iBOM | O encontro com a Educação foi meu presente de Natal



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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

O encontro com a Educação foi meu presente de Natal

Publicado em 21/12/2017 19:27:22

DENISE COIMBRA - Decidi escrever mais uma vez sobre o meu encontro com a educação, principalmente durante o ano de 2017, depois de ter participado da homenagem especial que a Secretaria de Educação fez “aos diretores, vice-diretores, gerentes e coordenadores da rede de ensino municipal, pelo Dia do Diretor.”

Estar ali, com profissionais que dedicam a sua vida a educar crianças e adolescentes em Bom Despacho e no Engenho do Ribeiro tocou-me profundamente. E não poderia ser diferente. Num país devastado pela falta de compromisso ético dos governantes e legisladores, toda a minha esperança renova-se quando percebo que a Educação, em nossa cidade, a despeito de todas as divergências, dificuldades e desafios, encerra o ano ressaltando e reconhecendo o trabalho, o esforço e os resultados dos gestores escolares. Resultados, muitas vezes, obtidos em condições adversas e com recursos escassos. Salve! Salve!

Superação, dedicação, comprometimento, aprendizado, empatia e história foram as palavras-chave que a reflexão em grupo, a qual tive a honra de mediar, trouxe à tona do trabalho rico e complexo realizado ao longo de um ano, uma década, uma vida inteira, tantas vezes incompreendida e tão desmerecida, principalmente pelo governo federal que insiste em criar um fosso educacional entre os brasileiros. A última? Quer privatizar as universidades públicas e institutos federais, o que nos tornará mais ignorantes e pobres do que já somos.

Participar desta homenagem foi tão marcante que não pude deixar de compartilhar com o grupo o orgulho de saber que meu pai foi professor de matemática, minha irmã foi professora e diretora de uma escola estadual, meu irmão formou-se pedagogo e duas cunhadas são professoras. Daí o meu respeito e admiração pelo “mundo da educação.”

O meu presente de natal?

Que nenhuma criança ou jovem em nossa cidade seja obrigado a abandonar a escola, tal e qual a minha mãe. Saiu aos dez anos para cuidar do irmão pequeno e trabalhar em casa “de família”. Nunca mais voltou.

Meu pedido especial dirijo-o à Ivy Lilian, secretária municipal de Educação, e à Roberta Neves, secretária municipal de Esportes de nossa cidade: apostando na capacidade de realização de ambas e na construção de parcerias, sugiro que desenvolvam um projeto nos moldes da Escola Integral, juntamente com as escolas municipais e estaduais, empresários, associações esportivas e culturais, pais e mães de crianças e jovens em nossa cidade. Quem sabe assim conseguiremos diminuir os graves problemas emocionais, a evasão escolar e o envolvimento de crianças e jovens em conflitos sociais. Conflitos que os têm levado aos centros sócio-educativos e à cadeia, lugares indesejáveis, ao contrário das escolas, quadras, campos, cines e teatros, lugares propícios para que desenvolvam valores éticos e de pertencimento social.

A Islândia tinha os piores índices de envolvimento de jovens com o álcool, o tabaco e as drogas em toda a Europa. Trouxe para perto dos jovens o esporte, a arte e a cultura e os pais que passaram a acompanhá-los e orientá-los mais de perto. O que ganharam? Muito mais do que um presente de natal.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora



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