iBOM | Os Contadores da Alegria: o universo lúdico da educação



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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

Os Contadores da Alegria: o universo lúdico da educação

Publicado em 19/10/2017 10:53:08

DENISE COIMBRA - Durante reunião semanal do Grupo de Apoio Familiar Semeando no Campo, recebemos a visita de 25 alunos da Escola Dona Duca. Acompanhados pela professora Marta Diniz e a diretora Raquel Costa, as crianças representaram uma peça teatral especialmente para nós! E foi maravilhoso!

Os Contadores da Alegria foi o nome escolhido pela escola para desenvolver o projeto Bom Despacho, Bom Delê - lançado em 2013 pela Secretaria Municipal de Educação.

A cada ano, a sua adesão aumenta. Quase quatro mil crianças e adolescentes já participaram de inúmeras atividades de incentivo à leitura nas escolas municipais de nossa cidade. Estimulado pela diretora e com a dedicação de toda a equipe da Escola Dona Duca, ele está sendo realizado durante todo o ano de 2017 em 23 turmas, totalizando 500 alunos envolvidos.

Sabe o que mais chamou a minha atenção? O fato de que os Contadores da Alegria vêm espalhando estórias também fora da escola. Já estiveram nos PSF’s, no CRAS São Vicente e no Centro de Atenção Multiprofissional, todos situados na região do Campo da Aviação, onde a escola está situada. Além do Asilo São José situado na Vila Gontijo. Cada dia num local, uma turma e uma história diferente. Diversidade e amplitude são símbolos da educação e da literatura e, pelo visto em nossa cidade, estão cada vez mais perto e em diálogo com a comunidade.

A oportunidade de conhecer a realidade social e cultural com a qual a criança interage proporciona a cada uma delas, além de experiências ricas e diversificadas não apenas educativas, mas também experiências de cidadania. Conhecer os PSF’s, o Centro de Atenção Multiprofissional, o CRAS São Vicente, dentre outras instituições na região em que moram, é também permitir a elas vivenciar a sua realidade local e aprender um pouco mais sobre o acesso à saúde e outras necessidades que a vida social exige. Mas, acima de tudo, este tipo de experiência faz aumentar os laços e o pertencimento social tão importantes para que o processo educacional atinja o seu objetivo, que é educar para transformar a realidade. Trabalhos como este semeiam o conhecimento no campo fértil da educação para além de seus muros e quadros. E isso é espetacular!

Ao conversar com Selma, Lúcia, Glória, Paré e Paulinho, que são participantes do grupo Semeando no Campo e moram na região, pude perceber a alegria e o encantamento de verem ou reconhecerem um sobrinho, um vizinho, um conhecido participando de uma ação educativa fora da escola. Pude sentir também a afetividade como um canal para o fortalecimento da integração da escola com o território no qual ela está inserida. Ao relembrar a emoção de um pai ao dar o seu depoimento sobre a importância deste tipo de atividade na vida de seu filho hoje e no futuro, bem como o valor dele estar ali vibrando junto com o filho, fiquei me perguntando: se a família e a comunidade se engajassem no projeto educativo da escola, não estaria aí a chave do desenvolvimento integral também daqueles que vivem no entorno da escola? E com isso, todos conviveriam diariamente com os valores democráticos e com a cidadania tão importantes para a vida humana?

O projeto Bom Delê é uma iniciativa valorosa porque incentiva o hábito de leitura numa fase em que os hábitos das crianças estão em formação. Portanto, a leitura pode tornar-se permanente e presente na vida delas daí em diante. Isto me encanta e me faz ter esperança de que nossas escolas possam formar cidadãos que tenham acesso a conhecimentos que engrandeçam e melhorem a realidade em que vivem. A leitura estimula a criatividade e o sonho das crianças, bases essenciais para que façam escolhas conscientes quando forem jovens ou adultos. E isto não é pouco! É essencial: para o indivíduo, a cidade e o país. Mais do que nunca a frase do escritor Monteiro Lobato - “um país se faz com homens e livros” - está tão clara para mim! Educar com alegria e de forma prazerosa pode ser o antídoto necessário ao combate à tristeza e ao silêncio que tomou conta dos brasileiros após os sucessivos golpes que o atual governo e o Congresso Nacional, bem como outras instituições vem dando contra o povo brasileiro. O projeto Bom Delê - ao permitir que a criança tenha contato com o livro, e a partir de sua leitura, prepare-se para apresentar o que aprendeu para outras pessoas dentro ou fora da escola - trabalha o que há de mais primoroso que uma criança deve experimentar. O direito de participar da construção de seu conhecimento e, portanto, das narrativas que construirá cada vez mais, enquanto aprende. Reconhecer as linguagens, os saberes e a expressão das crianças e dar a elas espaço para que possam manifestar e criar a sua obra autoral é um desafio a que todo professor e educador não deve recuar. Autoridade não pode ser sinônimo de silenciamento ou submissão. Autoridade, também se origina de Augere, que no latim significa, “aumentar, fazer crescer.” E todos crescemos quando compartilhamos. Isto não é pouco! É essencial para o indíviduo, a cidade e o país.

Este texto é minha homenagem aos professores e às crianças que nasceram ou vivem em Bom Despacho. Também para o meu pai que foi professor de matemática no Colégio Tiradentes.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora



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