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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

Violência obstétrica: você, dona do corpo, deve ser respeitada

Imagem ilustrativa
Publicado em 29/11/2017 14:29:32

DÉBORA RODRIGUES - Após o artigo da semana passada, algumas pessoas me falaram que nunca haviam ouvido falar de violência obstétrica, que essa foi a primeira vez. Outras, disseram achar que violência era apenas quando mãe ou bebê ficavam machucados.

O termo, de fato, é relativamente novo. Não tem muitos anos que as mulheres perceberam que não precisavam passar por certas coisas na hora do parto. Diante disso, resolvi aprofundar mais um pouco sobre o assunto. Muitas mulheres irão perceber por esse texto que já passaram por isso ou, no mínimo, conhecem alguém que passou.

Violência obstétrica não é apenas física. Não acontece apenas na hora do parto. Pode acontecer no pré-natal também. Alguns exemplos são xingamentos, piadas, ameaças, recusa ou demora em atender a grávida, procedimentos médicos desnecessários, toque a cada minuto, episiotomia sem autorização da mulher, cesáreas sem indicação, dentre outros.

Esse tipo de violência acontece muito quando o profissional da saúde coloca seu interesse à frente do interesse da paciente. São feitos, muitas vezes, para acelerar o nascimento do bebê e “livrar” os profissionais daquele parto o mais rápido possível, custe o que custar.

Algumas vezes, quando o parto normal está demorando, a equipe diz que se a grávida não colaborar ela e o filho podem morrer se ficar muitas horas em trabalho de parto. Ela que está muito sensível e confia naquelas pessoas, pede uma cesárea para um parto que poderia ser muito mais saudável para ela e seu filho.

Outras formas de violência são negar que o acompanhante permaneça junto o tempo todo, não deixar que mãe e filho permaneçam juntos ou a parturiente não receber analgesia quando solicitado.

Questiono como pessoas que escolheram trabalhar na área da saúde têm coragem de aproveitar de uma mulher que está parindo. Não consigo imaginar momento mais vulnerável que esse e, nessa situação, fica quase impossível a mulher reagir à violência que está sofrendo.

Sabe o segredo para evitar que você sofra isso? Informação. Pesquise, descubra todas as leis que protegerão a você ou a quem você ama nessa hora. Não vá para o hospital sem estar ciente de todos os seus direitos e informe todos eles a seu acompanhante, pois é ele que os garantirá quando você estiver incapaz.

Pesquise sobre seu médico, sobre o hospital onde irá parir. A dona do seu corpo é você e você tem o direito de ser respeitada.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD



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