iBOM | Corvos, urubus, o gatinho Miló e a República brasileira



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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

Corvos, urubus, o gatinho Miló e a República brasileira

Imagem ilustrativa
Publicado em 23/11/2017 21:46:43

DENISE COIMBRA - Escrevi esta crônica no dia 15 de novembro, aniversário da proclamação da República. Motivos para comemorar? Não encontrei nenhum. Vejam as três primeiras manchetes que li em jornais, sites e blogs:

- “Minas Gerais encabeça a lista de empresas que mantém o trabalho escravo”.

- “Com maior escolaridade, negros ganham um terço a menos que salário de brancos”.

- “Cavalo é mandado para uma cadeia de Sergipe”.

Você pode contrapor: “- Procurou no lugar errado.” Apenas adianto que a minha opinião sobre o que anda acontecendo em nosso país é um misto de injustiça e bizarrice dignas de um conto assombroso de Edgar Allan Poe mesclado ao texto fantástico de Gabriel Garcia Márquez. Mas não. É real e tem doído muito. Mais no coração do que na consciência. Se não, já teríamos expulsado os corvos e os urubus existentes nesta vasta república brasileira que completa hoje 128 anos. Mas não vou polemizar.

Pretendo terminar logo este artigo para aproveitar o dia. Opa! Dia 15 é feriado! Quem me conhece sabe que adoro! Principalmente, quando ele é emendado. Aproveito para colocar a leitura em dia. Minha preferência? Deitada na rede esticada no quintal. Cansei de ler? Levanto e colho amora, pitanga e jabuticaba, docinhas! E claro, sem agrotóxico. Mais um hábito natural herdado do meu pai, mas também dos hábitos mais remotos dos índios. Trabalhar o suficiente para a própria subsistência. E não serem subjugados.

Diferente do que aconteceu com os negros submetidos a tanta humilhação e exploração durante os 350 anos de escravidão vigente no Brasil. A proclamação da república? Um ano mais nova que a abolição da escravatura. Você acha mesmo que há algo a comemorar?

Eu vou aproveitar o feriado para “não fazer nada, nadica de nada.” Se já conseguiram mexer com o trabalho do médico, que agora vai ser remunerado, mesmo que no plantão, somente pelas horas trabalhadas, imagina comigo, uma reles psicóloga que trabalha por conta própria e que escreve nas horas vagas sem ser remunerada?

Ficou desconfiado? Segura essa: a reforma trabalhista aprovada sábado passado vai mexer com as folgas remuneradas, as férias e o décimo terceiro salário. Sua autonomia? Foi pro espaço! Tal e qual a base aérea de Alcântara para as mãos dos americanos, a Floresta Amazônia e Alter do Chão à mão dos especuladores imobiliários! Aguardem! Olha que tenho horror aos terroristas, de qualquer natureza, principalmente os de plantão!

E, por falar nisto, tenho que parabenizar a minha colega Débora Rodrigues. Felizmente ela voltou a escrever ao meu lado neste jornal e também pela denúncia sobre a violência obstétrica a que foi submetida a sua amiga durante o parto num plantão das 19 horas.

Além disso, o assassinato de mais duas jovens em Minas e Goiás. Os motivos? Torpes e cruéis. E a lei do aborto aprovada em caso de estupro? Como diz a minha amiga, Lucinha Castro: É isso mesmo, produção?”- “Não as matem!” Releio e me refugio na crônica de Lima Barreto para suportar tamanha violência contra nós, mulheres? Até quando?

Para finalizar relembro os acontecimentos recentes: A decisão do prefeito em pedir a saída da Copasa; a realização da Conferência Municipal de Educação; o concurso da Beleza Negra no Coronel Praxedes; o lançamento do livro “O Gatinho Miló”, de Alexandre Cesário, e o estudo sobre a língua da Tabatinga feito por Mateus Miranda, além da ideia genial que teve a minha amiga Roberta, filha do professor Tadeu, mas que ainda não posso revelar.

Mais uma vez, você poderia contrapor: “- Esqueça a esculhambação que fazem contra a República. Reverencie os cidadãos conscientes que lutam pela ética e pela justiça social bem como na promoção da educação e da cultura em nossa cidade!” - Salve! Salve!

Denise Coimbra é psicóloga e escritora 



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