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Bom Despacho (MG), 23 de janeiro de 2018

A Primavera da Educação: educar para transformar

Escola em movimento: tema foi a escassez de água em BD
Publicado em 27/09/2017 14:48:53

DENISE COIMBRA - A despeito da grave crise política e econômica em que vivemos e da lastimável escassez da água em nossa cidade, quando você estiver lendo este texto a Primavera terá chegado. E, com ela, as lindas flores coloridas embelezarão os jardins das nossas casas e da cidade. Bouganvilleas, girassóis, lírios, rosas, orquídeas, gérberas e violetas irradiarão novos tons também à nossa vida. Prova disso, leitor?

Eu antevi, ao calendário, no quintal da minha casa. Eu a festejei na roseira repleta de rosas brancas, no pé de maracujá com os derradeiros frutos e com o nascimento de três filhotes de sabiá. Nostálgica e bela a lembrança dos ensinamentos do meu pai!

A “estação das flores” em vários idiomas tem o mesmo significado: novo, tempo, origem, emergir, começar. Representa também as ideias de renascimento, rejuvenescimento e renovação. Haja visto manifestações e protestos populares ocorridos no mundo terem sido chamadas Primavera dos povos, de Praga, Marcelista e, mais recentemente, a Primavera Árabe. Todas, independente dos resultados e controvérsias, traziam os anseios de que um novo ciclo de vida pudesse advir.

Influenciada pela Semana Escola em Movimento o tema da aula de Desenvolvimento Comunitário que ministro? A escassez da água em Bom Despacho e no mundo.

O prefeito Fernando Cabral esteve conosco. Pudemos conversar sobre as medidas emergenciais, sobre o papel do poder público e do cidadão de Bom Despacho diante de uma realidade tão cruel, principalmente para os que residem nos bairros mais altos da cidade. Sobre a Copasa? Soubemos que não fez o dever de casa. Um atraso de 40 anos... Imperdoável tamanha negligência com o povo de nossa cidade!

Ao preparar a aula, assisti os documentários Um Mundo Com Sede e A Lei da Água (trata do novo código florestal). Por intermédio deles, conheci a dimensão do desafio de dar fim à ilusão de que a água é um recurso inesgotável. Não é. E está acabando. É imperativo repensarmos a nossa relação com a água. Uma amiga, a quem fui levar algumas garrafas de água para que ela pudesse beber e fazer a comida, disse-me aos prantos: “só agora entendi o que significa a frase água é vida.” Tem sido um inferno a nossa vida sem ela.” Mostrou-me também a foto de uma pessoa lavando uma calçada com a mangueira. Revoltada, afirmou que estava circulando no Whatsapp e disparou: “se eu soubesse onde ela mora, pediria a ela para trocarmos de casa, só por um dia...”

Embora reconhecendo a realidade do enorme desperdício ainda vigente em nossa cidade, destaco o esforço e a solidariedade de muitos bom-despachenses que tem ajudado aos que não têm tido água para fazer as coisas básicas da vida.

Sobre o básico da vida? Mais uma vez instigada pela Sayonara, às voltas com o seu interesse e questionamento sobre o papel da educação, assisti a dois outros documentários: Escolarizando o mundo – O Último Fardo do Homem Branco e Quando Sinto Que Já Sei. Imperdíveis!

O primeiro deles deixou-me com inúmeras indagações sobre o papel da educação institucional na vida humana. A quais interesses ela serve? E o embate ideológico a que ela pretende? Consegue ela, efetivamente, “ajudar as crianças a escapar para uma vida melhor?” Educa para o cotidiano? Busca entender a realidade e valorizar o conhecimento, as tradições do local onde vivemos? Educa para a sustentabilidade?

O segundo, realizado no Brasil, traz experiências de diretores, professores e alunos que decidiram derrubar os muros das escolas e partiram para o contato com a comunidade. “Ousaram educar com mais liberdade e alegria. Demonstraram que é preciso ter coragem e dedicação, apesar das enormes adversidades. A começar, por enfrentar aquelas que carregamos dentro de nós, há tantos e tantos anos... Mediante tantos conteúdos estimulantes, recorri a minha irmã mais velha. Ela teve uma carreira linda e gratificante durante vinte e cinco anos no mundo da educação. Formou-se professora e foi aluna de D. Auxiliadora no magistério realizado em Bom Despacho. Aposentou-se, exercendo o cargo de diretora numa escola estadual com mais de três mil alunos. Sabiamente refletiu: “É preciso aumentar o diálogo entre professores e alunos, entre a escola e a comunidade. É impossível educar um aluno do Século XXI com um professor do século XX numa Escola do século XIX,” finaliza. Que venha a primavera da educação! E, com ela, as flores belas e coloridas da transformação!

Denise Coimbra é psicóloga e escritora



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