Mais do que direito, votar é gesto de civilidade

 

Eleição dever ser escolha de propostas e de pessoas capazes de executá-las. Dever ser hora de discutir ideias e avaliar projetos e caráter. No entanto, as eleições de 2026 aprofundaram a cizânia e viram aperfeiçoarem-se os métodos sujos de fazer política. A maioria dos candidatos mais parece palhaço de circo mambembe do que adultos com propostas para melhorar o país e a vida das pessoas. Neste cenário lamentável, mais do que nunca, é preciso racionalidade, atenção e consciência. É necessário que o eleitorado se reconcilie com os ideais da República, da Democracia e do Direito.

FERNANDO CABRAL – Neste domingo (4), mais de 158 milhões de brasileiros exercerão seu direito de escolher o presidente da república, governadores, seus representantes nas casas legislativas.

Estes milhões de eleitores votarão em valores, virtudes, e competência, ou votarão em nomes sem valores e sem virtudes? O futuro dirá. Mas espera-se que não votem em moleques maquiados cujo único mérito é fazer vídeos para redes sociais. Político não é influenciador digital. Siga @jornaldenegocios no Instagram e veja mais conteúdos.

Antes do nome, o que queremos

Antes de escolhermos o nome, deveríamos decidir o que queremos de um candidato. Cada pessoa valoriza uma coisa diferente. Ou tem pesos diferentes para a mesma coisa. Isto é da democracia e é da natureza humano. O que não é da natureza humana, nem da democracia, é sacrificar valores para eleger influenciadores levianos e irresponsáveis.

Para avançar nos campos social e econômico, o que o país precisa é de estadistas capazes de conduzir a nação e os estados. E precisa de legisladores capazes de nos darem boas leis.

No entanto, quando a eleitora e o eleitor se guiam por macaquices de influenciadores digitais, o futuro fica turvo. Mais turvo ainda, quando a campanha é baseada em boatos e balelas, como temos visto com tanta frequência.

Nesta hora, todo cuidado é pouco. A escolha do nome na urna deve ser precedido de uma escolha anterior, mais importante e mais fundamental: que país queremos?

Somente se soubermos que país queremos poderemos escolher o candidato certo para realizar nosso ideal.

Os grandes temas

Mundo afora, certos temas são recorrentes nas eleições. Entre eles, dominam educação, saúde, segurança pública, emprego e renda. Por serem tão importantes, representam um bom ponto de partida para a escolha de um candidato.

Aqueles que acreditam que educação, saúde e renda mínima são direitos de todos, e obrigação do estado (como está na nossa constituição), tenderão a escolher nomes no espectro político chamado de esquerda.

Por outro lado, os que acham que o estado (governo) não tem obrigação de prestar estes serviços, e que cada cidadão deve se virar sozinho, tenderão a votar nos candidatos que se identificam como de direita.

Estas são as duas visões de país que estão em disputa nas eleições de 2026.

Contudo, é preciso cautela. Os termos esquerda e direita perderam seu significado histórico e passaram a ser xingamentos. Quem se qualifica como esquerda, chama o outro de direita, não como qualificação, mas como xingamento. A recíproca é verdadeira para quem se acha de direita. Mas, a triste verdade é que a maioria nem sabe o que os termos significam.

Mas, este não é o único motivo para o eleitor se precaver contra esta separação simplória. Acima de qualquer rótulo de esquerda e direita, estão os fatos e a honestidade dos candidatos.

Quanto aos fatos, trata-se de analisar não as falas, mas as propostas concretas e os resultados que os candidatos possam demonstrar. Seu histórico de vida.

Quanto à honestidade, não faz diferença se o candidato se apresenta como de direita ou de esquerda; se ele não respeita a democracia, se rouba o patrimônio público, se ataca as instituições da república, não é um bom candidato.

O nome

Somente com uma ideia de país melhor na cabeça e com boas informações, o eleitor e a eleitora estarão aptos a escolher um nome. Um nome que possa representá-los no executivo ou no legislativo.

Isto não significa encontrar candidatos santos, doutores ou salvadores da pátria. Se santos existem, estão nos altares, conventos e no céu. Se doutores existem, eles estão nas academias. Se salvadores da pátria existem, eles estão na cadeia ou no inferno. Ou deveriam estar.

Eleitores devem procurar candidatos honestos, que respeitem e façam respeitar as regras da democracia, as regras eleitorais e a constituição. Devem escolher candidatos que, se perderem, não mentirão que a culpa é das urnas ou do tribunal, e que se ganharem, mostrarão respeito pelos derrotados, compaixão pelos necessitados, apreço pela liberdade religiosa; que também defenderão os direitos das minorias, a soberania nacional e os direitos do cidadão.

Esperar perfeição de políticos é querer muito. Eles têm defeitos, fraquezas e falhas. Cometem erros. Mas, o eleitor sagaz e maduro exigirá deles o respeito ao patrimônio público, a obediência à constituição, e a submissão total às regras do jogo eleitoral.

Políticos não bons porque não erram, eles são bons porque têm transparência, sinceridade e honestidade de propósito.

Quando um candidato questiona injustificadamente o resultado das eleições ou semeia desconfiança sobre as instituições, ele está minando a legitimidade do voto do cidadão. Nenhum político tem o direito de fazer isto como artimanha para espalhar o caos e confundir o cidadão.

Patrimônio público é herança social e propriedade coletiva. Quem pretende administrá-lo não pode estar envolvido com milícias, com o crime organizado, com banqueiros corruptos, com o crime organizado.

Divergir, sim; hostilizar, não.

As pesquisas mostram que nesta eleição, Lula e Flávio Bolsonaro estão polarizados com empate técnico, ou pequena margem para Lula. A vitória de qualquer um deles poderá ser por margem minúscula. Mas, não importa. Ainda que a margem seja de um único voto, o perdedor deve ir para casa lamber suas feridas em paz, e o ganhador tem que respeitar o derrotado e usar sua vitória para o bem coletivo.

No entanto, temos visto um acirramento da violência política. Violência a que nenhuma democracia resiste e sobrevive se não a combater e derrotar. Por isto, os números preocupam. Nos últimos meses, foram registrados 71 casos de ofensa grave, 51 casos de agressão física, 17 atentados políticos, 11 assassinatos consumados, invasões e muita altercação. Tudo devido à radicalização política.

Esta violência não constrói e não se coaduna com a democracia. Ela tem a cara do nazi-fascismo, e o nazi-fascismo leva à ruína da sociedade e dos países.

Por fim, eleição não é um grito de desabafo que os insatisfeitos dão a cada quatro anos. Eleição é um momento de escolha consciente, que terá consequências por muitos anos à frente.

Votar é um direito e um gesto de civilidade. E a civilidade deve se estender à forma como fazemos proselitismo político, e ao modo como encaramos a derrota ou comemoramos a vitória. O proselitismo não pode conter violência; a derrota deve ser recebida com humildade; a vitória deve ser aceita com a responsabilidade de fazer a coisa certa.

Oxalá, no domingo, 158 milhões de brasileiros votem em paz, e visando os interesses maiores do Brasil. (iBom / Fernando Cabral / Imagem, criada com IA).

 

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