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Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

Celular demais, educação de menos na vida moderna

Publicado em 06/12/2014 09:44:36

Nas duas últimas décadas, a humanidade assistiu ao surgimento de um fenômeno social e cultural que mudou as nossas vidas para sempre. Com a disseminação do uso dos telefones celulares, hoje smartphones, estes passaram a constituir parte importante do cotidiano de todas as pessoas, consolidando-se como o artefato mais utilizado no mundo. 

A entrada da telefonia móvel na nossa vida social, entretanto, acabou por trazer para a escola e, depois, para a sala de aula, os diversos recursos dessa nova tecnologia interativa, de forma invasiva e desregrada, causando mais problemas do que soluções.

A Unesco defende o uso do telefone celular em sala de aula, asseverando que eles podem “permitir a aprendizagem a qualquer hora, em qualquer lugar, criando uma ponte entre a educação formal e a não formal (in Diretrizes de políticas para a aprendizagem móvel”, de 2013).

É bem verdade que não podemos mais ignorar o celular. Essa tecnologia, em algum momento, entrará oficialmente nas salas de aula para ser utilizada como mais uma ferramenta de construção do conhecimento.

De fato, o celular como uma ferramenta de expansão cognitiva, como facilitador do aprendizado, pode ser útil e não pode ser descartado, principalmente nos locais onde não há escolas. A exemplo disso, a África é hoje uma das principais regiões no mundo com projetos de m-learning (aprendizado pelo celular). 

Mas, a partir do momento em que o telefone celular é utilizado pelos alunos, nas escolas e em salas de aula, simplesmente para fazer ligações, trocar mensagens e mídias em redes sociais, torna-se um desserviço para a educação, algo que precisa ser combatido.

Aliás, o uso excessivo dos celulares pode se tornar um vício e já é tratado como doença, a nomofobia, dependência que algumas pessoas têm de estarem conectadas ao smartphone o tempo todo, o que faz com que se desconecte do mundo real. Agrande maioria dos nomofóbicos são jovens, que se afastam do aprendizado escolar para estarem conectados ao telefone.

Como professor universitário, tenho constatado que, cada vez mais, os alunos, principalmente os mais jovens, com pouca capacidade volitiva, teimam em ficar conectados durante as aulas, acabando por prejudicar a si mesmos, já que não se concentram totalmente e perdem conteúdos programáticos.

Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 14.486/02 proibiu a conversação em telefone celular e o uso de dispositivo sonoro do aparelho em salas de aula, teatros, cinemas e igrejas. Em vários outros Estados também há leis proibitivas. No Congresso Nacional também tramita um projeto de lei que proíbe o uso de celulares e similares em salas de aula de todo o Brasil.

Mas proibição sem sanção, sem conscientização, é letra morta. Mais do que leis, precisamos planejar o uso saudável dessa nova tecnologia, precisamos conscientizar os educandos sobre a importância de concentrar-se nas aulas, de apreender todos os conteúdos programáticos, sobre a necessidade de separar diversão e educação. Celular demais, educação de menos.

FERNANDO BRANCO, professor na UNIPAC Bom Despacho



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