APAE, uma mãe para os bom-despachenses

 

ALEXANDRE MAGALHÃES – Desde o final de 2023, quando faleceu minha mãe Leonor, tenho trazido meus irmãos gêmeos deficientes para passar parte do ano em Bom Despacho. Em 2023/2024 trouxe o Daniel e o Rafael para passarem o Natal e o Ano Novo, além de um pedaço de janeiro aqui. Foi maravilho, pois esqueceram um pouco o trauma da perda da mãe e divertiram-se muito.

Desde dezembro de 2024 estou na cidade com meu irmão Rafael. Minha namorada bom-despachense, portadora do coração mais lindo do mundo, conseguiu matricular o Rafael na APAE, para ter atividades diárias de convivência no Centro Dia. Desde o começo de fevereiro, o Rafael é recolhido pelo ônibus da APAE, dirigido pelo Antonio Carlos e assessorado pelo Maurício, pontualmente às 6h50 de todas as segundas à quartas-feiras, e passa os melhores momentos de sua vida na companhia de outras pessoas especiais.

O Rafael só fica pela manhã, mas recebe o melhor tratamento da professora Juliana. Almoça e volta para casa cheia de casos para contar. E conta e repete cada caso dezenas de vezes. É uma benção para uma pessoa com convivência tão restrita, que ganhou um novo mundo para chamar de seu.

Obrigado à APAE. Obrigado ao Antonio Carlos, ao Mauricio, à professora Ju, à diretora Verônica e a todos os funcionários e alunos do Centro Dia, que tem deixado meu irmão muito mais feliz! O trabalho de vocês é impagável!

The Truman Show em Bom Despacho

Para quem não assistiu ao filme “O Show de Truman”, antigo trabalho do ator Jimmy Carey, um resumo: a película mostra uma cidade onde todos são atores, menos o Truman, que pensa que vive em um mundo normal e real. É um “reality show” transmitido a milhões de pessoas e o único interesse é o que o Truman vai fazer no dia.

Todos os dias, todos os atores fazem os mesmos movimentos, cumprimentam ao Truman com naturalidade, fingem que vivem suas vidas em uma pequena cidade dos Estados Unidos.

Desde que comecei a levar meu irmão Rafael para o ponto de encontro matinal no qual o ônibus da APAE passa e o recolhe, sempre preocupado em não me atrasar, acabo chegando dez minutos antecipadamente todos os dias.

Isso me permite ficar parado ao lado do Rafael e ver a cidade de Bom Despacho despertar. Mais precisamente, o bairro Esplanada. É muito divertido perceber que vejo sempre as mesmas pessoas fazendo os mesmos trajetos, nos mesmos veículos (bicicleta, moto, carro, à pé, skate etc) e indo começar seus dias no trabalho, na creche, na escola, fazendo caminhadas, corridas e outras atividades.

O mais divertido é que no primeiro dia ninguém me cumprimentou, pois era a primeira vez que eu ficava naquela esquina com um cadeirante. Passadas cinco semanas, todos me cumprimentam, muitos buzinam ao passar com seus carros ou motos, pessoas param e mantêm pequenas conversas, já conhecem o Rafael pelo nome e me incluíram em suas vidas. O Dê, da Dê Escoramentos me cumprimenta todos os dias, já batemos um papo tomando uma cerveja em um dia desses, tudo por causa dessa pequena espera diária.

Depois de várias semanas observando este movimento diário, consigo “adivinhar” quem será o próximo a tirar o carro da garagem, quem passará de bicicleta, quem me falará um “bom dia” delicioso e sorridente, entre muitas atividades rotineiras.

Que delícia é conhecer Bom Despacho, mais especificamente o Bairro Esplanada, nesta minha espera matinal diária. (Portal iBOM / Alexandre Magalhães / Foto: Alexandre Magalhães).

 

Alexandre Magalhães

Alexandre Sanches Magalhães é empresário, consultor e professor de marketing, mestre e doutor pela USP e apaixonado por SP e BD

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *