De quem é a culpa da eliminação do Brasil?

 

Seria o mesmo tipo de culpa que elimina Bom Despacho a cada 4 anos?

SAULO LELES – O silêncio que se seguiu à eliminação precoce da Seleção Brasileira na semana anterior não foi apenas o luto pelo fim do sonho do hexa. Foi, acima de tudo, o som do impacto de um projeto que colapsou diante da falta de diretrizes claras.

Ver o Brasil, outrora referência de excelência, sucumbir diante de adversários teoricamente menores, expõe uma ferida que vai muito além das quatro linhas: a falência do planejamento estratégico. Quando o talento individual não é sustentado por uma estrutura sólida, o resultado é a improvisação. E, na gestão, a improvisação é o caminho mais curto para o fracasso.

O diagnóstico da crise: da CBF às nossas cidades

A derrota não foi um acidente de percurso. Foi o desfecho previsível de uma crise institucional marcada por trocas constantes de treinadores, incertezas no comando da CBF e a ausência de uma visão de longo prazo que sobrevivesse às vaidades políticas. Esse cenário, infelizmente, é um espelho fiel de muitas gestões municipais pelo Brasil. Cidades que mudam de rumo a cada quatro anos, que interrompem projetos bem-sucedidos por questões partidárias e que priorizam o “curto prazo eleitoral” em detrimento do “longo prazo geracional” estão fadadas a jogar na retranca, apenas reagindo a crises em vez de antecipar soluções. Veja mais conteúdos seguindo @jornaldenegocios no Instagram.

O paralelo: uma cidade que quer ser campeã

Gerir uma cidade como Bom Despacho exige o mesmo rigor técnico de uma seleção de alto rendimento. O planejamento estratégico é o “esquema tático” que define onde queremos chegar em 10 ou 20 anos. Sem ele, os recursos públicos — que são finitos e preciosos — acabam pulverizados em ações isoladas que não geram transformação real. Uma cidade que deseja atrair investimentos, melhorar a saúde e educar seus jovens precisa parar de “apagar incêndios” e começar a desenhar seu futuro com base em dados, metas e continuidade.

O impacto em Bom Despacho: onde o jogo se decide

Ao analisarmos nossa realidade local sob a ótica da estratégia, percebemos que a falta de um plano de Estado (e não apenas de governo) afeta três pilares fundamentais:

Desenvolvimento Econômico: Empresas e investidores buscam previsibilidade. Sem um plano diretor atualizado e uma estratégia de incentivos fiscais de longo prazo, perdemos competitividade para cidades vizinhas que já entenderam que o capital foge da incerteza.

Saúde: A descontinuidade administrativa é o maior gargalo. Quando mudamos a gestão e, com ela, toda a diretriz da atenção primária, quem perde é o cidadão na fila da UBS. A saúde precisa de processos consolidados que independam de quem ocupa a cadeira do Executivo.

Educação: Formar uma geração leva 15 anos. Se não houver um planejamento estratégico que conecte a educação básica ao mercado de trabalho e à inovação tecnológica, continuaremos exportando nossos talentos por falta de oportunidades locais.

Propostas concretas: o caminho da vitória

Para que Bom Despacho jogue na “série A” do desenvolvimento, precisamos de ações institucionais robustas:

Ao Poder Legislativo, cabe o papel de guardião da continuidade. Precisamos criar leis que transformem projetos estratégicos em políticas de Estado, garantindo que metas de saneamento, educação integral e infraestrutura sejam blindadas contra interrupções políticas. O vereador deve ser o fiscal do plano de longo prazo, não apenas o solicitante de melhorias pontuais.

Ao Poder Executivo, urge a implementação de um Planejamento Plurianual (PPA) que seja verdadeiramente estratégico, com indicadores de desempenho (KPIs) claros e transparência total. É necessário profissionalizar a gestão de pessoas, valorizando o servidor de carreira e reduzindo a dependência de cargos políticos em áreas técnicas.

Conclusão: o futuro não é um jogo de azar

A Seleção Brasileira voltará a vencer quando resgatar sua identidade através da organização. Bom Despacho também. O planejamento estratégico não é um luxo burocrático, é a única ferramenta capaz de garantir que o imposto pago pelo cidadão se transforme em qualidade de vida duradoura. Não podemos deixar o futuro da nossa cidade ao acaso ou à sorte de um “gol de placa” isolado. É hora de convocar a técnica, a transparência e a visão de futuro para o campo. Afinal, em uma gestão séria, o maior troféu é a dignidade de cada cidadão. (Portal iBOM / Saulo Leles Costa é biólogo, gestor público e de pessoas, e servidor federal do TRT / Imagem de Daniel Reche do Pixabay).

 

One thought on “De quem é a culpa da eliminação do Brasil?

  • 14 de julho de 2026 em 22:55
    Permalink

    Aos que erram pênaltis

    Quem de nós nunca perdeu um?!
    Que levante o pé!

    Todo jogo
    é uma brincadeira!
    A não ser que
    o levemos muito a sério!

    Ganhar sempre, em que mundo,
    senão nos contos de carochinha,
    em nossas vaidades
    de ser sempre um bom de bola!

    Nossos erros, nossa vergonha?!

    Ou para ser bom em algo não faz parte errar e acertar, erar e acertar…até…que erremos novamente à procura do acerto
    que nos dê alegrias,

    gozo de comunhão!

    Deus é bom de bola?!
    Ou já foi pereba um dia
    até acertar na criação do mundo,
    esse mesmo em que vivemos,
    sempre chamados a remendar
    isso e aquilo?!

    Há sempre uma meia-lua, um meio-dia, uma meia-noite, antes da lua cheia, de um dia inteiro, uma manhã que amanhece!

    Quantos pênaltis já acertamos!
    Enfiar a cabeça na areia, tal qual avestruz, por ter perdido um?!

    …o jogo continua…

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