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Bom Despacho (MG), 21 de fevereiro de 2018

Tãozico: craque da bola, da elegância e da solidariedade

Tãozico com a esposa Maria Margarida
Publicado em 27/01/2018 10:05:30

TADEU ARAÚJO - Antônio Alves de Souza, o Tãozico, está perto de completar 84 anos, pois nasceu em 18/08/1934, em Bom Despacho. Seus pais foram Antônio A. de Souza e Maria Mercelina de Souza. Era uma família de cinco irmãos. Fez o curso primário no Coronel Praxedes, entre 1942 e 1945.

Aos 12 anos, em 1946, teve seu primeiro emprego na Padaria do Doco, no Larguinho São Pedro. Com 16 anos entrou para a PMMG. Depois de 30 anos de serviços irrepreensíveis, ali se reformou no posto de sargento.

Casou-se em com Maria Margarida de Souza, sua companheira por toda a vida. Mãe de seus quatro filhos, três dos quais militares já reformados: sargento Carlos, coronel Elen, sargento Anselmo e o caçula Anderson, que é enfermeiro em Nova Serrana. O casal teve sete netos.

Artista precoce

Neném Baruiada era um ferroviário bastante popular, que fundou aqui uma escolinha de futebol para crianças nos meados da década de 1940. Tãozico, feito todo menino brasileiro daquele tempo, jogava bola nas ruas e nos campinhos de pelada. Impressionado com as apresentações daquele craque mirim de família humilde, Neném não só o chamou para jogar no seu time, como ainda lhe deu de presente uma par novinho de chuteiras e o isentou de pagar a mensalidade que cobrava de cada criança.

Destaque dos times

Ele foi crescendo e crescia com ele seu futebol. Jogou no time do Batalhão ao lado de Dão, Oscar, Wantuil, João da Pola, Roldão e Sanfona. Depois na Associação, lendária equipe que teve Graia, Dedão, Deco, Boreia e Tarcísio Amaral. Atuou também no Olegarense. No chamado Oeste de Minas, destacou-se na posição de meia atacante no Juventus e Nacional de Nova Serrana. Fez parte de inesquecíveis agremiações de Pompéu, Abaeté, Martinho Campos, Dores do Indaiá e Pequi, que abrigavam a nata do futebol amador mineiro.

Artilheiro implacável

Antigamente, desde a infância e adolescência, a gente tinha uma paixão pelos times de nossa cidade. Maior que a que temos hoje pelo Cruzeiro e Atlético, que mal conhecíamos. Íamos aos campos, onde vi o Tãozico jogar nos anos 50 e 60. Magro, rápido, elegante, jogava com a cabeça levantada, o que me lembrava o Overhat da seleção alemã. Suas jogadas criativas e seus golaços de bicicleta ou voleio lembram de certo modo as atuações geniais e travessas de Ronaldinho Gaúcho.

Seleção do Século

Tãozico foi eleito por votação popular, em 2017, o melhor meia atacante do futebol bom-despachense na promoção “Seleção do Século”, de que participei como organizador. Em 24 de novembro passado, em noite memorável de nosso esporte, recebeu sua medalha de ouro e uma camisa da seleção de Bom Despacho, no Salão São Vicente. Foi muito aplaudido. Foi a coroação de tudo que fez pelo futebol e que o futebol fez por ele no passado. Pois já dizia Camus, gênio da Literatura Francesa, ex-goleiro da seleção da Argélia: “Tudo que eu aprendi na vida, foi o futebol que me ensinou.”

Dão e Tãozico

O irmão mais velho de Tãozico era Conceição Alves de Souza, o Dão. Militar e jogador de futebol como seu mano. Era uma espécie de pai e conselheiro do caçula de sua família. A mãe morrera tão cedo que ele nem a conhecera e o pai se foi algum tempo depois.

Eles se tornaram inseparáveis. Jogaram juntos. Exerceram suas carreiras na PMMG, geralmente na mesma corporação. Dividiam, diariamente, as experiências na criação das famílias e os momentos alegres ou tristes. Depois de reformados, tinham o hábito de se encontrarem diariamente na Praça da Estação. Ali, com um grupo de velhos camaradas ou apenas os dois sentados num banco, estreitavam-se amizades e rolavam longos e agradáveis papos. O Dão vinha da Rua Olegário Maciel. O Tãozico lá do Rosário, abaixo da Igrejinha, para se encontrarem e se saudavam com carinho fraternal:

- Oi irmão!

- Oi irmão!

O Dão, faleceu recentemente. Abriu-se uma lacuna na vida do irmão. Uma ausência doída. Uma saudade que não quer se calar. Essa perda irreparável o adoeceu e ele luta agora para se recuperar da imensa dor que machuca seu coração.

Solidariedade

Parodiando o Sermão da Montanha, eu diria: - Benditos sejam os que socorrem os enfermos e os assistem nos momentos de dor e solidão.

O ex-vigário da Paróquia de Nª Srª do Bom Despacho, o holandês Padre Leo, em seus últimos meses de vida, teve o consolo de ter de lado, em seu leito de morte, a companhia e os cuidados do Tãozico. Ele cumpriu essa missão a pedido do tenente José Mesquita, outro emérito praticante dessas virtudes evangélicas.

Incontáveis foram os amigos, principalmente militares, a tê-lo por anjo da guarda quando adoeciam gravemente. Tãozico os acompanhava até Belo Horizonte para consultas. Se se internavam, ele se internava como eles, acompanhante solidário, até suas recuperações ou até seus desenlaces.

Abençoado seja o Tãozico pelo que tem feito pelos sofredores e enfermos, de acordo com as bem-aventuranças do Evangelho.

Promessa cumprida

Um fato admira-me em Tãozico. Quando nos encontramos eu lhe prometi: - Você ainda vai ser meu personagem da semana.

Eu desejava fazê-lo parte das pessoas diferenciadas em nossa comunidade por alguma característica positiva de sua personalidade, atitude ou comportamento, em minha coluna. Eu queria ressaltar no Tãozico sua elegância no porte físico, no seu trajar e na sua gentileza com os outros. Eu o vejo mesmo como uma das pessoas mais elegantes de Bom Despacho, no dia-a-dia.

Acostumei-me a apreciá-lo em seus terninhos de linho branco impecáveis. Finos e discretos colares de ouro. Pulseira, relógio e anéis dourados a compor sua indumentária, quase que diariamente.

Hoje, Antônio de Souza Alves, Tãozico, tornou-se meu personagem de número 1497 ou perto desse número, no Jornal de Negócios.

Homenagem feita com gosto e satisfação. Promessa cumprida.

Tadeu Araújo é professor, escritor e fundador da ABDL



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
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