iBOM | Filhos gritam por socorro e encontram as portas fechadas



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Bom Despacho (MG), 21 de fevereiro de 2018

Filhos gritam por socorro e encontram as portas fechadas

Imagem ilustrativa
Publicado em 08/02/2018 14:46:43

DÉBORA RODRIGUES - Eu não consigo ficar indiferente ao sofrimento humano. Algumas vezes eu até gostaria de conseguir, mas não é assim que sou. Poderia pelo menos não absorver, mas absorvo também.

No dia-a-dia, no trabalho, vou acumulando sentimentos que não são meus (ou será que são?). Os bons e os ruins. Apesar disso me prejudicar, prefiro ser assim a ser indiferente. Se a indiferença é ruim, imagina quando ela vem da própria família.

De uns tempos para cá, os pais vêm deixando a responsabilidade da criação de lado. Existe um lenda que, diga-se de passagem, foi inventada porque convém a eles, de que não podem mais corrigir e educar os filhos.

Peço sempre que me mostrem que lei é essa e nenhum deles nunca conseguiu. Nessa de se eximirem de sua responsabilidade, a jogam para a escola e culpam os legisladores da lei que nem existe.

É assim que vão se formando crianças e adolescentes que, futuramente, esses mesmos pais dirão que não dão conta delas. Criador não controla mais a criatura, apesar de ser obrigação dele, visto que o filho é fruto de seu descaso.

Quando esses jovens começam a ir pelo caminho do crime, esses pais agem como vítimas e ouço muito a frase “a vida inteira dei tudo para esse menino!”. Tudo? Eles não receberam nem o básico, que é atenção. Esses pais não olham para esses adolescentes, os tratam como objetos descartáveis. São egoístas, pensam apenas em si e em suas dificuldades.

Por fim, veem seus filhos nas ruas, necessitando de alguém que lhes estenda a mão. Esses pais que nunca fizeram isso com certeza dirão que o filho não quer ajuda. Mas a verdade é que só pensam neles. Os filhos gritam por socorro e encontram todas as portas fechadas no momento em que mais necessitam.

É aí que perdemos esses meninos, pois os únicos que estendem a mão, nesse momento, não querem seu bem. E não, a culpa não é só dos pais, é de todos que puderam ajudar e não o fizeram. É de cada um que vê esses meninos se perderem e não movem uma palha. Ficam em seus sofás com seus Smarts e WiFi sem lutar ao menos 1 minuto pelo outro.

Aonde chegaremos desse jeito? Já chegamos.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD



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