uma cidade que forma jovens, mas acaba exportando talentos. Cada vez mais, vemos jovens bom-despachenses deixarem a cidade em busca de oportunidades que simplesmente não existem aqui.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 44% dos jovens com nível superior no Brasil trabalham fora de sua área de formação. Em Bom Despacho, esse número é ainda mais impactante, pois muitos deles saem da cidade, levando consigo o potencial de transformação que poderia ser aplicado aqui.

[Assista ao vídeo em que Saulo Leles fala sobre o tema. Clique e assista]

Essa evasão de talentos não é apenas um problema individual, mas um custo coletivo para a economia local. Com a falta de profissionais qualificados atuando no município, setores estratégicos como o agronegócio, a tecnologia e a educação sofrem com a falta de inovação e modernização. Empresas locais têm dificuldade em encontrar mão de obra especializada, e o comércio perde dinamismo. O resultado é um ciclo de estagnação que afeta todos os setores da cidade.

O vácuo da experiência é um dos grandes obstáculos. Empresas locais tendem a exigir experiência prévia para vagas de entrada, o que impossibilita que jovens recém-formados comecem a carreira em Bom Despacho. Além disso, a ausência de editais de inovação e programas de residência técnica impede que a cidade aproveite o potencial intelectual de seus jovens. O que se formou, não se aplica. E o que não se aplica, acaba por sair.

Felizmente, existem exemplos inspiradores em Minas Gerais. Cidades como Santa Rita do Sapucaí, conhecida como o “Vale da Eletrônica”, oferecem isenções de IPTU e ISS para empresas que contratam egressos locais. Em Coronel Fabriciano, a Lei 3.338/2023 oferece incentivos fiscais escalonados com base na geração de empregos. Já Extrema se transformou em um polo logístico e industrial graças a políticas agressivas de incentivos fiscais e infraestrutura. Essas cidades entenderam que reter talentos é o primeiro passo para o desenvolvimento local.

Para que Bom Despacho siga esse caminho, precisamos de ações concretas:

Câmara de Vereadores: Criar a Lei do Primeiro Emprego Qualificado, que isente empresas que contratam recém-formados residentes em Bom Despacho.

Prefeitura: Lançar o Programa de Residência Técnica Municipal, com vagas de estágio e treinamento em parceria com o setor privado.

Cidadãos: Fortalecer a rede de mentoria local, conectando jovens talentos com empresários e profissionais da cidade.

Bom Despacho tem potencial para ser mais do que um celeiro de talentos — pode ser um centro de inovação e desenvolvimento. O primeiro passo é reconhecer o valor do diploma e transformá-lo em motor de crescimento local. (Portal iBOM / Saulo Rodrigues Leles Costa é biólogo, gestor público e servidor federal do TRT / Imagem de Akbar Nemati do Pixabay).

 

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