iBOM | E eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel



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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

E eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel

Imagem ilustrativa
Publicado em 23/12/2017 22:37:05

DENISE COIMBRA - O Natal na minha infância? Acordar no meio da noite para tentar pegar o Papai Noel no “flagra” e conferir se ele trazia o presente que eu pedia e não o que meu pai conseguia comprar com o salário que ele ganhava.

Correr para a rua e encontrar com as outras crianças que aos poucos iam chegando para emprestar, comparar e trocar. Por alguns instantes, o presente ganhado era mais significativo do que alimentar-se do café com pão e manteiga deixados à mesa, logo cedo pela minha mãe ainda que ela soubesse que alimentar o espírito naquele dia fosse o mais importante.

E a árvore de Natal? Buscávamos atrás da Vila Militar ou recolhíamos galhos quebrados, soltos no quintal do Geraldo Nunes e do Comandante ou ao longo dos sítios e fazendas no entorno de Bom Despacho. Incrível como conseguíamos galhos belíssimos! Pareciam trabalhados pelas mãos do carpinteiro José para embelezar a sala e o presépio onde deitávamos o Menino Jesus.

Atualmente, e ao lado do Papai Noel, ele tem sido cada vez mais esquecido e usado como garoto propaganda do nefasto sistema que produz milhares de presentes, numa tentativa vã de esconder o vazio e a superficialidade da vida, vigentes desde que o ser humano habita esse lindo e maltratado planeta.

A essa altura do campeonato não me peça para aceitar um Papai Noel que entra pela chaminé inexistente da minha casa, num verão recém chegado, vestindo roupa de inverno, oriundo do Pólo Norte, num trenó puxado por renas, ao invés do Preto Velho saindo da Floresta Amazônica ou da Mata Atlântica pelo Brasil afora numa charrete puxada pelo Cervo-do-Pantanal.

Bonequinhos de neve e pinheirinho? Mais representativos e alegres seriam as mulheres de cerâmica e os maravilhosos artesanatos do Vale do Jequitinhonha, as guirlandas decoradas por sempre-vivas colhidas na Serra do Raio em Diamantina ou os forros e panos de prato bordados pelas artesãs e artesãos de Bom Despacho com as imagens da Biquinha, Praça da Matriz ou da Cruz do Monte. Esses e tantos outros trabalhos feitos com criatividade e dedicação em nossa cidade e no país onde insistimos em valorizar o que vem de fora e tão distante da nossa realidade social e econômica.

Apesar dos absurdos que têm ocorrido no Brasil, e diante de nossa perplexidade e passividade, eu desejo que todos festejem o Natal em paz e harmonia com amigos e familiares e conforme suas crenças e tradições.

A essa altura do campeonato arrisco ainda escolher o meu presente de Natal: que a tão desejada generosidade natalina se mantenha e esteja presente em nosso espírito durante todos os dias do ano vindouro e não somente até seis de janeiro, tal e qual os enfeites natalinos espalhados ou dependurados em tetos nos enormes shopping centers brasileiros.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora



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