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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

Quando arte e cultura tornam mais bela a nossa Bom Despacho

Teatro reuniu estudantes no salão São Vicente.
Publicado em 15/12/2017 09:02:17

DENISE COIMBRA - No domingo, 3 de dezembro, debaixo de uma chuva fina, fui ao Salão São Vicente para assistir o 1º Festival Multicultural. Uma iniciativa louvável do Mateus Couto, músico, servidor público e membro de uma família admirável pela sensibilidade e dedicação à música e ao cancioneiro popular: a família Couto. A abertura do encontro? Singela e emocionante! Feita pelo Grupo Margaridas, patrimônio cultural e artístico de nossa cidade! Teve maracatu, dança afro e rap, além de músicas tocadas ao violão por crianças e adolescentes dos bairros Ana Rosa, São Vicente, Esplanada e adjacências.

Neste mesmo salão, no dia 5, terça-feira, mais de 300 pessoas foram assistir duas peças teatrais. Dirigidos pelo professor Júnior de Sousa, um grupo de alunos do Colégio Darwin arrasaram nas interpretações.

Ao ver minha filha e seus colegas no palco, lembrei-me que na década de 80, ali mesmo, o Grupo Porta Aberta, dirigido por Maurício Antunes, encenou peças de autores bom-despachenses e nacionais, como Construção, O Segredo do Padre Jeremias, O Auto da Compadecida e Viva Bom Despacho! E o salão? Sempre lotado!

Meu irmão Edmar participou do grupo juntamente com o Bil Morais, a Rosângela, a Duca, a Iralva, a Tânia “do Sô Salgado”, o Maurício Chevalier e tantos outros! Em plena ditadura, os jovens atores corajosamente gritavam: Diretas Já! A mesma coragem que Júnior de Sousa, juntamente com seus alunos, tiveram ao apresentar temas complexos e presentes na vida dos jovens e das famílias brasileiras: o tráfico e uso de drogas bem como os jovens embriagados e inabilitados que dirigem carros e “fazem pegas” pelas ruas das cidades.

Júnior de Sousa já é destaque na direção de espetáculos cujo enredo nos faz pensar com inteligência e humor. Admirável a sua disposição em educar por meio do teatro, uma das formas mais antigas e revolucionárias da expressão humana! Em tempos de obscurantismo, ódio e ideias retrógradas é um alívio ter a oportunidade de sair de casa e ver que os jovens estão dispostos e desejosos de sentarem-se em outros bancos ou cadeiras que não sejam somente os dos bares e botecos de nossa cidade. Viva Bom Despacho!

A iniciativa e o trabalho da família Couto merecem o nosso aplauso redobrado. O projeto que o Mateus coordena abrange 80 crianças e adolescentes de nossa cidade. E isto não é pouco, mas pode ser potencializado. Fica a dica para os empresários, a Prefeitura, a Câmara e demais cidadãos de que a cultura e a arte tornam mais bela a nossa cidade. Mais segura também. A frase do professor Júnior de Sousa ilustra a minha afirmação.

"Acredito muito no teatro como agente transformador. Com o projeto 'Darwin em cena' conseguimos levar aos alunos participantes não somente o prazer da atuação, mas também noções de produção, disciplina técnica e responsabilidade cênica. Eles passaram a entender que o fazer cultural pode modificar vidas e cada um procurou dar o melhor de si divertindo o público e deixando uma mensagem importante ao final de cada espetáculo."

A minha mensagem? Dar asas à imaginação dos jovens e oferecer a eles oportunidades artísticas e culturais poderá levá-los para bem longe da violência e da prisão: a do vício e do tráfico são as piores!

Obs.: o grupo fez também apresentações em várias escolas públicas de nossa cidade.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora



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