Aquilo que nos move neste mundo
ROBERTA GONTIJO TEIXEIRA – Há períodos em que a vida nos chama para dentro. O último ano foi assim para mim: um tempo de recolhimento, de cuidar da família, das questões pessoais e de compreender, com mais serenidade, o inevitável processo de envelhecer.
Nesse intervalo, acompanhei pouco a vida da cidade. Pouco participei, pouco contribuí e quase perdi de vista os caminhos, os desafios e as conquistas da comunidade da qual faço parte.
Agora, com a vida novamente encontrando os trilhos, decidi aceitar alguns convites e abrir novamente algumas janelas.
Foi assim na quinta feira, 25/6, em uma reunião na APAE. E, logo em seguida, na sexta-feira, dia 26/6, quando atendi ao convite do coronel Nunes e da Elda para participar de um evento promovido pelo Sicoob Credibom. Siga @jornaldenegocios no Instagram e veja mais conteúdos.
A manhã já começava com o jeito mineiro de receber: uma mesa linda com café quente, queijo fresco, requeijão, canjica, boa conversa e um frio delicado que tornava tudo ainda mais acolhedor.
No auditório, antes mesmo da palestra começar, a apresentação do currículo do jovem palestrante me despertou curiosidade. Experiências internacionais, estudos em diferentes países e uma trajetória admirável. Ainda assim, foi sua simplicidade que mais impressionou.
Sua fala foi muito além da sustentabilidade que costuma ocupar discursos prontos e previsíveis. Apresentou um conceito vivo e abrangente: sustentabilidade como compromisso com a economia, a inclusão social, a igualdade de oportunidades, o desenvolvimento das comunidades e a preservação ambiental. Um projeto de futuro que exige participação coletiva.
Confesso que, como boa mineira, costumo ouvir esse tipo de discurso com certa desconfiança. Sempre procuro entender o que existe por trás das palavras, sobretudo quando surgem referências ao poder público ou às instituições. Foi assim também naquela manhã.
Mas, pouco a pouco, as explicações sobre a OCEMG (Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais), os projetos apresentados e, principalmente, os exemplos concretos de transformação foram substituindo o ceticismo pela esperança. As histórias compartilhadas mostraram que mudanças reais acontecem quando pessoas comuns decidem agir.
Saí dali também refletindo sobre mim mesma. Há algum tempo tenho me incomodado com minha omissão. Percebo que, muitas vezes, deixamos nas mãos de pessoas que sequer conhecemos – e, não raro, das quais desconfiamos – decisões importantes sobre nossa cidade, nosso Estado e nosso país. E talvez o mais preocupante seja perceber quantas pessoas inteligentes, preparadas e comprometidas permanecem à margem da participação coletiva, muitas vezes não por falta de vontade, mas por não saberem por onde começar.
A palestra de Alexandre Gatti reacendeu algo que parecia adormecido em mim: a disposição para participar, colaborar e voltar a acreditar que boas transformações ainda são possíveis.
Gosto de pensar que as melhores batalhas são justamente aquelas travadas sem violência. São as batalhas das ideias, do diálogo, da cooperação e da construção paciente de soluções.
O encontro reuniu representantes de diversos segmentos da sociedade, ambientalistas, lideranças comunitárias e profissionais comprometidos com o futuro da cidade. Saul Pádua trouxe importantes reflexões sobre a coleta de resíduos; Elda compartilhou experiências de mobilização comunitária; Edceia, engenheira ambiental da Ambra, propôs ampliar o diálogo entre instituições e levar o debate para a Câmara Municipal.
A manhã não poderia ter terminado de forma mais simbólica: o plantio de árvores na usina fotovoltaica da Credibom. Um gesto simples, mas carregado de significado. Afinal, plantar uma árvore é um ato de confiança no amanhã. Pelo menos na minha concepção.
Voltei para casa convencida de que toda transformação começa quando alguém resolve sair da própria toca. Que essa manhã não termine ali. Que as ideias lançadas encontrem terreno fértil, germinem em novos projetos e inspirem mais pessoas a construir uma cidade verdadeiramente sustentável, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também humano, social e coletivo.
Porque, no fim das contas, talvez seja exatamente isso que nos move: a esperança de que sempre é tempo de recomeçar. (Portal iBOM / Roberta Gontijo Teixeira é bacharel em Direito e servidora pública federal).
o alguém resolve sair da própria toca. Que essa manhã não termine ali. Que as ideias lançadas encontrem terreno fértil, germinem em novos projetos e inspirem mais pessoas a construir uma cidade verdadeiramente sustentável, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também humano, social e coletivo.
Porque, no fim das contas, talvez seja exatamente isso que nos move: a esperança de que sempre é tempo de recomeçar. (Portal iBOM / Roberta Gontijo Teixeira é bacharel em Direito e servidora pública federal).

