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Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

Afinal de contas, a culpa é mesmo do nosso sistema?

Publicado em 01/11/2015 15:52:28

FERNANDO BRANCO - Na semana passada, estive na portaria do PA e não pude deixar de ver centenas de chicletes esmagados no piso da entrada, além de dezenas de guimbas de cigarro no chão (também havia dois cachorros deitados – acho que eles moram ali...). Ali ainda ouvi, de doentes à espera de atendimento, a velha frase: “A culpa é do sistema!”

Quando as coisas não estão bem, todos dizem que a culpa é do sistema. É assim em todo lugar, em todo país. A nossa economia está em crise, o governo enfraquecido, oposição maioritária, quase todos contra o governo, tudo está dando errado e dizemos, intuitivamente, que a culpa é do sistema.

É verdade. A culpa é do sistema, não existe qualquer possibilidade de o sistema estar inocente no nosso momento político. Eles são culpados ou, pelo menos, responsáveis pelo nosso momento político-econômico ruim. Isto é verdade, mas não é a toda a verdade. É mais fácil protestar do que louvar, mas não nos esqueçamos da nossa dívida para com o sistema.

Ora, não podemos esquecer que o sistema somos nós, ou pelos menos é movido por nós. As nossas ações, boas ou ruins, individualistas ou coletivas, refletem no sistema e todos os políticos chegaram ao poder por obra nossa. Assim, não se pode atribuir a totalidade da culpa aos políticos. A culpa do sistema é de todos, cada um tem uma parcela de culpa.

E o que faremos para mudar o sistema, as regras do jogo, as regras políticas? Vamos continuar criticando sem fazer nada?  Vamos continuar jogando chicletes e guimbas de cigarro na portaria do PA? Vamos continuar criticando a corrupção política, enquanto recebemos favores pessoais desses mesmos políticos, enquanto sonegamos impostos, furamos filas de banco, paramos em fila dupla para buscar a criança na escola (uma ótima lição para o filho, né!?), enfim, vamos continuar criticando as ações dos outros, mas sem fazermos a nossa parte (faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço)?   

A mudança deve começar por nós, através de atitudes coletivas.  E se quisermos que o sistema político também mude, precisamos rejeitar propostas políticas individualistas, pois de nada adianta um político que fica lhe fazendo favorezinhos pessoais ou lhe dando migalhas do poder (uma consulta médica, um cervejinha, um saco de cimento, uma cesta básica, por exemplo), pois estes jamais farão o sistema melhorar, pelo simples fato de que a melhora significaria a sua exclusão do sistema.

Está na hora de todos, além de simplesmente cobrar e olhar para o próprio umbigo, passar a olhar para os umbigos de nossos semelhantes. Se o sistema somos todos, não há mais lugar para os individualistas.

Fernando Branco é servidor público e professor universitário



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