Credibom e Credesp: chegou a hora de unir
Em julho de 2017 escrevi um artigo neste Jornal de Negócios mostrando a conveniência de as cooperativas CREDESP e CREDIBOM se unirem. Juntas, as duas formariam uma potência bancária e dariam mais força à economia de Bom Despacho e da região. Nove anos depois, a união está madura para acontecer. As razões para a união, anunciadas nove anos atrás, são mais fortes do que nunca. É hora de unir.

FERNANDO CABRAL – O cooperativismo de crédito avançou e cresceu, mas tem muito espaço para crescer e avançar. O crescimento, porém, traz três riscos: a ceguidão, a lentidão e a desunião.
Ceguidão é a incapacidade de enxergar e entender o momento e perder oportunidades. As cooperativas mostram que enxergam mais longe.
Lentidão é a incapacidade de agir a tempo, mesmo quando as oportunidades são percebidas. As cooperativas mostram que sabem aproveitar a oportunidade.
Desunião é a incapacidade de unir forças em prol do bem comum. As cooperativas mostram que têm vontade de se unirem a fim de aumentarem os benefícios de todos.
Portanto, o tempo está maduro para este importante passo adiante: a união da CREDESP com a CREDIBOM. Vamos chamar, provisoriamente, de CREDIUNIÃO, uma homenagem ao trabalho conjunto.
Voltando aos riscos, dos três, a incapacidade de unir forças é o pecado capital do cooperativismo. Afinal, o cooperativismo é bem representado pelo provérbio a união faz a força.
A desunião por motivos históricos
Antigamente, o Banco Central somente permitia cooperativas de crédito especializadas em determinadas categorias de negócios. Esta limitação, porém, já foi afastada há anos. Desde então, qualquer pessoa ou empresa pode se associar a qualquer cooperativa. Portanto, não existe mais este entrave burocrático.
Mas, mesmo quando havia esta limitação, não havia justificativa para CREDESP e CREDIBOM concorrerem entre si. Um exemplo desta concorrência que fere o cooperativismo e o interesse dos cooperados foi a abertura de duas agências próximas uma da outra, na Rua do Rosário, no São José e no Jardim América.
Os concorrentes das cooperativas de crédito são os grandes bancos e as fintechs, não as coirmãs.
A desunião por inércia
Desde que o Banco Central removeu a limitação, só dois motivos justificam a continuidade da desunião e concorrência interna: a inércia e interesses particulares. Nenhum dos dois é um bom motivo.
A inércia é uma força negativa que impede mudanças. Como toda mudança traz desconfortos, a tendência é adiá-la.
Noutra vertente, os interesses particulares são visíveis. Ser presidente ou diretor de instituições de sucesso, como a CREDESP e a CREDIBOM, confere às pessoas prestígio e bons salários. É natural, portanto, que haja receio de que a fusão das cooperativas acarrete a diminuição no número total de cargos. Sempre haverá alguém com medo de perder benefícios.
Assim, inércia e receios pessoais são as duas principais forças que dificultam a fusão. Mas não são as únicas. Fundir duas instituições com história e cultura próprias, ainda que unidas por um objetivo comum, acarreta problemas técnicos e jurídicos de variados matizes. Eles também precisam ser enfrentados e vencidos. Certamente serão, pois há bons motivos para isto.
A união faz a força
Do lado da economia, a união da CREDESP e CREDIBOM deve trazer significativa redução de custos. Podemos imaginar, por exemplo, o fechamento de uma das agências da Rua do Rosário. Podemos imaginar, também, a redução dos custos totais com altos executivos.
Só aí, estamos falando de milhões por ano.
Não se pode negar que há também motivos para preocupação.
Quando uma agência fecha as portas, precisamos pensar no reaproveitamento máximo das pessoas que lá trabalham. São gerentes, caixas, atendentes, seguranças, serviços gerais. Gente que se dedicou ao desenvolvimento da cooperativa, aprendeu o ofício, ajudou na realização do seu sucesso. São pessoas. Elas não podem ser tratadas com a frieza que se calcula a redução de despesas com coisas, como energia elétrica, água, aluguel.
Mas, considerando o espírito que governa o cooperativismo, este é um assunto que será tratado com carinho ao longo do processo de fusão.
Votos de sucesso
Naquele artigo de julho de 2017, eu disse:
CREDESP e CREDIBOM são duas potências locais e microrregionais. Unidas serão uma potência estadual e nacional. Com a união delas, milhares de cooperados e a economia de Bom Despacho e da região serão muito beneficiados.
Desta união todos sairão mais fortalecidos e mais aptos a sobreviverem e crescerem.
Esta é uma certeza que hoje é ainda mais sólida do que era em 2017. A fusão das duas cooperativas resultará em números impressionantes para Bom Despacho. Em especial, os ativos consolidados somarão R$ 1,7 bilhão e os depósitos chegarão R$ 1,4 bilhão.
Juntas, as duas cooperativas têm cerca de 44 mil correntistas. Tirando aqueles que são cooperados em ambas, é certo que o número ficará acima de 40 mil. Um número excelente.
A união trará uma nova era para o cooperativismo de crédito em Bom Despacho.
Por isto, estamos torcendo para os cooperados de ambas as instituições aprovarem a fusão. Esta nova união de forças e de vontades trará menores custos para os associados e mais progresso para nossa cidade e região.
Confira AQUI o artigo de 2017 que mostra as vantagens da união das duas cooperativas.
(Portal iBOM / Fernando Cabral / Imagens: Credibom e Credesp)

