Obrigado ao som que me acompanha há 53 anos

 

AELSON ZUCA LOBATO – Desde minha época de estudante ginasial tenho o costume de rever livros que trouxeram mudanças para a minha vida. Alguns folheio como se tivesse encontrado um amigo que não vejo há muito tempo.

Outro costume que carrego é de colocar crônicas e textos de artigos dentro de livros. Às vezes, ao manusear os livros, alguma crônica escapa da página onde estava. Aí a leitura passa a ser quase obrigatória.

Esta semana reli uma crônica publicada em 10/8/80, portanto há 46 anos. Essa crônica me influenciou muito. Com o título “Qual o seu som?” ela começa dizendo que todo som é vibração sobre você mesmo e sobre seu ambiente. Os sons que nos rodeiam agem sobre nós, benéficos ou desarmoniosamente. É um som que nos acompanha sempre e vibra intensamente sobre nós, é nossa própria voz. Você já prestou atenção ao seu modo de falar?

A sua voz é calma, harmoniosa, segura, precisa, útil? Ou sua voz é daquelas que devem estar mais altas do que a dos outros, daquelas que são ásperas, que irritam, que gritam, que não possuem tom próprio, que variam segundo seu estado emocional do momento?

Em outra parte da crônica a escritora faz uma observação interessante: “preste mais atenção na sua voz, no seu modo de falar, pois ele vibra em todo seu corpo físico e emocional. Se uma voz não tem características harmoniosas, se não modula palavras verdadeiras e fraternas, se prefere ser vulgar e criar expressões grosseiras, é hora de mudar urgentemente”.

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O seu som é pessoal e atua em todo o seu campo vibracional? O som é criador e destruidor. Onde está seu som? A sua voz, a sua palavra? Quais as palavras que predominam no seu dia a dia? Quais os sons que prevalecem? Dê um balanço, ouça você mesmo falando e sinta o que está criando em sua volta. Lembre-se que o silêncio é sempre mais perfeito que palavras inúteis ou agressivas.

Continuei lendo a crônica e comecei a relembrar as boas mudanças que passei a adotar dessa leitura que fiz há 46 anos. Muitas vezes freei que costumavam afastar quem está ao nosso lado, justamente por causa, principalmente, dos tons que usamos em nossa voz.

Voltando à escritora, vejam o que ela fala em outro trecho da crônica lida há 46 anos: “O seu som é pessoal e atua em todo seu meio. Pesquise sempre, transforme-se quando necessário, porque a paz da convivência começa com o silêncio externo e, depois, atinge o campo interno da mente, harmonizando as vibrações através do som. Aí, surgem as grandes mudanças. Mudanças altamente positivas”.

Encerrando minhas palavras neste mês da mulher, quero agradecer ao som da crônica lida há 46 anos e a todos os outros sons que marcaram meu caminho, principalmente a um som que me acompanha há 53 anos, mostrando o que certa vez disse Drummond: o “caminho é mais importante do que a caminhada”.

A todas as mulheres de bons sons meus cumprimentos. (iBOM / Aelson Zuca Lobato é advogado, ex-vereador e professor aposentado).

 

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