O motor da Prefeitura é o servidor público

 

Valorizar o capital humano é estratégia de eficiência para Bom Despacho (MG)

SAULO LELES – Imagine que você entra numa Unidade Básica de Saúde em Bom Despacho ou busca atendimento no setor de tributação da Prefeitura. Antes de qualquer sistema de computador ou protocolo burocrático, existe um olhar, uma voz e uma pessoa. É o servidor público municipal. Muitas vezes invisibilizado em meio a discussões sobre orçamentos e obras, esse profissional é, na verdade, o ativo mais valioso de qualquer administração. Sem o servidor motivado e capacitado, a melhor das intenções políticas não passa de um papel engavetado.

A urgência da profissionalização

Como servidor público federal no TRT, compreendo que a eficiência do Estado não nasce do acaso, mas de uma gestão de pessoas robusta. Em Bom Despacho, enfrentamos o desafio de transformar a visão do RH municipal: deixar de ser um mero setor de “folha de pagamento” para se tornar um centro de desenvolvimento de talentos. A gestão pública moderna exige que o servidor não seja visto como um custo a ser cortado, mas como o motor que faz a engrenagem da cidade girar com agilidade e transparência. Veja AQUI o vídeo gravado por Saulo Leles.

O custo invisível da rotatividade

Dados de gestão pública indicam que a rotatividade excessiva em cargos técnicos pode custar até 1,5 vez o salário anual do posto em perda de produtividade e custos de treinamento. Em cidades de porte similar a Bom Despacho, como Nova Serrana e Arcos, observa-se que municípios que investem menos de 1% do seu orçamento em capacitação continuada tendem a apresentar índices de satisfação do cidadão 30% menores. Quando um servidor capacitado deixa o serviço público ou trabalha desmotivado, quem paga a conta é o cidadão, que recebe um serviço mais lento e menos resolutivo.

Lições de Valência e do Judiciário Federal

Durante minha formação em Valência, na Espanha, pude observar como o Estatuto Básico del Empleado Público revolucionou a gestão local ao focar na avaliação de desempenho por competências. No Brasil, instituições como o TRT, onde atuo, demonstram que a meritocracia aliada ao bem-estar e à saúde mental do trabalhador eleva a produtividade a níveis de excelência internacional. Trazer essa mentalidade para o nível municipal em Bom Despacho não é um luxo, é uma necessidade para quem deseja uma cidade inteligente.

O impacto direto na ponta

A má gestão de pessoas reflete-se diretamente na fila do posto de saúde e na demora para a liberação de um alvará comercial. Um servidor sobrecarregado, sem ferramentas adequadas ou sem perspectiva de carreira, adoece. O absenteísmo por causas psicológicas no setor público brasileiro cresceu exponencialmente nos últimos anos. Humanizar o servidor é, portanto, humanizar o atendimento ao cidadão bom-despachense. É garantir que o dinheiro do imposto retorne em forma de um serviço público acolhedor e eficiente.

Propostas para uma nova era na gestão municipal

Para avançarmos, precisamos de ações coordenadas entre os poderes, focadas em soluções técnicas e perenes:

No Legislativo (O papel do Vereador)

Criação da Lei de Capacitação Continuada: Instituir a obrigatoriedade de programas de treinamento técnico para servidores de carreira, vinculando a progressão funcional ao aperfeiçoamento real.

Fiscalização da Saúde do Servidor: Implementar comissões de acompanhamento das condições de trabalho e saúde mental, reduzindo o absenteísmo e melhorando o clima organizacional.

No Executivo (O papel da Prefeitura)

Modernização do Plano de Cargos e Salários: Revisar as carreiras para que a meritocracia e a competência técnica sejam os principais critérios de ascensão, combatendo o apadrinhamento.

Escola de Governo Municipal: Criar parcerias com instituições de ensino para oferecer pós-graduações e cursos técnicos específicos para as demandas de Bom Despacho.

Diálogo e valorização

Valorizar o servidor não é apenas uma questão salarial — embora a remuneração justa seja fundamental. É sobre respeito, condições de trabalho e a certeza de que o mérito será reconhecido. Convido você, servidor de Bom Despacho, a compartilhar comigo suas percepções: o que falta hoje para que você sinta orgulho e suporte total em sua função? Vamos construir juntos uma gestão que cuida de quem cuida da nossa gente.

Acompanhe mais reflexões e dados sobre nossa cidade em minhas redes sociais. O diálogo é o primeiro passo para a transformação. (Portal iBOM / Saulo Leles Costa é biólogo, gestor público e de pessoas, e servidor federal do TRT / Imagem do alto criada com IA).

 

 

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