Aproveite cada segundo como se fosse o último

 

“Lá vai o trem sem destino, pro dia novo encontrar, correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar.”

Esta é a música “O Trenzinho do Caipira”, quarto movimento da suíte “Bachianas Brasileiras”, de Heitor Villa-Lobos, que recebeu a letra do poeta Ferreira Gullar, inspirada por lembranças de sua infância em viagens de trem.

Semanas atrás, mais por necessidade que por lazer, fiz uma viagem de trem de Belo Horizonte a Ipatinga e vice-versa. Preço justo, poltronas confortáveis, vagão restaurante com comida a preços bem razoáveis e vista linda. Siga @jornaldenegocios no Instagram e veja sempre mais.

Apesar do contraponto da janela fechada, um pouco embaçada e um caminho intercalado por paisagens transformadas pela mineração, a viagem foi muito interessante.

Me fez lembrar um texto que amo, onde a viagem de trem é comparada à trajetória da vida e suas relações. A essência da narrativa fala sobre a importância de aproveitarmos cada trecho e cada pessoa que divide conosco o vagão. Porque alguns vão te acompanhar por toda a viagem, outros por uma longa parte do percurso ou por apenas uma curta e breve estação. Este interregno de tempo nem sempre vai definir a intensidade do contato ou da relação que pode ser curta e fugaz ou longa e serena.

Fiquei viúva há 15 anos. Leo passou como um foguete pela minha vida, de forma intensa e, em alguma medida, breve. Deixou muito. Deixou história, registros, ensinamentos, um sobrenome e a família dele que passou a ser, de algum modo, também a minha.

A viagem que fiz foi para chegar até essa família, que mora a uns 600 quilômetros da minha casa.

Foi tudo tão simbólico! O trajeto, os barulhos, as comidas, os encontros, a trilha sonora.

Do alto dos meus 52 anos, voltar à cidade de Inhapim (MG) embalada por esse percurso lindo, montanhoso e mineiro foi um pouco viver o poema e sentir bater no rosto a brevidade da vida, a beleza das relações e a necessidade de aguçar os sentidos pra aproveitar cada segundo, cada estação e cada relação como se fossem únicos e últimos. (iBOM).

 

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