iBOM | Praça Babilônia: uma das sete maravilhas de Bom Despacho



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Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

Praça Babilônia: uma das sete maravilhas de Bom Despacho

Publicado em 10/04/2015 09:36:57

DENISE COIMBRA - Enquanto conversávamos, ontem à noite, meu irmão e eu, lembrávamos de uma descoberta encantadora de nossa infância. Sentados no sofá da sala de estar, adentramos no Trópico (enciclopédia ilustrada) e nos deparamos com as maravilhas do mundo antigo. Para mim, o encanto maior sempre foram os Jardins Suspensos da Babilônia. Esta obra arquitetônica é considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e a única cuja localização ainda não foi descoberta.

Os jardins eram compostos por seis terraços construídos como andares e eram apoiados por colunas enormes cuja medida chegava até a 100 metros. Em sua superfície havia inúmeras árvores frutíferas, esculturas de deuses, piscinas e belíssimas cascatas irrigadas por um sistema de roldanas e baldes, presentes em grandes poços cuja água provinha do Rio Eufrates. Com isso mantinham os jardins sempre úmidos e majestosos.

Você deve estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com Bom Despacho?

Continue e terá uma inquietante resposta.

Após o nosso encontro fui dormir e sonhei que caminhávamos, meu irmão e eu, por uma área de terra em forma circular, no alto do Bairro Babilônia, onde uma placa apontava para a localização exata dos vestígios dos Jardins Suspensos.  Incrédula, me vi no centro dela e de frente ao Cristo majestoso e maltratado que ainda resiste às intempéries e ao nosso descuido. Entusiasmada afirmei: tão bela quanto o Colosso de Rodes!

Ainda no sonho, lembro-me que estive com Roberto Rangel, o escultor daquele Cristo, num breve e instigante encontro, no ano passado, durante a exposição de suas obras em comemoração aos 50 anos da Biblioteca Municipal de Bom Despacho.  Em seguida, eu o vejo numa roda de conversa com empresários, o prefeito, padres e a comunidade discutindo alternativas de restauração e cuidado para uma obra de tal magnitude e beleza!

De repente, de mãos dadas com a arquiteta Marilene Mesquita, nossa querida Malê e o Fabinho, morador com vasto conhecimento da história do Babilônia, chego à Radio Difusora onde comungamos, ao vivo, com os ouvintes, o nosso desejo de  plantarmos um primoroso jardim, naquela área em formato de Mandala - que é símbolo universal de integração e harmonia - transformá-la numa praça, o que é  também, anseio de muitos moradores que telefonam satisfeitos e dispostos a juntarem-se a nós!

Imaginamos nela quiosques para as pessoas fazerem piqueniques e equipamentos para a prática de exercícios físicos. Uma agenda cultural realizada pela Academia Bom-Despachense de Letras com saraus e apresentações de artistas locais. A ideia mais encantadora foi o convite à Banda do 7º Batalhão e à Banda criada pelo saudoso Mário Domingos, que tocariam juntas na inauguração da Praça. Poderíamos nomeá-la numa homenagem ao primeiro morador ou moradora desse bairro, cuja geografia é tão especial quanto rica para nutrir o cotidiano espiritual e cultural dos moradores.

Descobrimos nele também várias fontes de água e a horta comunitária, onde vejo minha amiga “Neu” e sua família trabalhando no plantio de legumes e verduras orgânicos. Natureza e trabalho são fontes permanentes de vida e devem ser tratados de forma sagrada, reflito.

Olho novamente para o Cristo, que nos acompanha enquanto abraça a cidade, já repleta de grandes edifícios.

Estranhamente e aos poucos, no lugar desses vejo enormes jardins suspensos e pessoas alegres e relaxadas contemplando a paisagem e o frescor da aragem que espraiava por toda a região central, diminuindo a temperatura quase desértica.  Abraço meu irmão e descemos em direção ao centro da cidade, ansiosos para usufruirmos desse cenário tão espetacular!

Na parte baixa do bairro nos deparamos com duas lagoas lindas de águas rasas e calmas: ninguém nadando ou pescando. Ao redor ninguém caminhava. Comecei a bater de porta em porta e a parar todos os carros que desciam alheios e velozes. Gritava-lhes num misto de desespero e alegria que poderíamos compartilhar a vida com mais leveza e proximidade! Ninguém parecia me ouvir nem importar-se! Mais calma, me dei conta: ainda estão dormindo!

Num banco da Praça da Matriz, num efeito mágico presente apenas em sonhos ou na fé, olho nos olhos do Cristo, ainda o do Babilônia que me sopra um antigo milagre ocorrido:

Lembre-se e aos outros também que a Igreja Matriz de Bom Despacho foi construída por um mutirão de crianças, homens e mulheres; por quê a Praça do Bairro Babilônia, não?

Hoje acordei com uma alegria e esperança intensas. É incrível a potência ainda encoberta nos espaços onde dormem os sonhos dessa cidade. Oxalá se tornem realidade! 



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