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Bom Despacho (MG), 22 de setembro de 2017

Afinal de contas, você sabe o que é o gerundismo?

Publicado em 07/08/2015 11:17:30

FERNANDO BRANCO - Há tempos venho notando o crescimento de uma prática errada: o gerundismo, um vício de linguagem que ocorre ao transformarmos, desnecessariamente, um verbo conjugado em um gerúndio (principalmente o verbo “estar”).

O exaustivo uso do gerúndio em situações desnecessárias, em lugar da forma verbal apropriada, vem crescendo e virando motivo de piada. É o que se denomina de gerundismo, também conhecido como “Síndrome do Vamos Estar Transferindo a sua Ligação”. 

O gerúndio é uma forma nominal do verbo, sem flexão de tempo e modo, usada para indicar uma ação que está em processo contínuo ou, ainda, que remete a uma ideia de progressão. O objetivo do gerúndio é dar ao interlocutor a ideia de ação em andamento, ação contínua ou concomitante a outra ação: “Caminhando pela rua, vendo a paisagem.”Tendo chegado ao fim da corrida, recebeu a bandeirada”.

Dizem que o gerundismo cresceu no Brasil por influência das empresas de atendimento telefônico, que traduziram "ao pé da letra" os manuais de telemarketing dos EUA, para  dar a impressão de que uma ação prometida será duradoura. Ex. “Estaremos entrando em contato.” ao invés de, simplesmente, “entraremos em contato”; “vamos estar encaminhandoa sua ligação”, ao invés de “encaminharemos a sua ligação”.

Diferentemente do Brasil, em Portugal e em outros países lusófonos, o uso do gerúndio é mais restrito, sendo substituído, em geral, pelo infinitivo antecedido da preposição “Ex: “Estamos a fazer o possível”, ao invés de “Estamos fazendo o possível”.

É tanto gerundismo no Brasil que, no ano de 2007, José Roberto Arruda, então governador do Distrito Federal, baixou um Decreto proibindo o uso do gerúndio, afirmando que este “é uma arma da burocracia para adiar e não tomar providências imediatamente. Não é para tanto, mas é inegável que, de fato, o gerundismo objetiva evitar um compromisso com o interlocutor, ou mesmo para tranquilizá-lo, deixando a entender que a sua demanda será, em algum momento, resolvida, mas sem dizer quando. Mas, não se pode, como quis o governador, obrigar uma pessoa a mudar a sua maneira de falar apenas pelo fato de outra não simpatizar com determinado vício de linguagem.

De qualquer forma, é preciso lembrar que o uso excessivo do gerúndio expressa descomprometimento de alguém com determinado assunto ou demanda, deixando a dúvida sobre o que será feito, pois, como disse o professor Sérgio Nogueira, “se alguém me disser que vai estar resolvendo, posso ter certeza de que não vai resolver coisa nenhuma”. A solução para isso é usar o futuro. Se alguém disser “resolverei o seu problema” ou “vamos resolver o seu problema” é mais incisivo.

Bem, estando terminando esta crônica, estarei enviando para o Joneg. Mas, antes, quero estar expressando que é uma satisfação estar conversando sobre esse assunto. Por isso, vamos, futuramente,estar falando sobre isso nas ruas, vamosestar conversando, porque é sempre bomestar debatendo com os nossos leitores, e também para estar provocando uma mudança nesse vício. Afinal, estamos buscando sempreestarmos melhorando a nossa linguagem. E, para os que gostarem da crônica, estarei disponibilizando o texto para quem quiser estar imprimindo ou estar fazendo cópias.



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