iBOM | Antigos Natais na Praça São José de Bom Despacho



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Bom Despacho (MG), 20 de janeiro de 2018

Antigos Natais na Praça São José de Bom Despacho

Imagem: "Brincadeiras de Criança", do artista plástico Ivan Cruz
Publicado em 26/12/2017 14:38:33

TADEU ARAÚJO - Quando me dei a entender por gente, aos dois, três, quatro anos de idade, gravei na memória as primeiras cenas de natal de minha vida na Praça São José. Praça humilde. Descalça. Mágica. Desse tempo e até minha adolescência, lá viveram as família de meu pai, do cabo Dorcemiro, do Lico, genro do velho Zé Rodrigues, do Sargento Samuel, do Chico Girisa, do Geraldo de Sousa e de seu filho Zé Rafael, do Jésus Cônsoli, do Antônio do Couto, do Zé Toniquinho, do Vítor Brandão, do Candinho Lopes, do Nelson, o pai do Dezinho, do Zé Simão, do Zé Coelho, do Lado do Favuca, do Maestro Floriano, do João de Sá, do Célio Lobato, do Joãozinho, pai do Demerque e outras guardadas em minha memória.

Com sua magia e seu grande espaço livre de chão batido ou de grama nativa, ela atraía a meninada de perto e de longe: da Tabatinga, da Cruz do Monte, da Rua do Capim, da Antena, das ruas São José, São Vicente, Rua do Céu, Praça Santa Rita... pra jogar futebol. Pra ver os circos e parques ali armados. E para brincar com os brinquedos ganhos na noite de natal. Como um bando alegre de pássaros a chilrear, a criançada chegava aos magotes, com os lindos piões e piorras a soltarem-se das fieiras e a rodopiarem no chão. Com as fincas marcando sulcos na terra, em volta de casinhas desenhadas em forma de triângulo. Com belas bolas de futebol de borracha ou de capotão. Papagaios coloridos povoando o céu claro do verão. Velocípedes. Uma ou outra bicicleta de um garoto de família rica...Brinquedos menores, individuais: bonecas e casinhas de bonecas, flautas, sanfoninhas, palhacinhos pirueteiros, joão-teimoso, carrinhos e caminhõezinhos de madeira...

25 de dezembro, a Praça São José era um grande teatro em que se representava uma peça de alegria, de ostentação, de encontro de meninos e meninas felizes que ainda acreditavam em Papai Noel e agradeciam ao bom velhinho os presentes de Natal.

Se bem que entre eles, apareciam crianças tristes e encolhidas que não tinham sido lembradas, por descuido, pelo Papai Noel. Dessas também eu não me esqueço...

Tadeu Araújo é professor, escritor e fundador da ABDL



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