iBOM | Personalidades dos tempos idos que marcaram a história



140x140
Bom Despacho (MG), 22 de setembro de 2017

Personalidades dos tempos idos que marcaram a história

O Maestro Coimbra: músico excepcional
Publicado em 30/08/2017 14:06:55

TADEU ARAÚJO – Maestro Coimbra - José Coimbra Milagre ou Juquinha Coimbra, o nosso maestro genial, foi maestro da Banda do 7º Batalhão. Já muito jovem carregava a fama de ser músico excepcional, acima dos padrões normais. Tocava qualquer instrumento, fosse de sopro ou de cordas, com destaque para clarineta, saxofone, requinta ou violão. Nasceu em Santo Antônio do Monte, em 1908. Faleceu em hospital de Belo Horizonte em 08/04/1965, com apenas 57 anos, sob suspeita de erro médico. Sem nenhum favor, um dos maiores, senão o maior de todos os músicos desta região.

Padre Augusto Ferreira de Andrade - Vigário de Bom Despacho e líder da construção da Igreja Matriz de Nª Srª do Bom Despacho. Nasceu em Morada Nova-MG em 31/08/1891. Faleceu dia 15 de setembro de 1970, no Hospital do Carmo, no Rio de Janeiro. Sobre ele, assim se expressou o então vereador Tarcísio Ferreira Leite, em cerimônia na Câmara Municipal: “Ó grande Padre Augusto! Teu corpo desceu ao seio da terra, mas tua memória permanecerá, enquanto estiver de pé a monumental igreja construída com a força de tua vontade e de tua fé.”

Nicomedes Teixeira Campos - Nasceu em Bom Despacho, em 15 de setembro de 1915. Aqui faleceu em 19 de fevereiro de 1987. Jornalista e professor. Colaborador de diversos jornais, diretor por longos anos do semanário “O Bom Despacho”. Sob o pseudônimo de Hene Kam, escreveu belíssimas crônicas subordinadas ao título “Fragmentos de Ternura.”

Vigário Nicolau- Padre Nicolau Ângelo Del Duca nasceu em Poderia, província de Salerno, Itália, em 4 de outubro de 1840. Ordenou-se sacerdote em Roma, em 1863, vindo logo para o Brasil. Em 24 de dezembro de 1875, através de carta imperial de Dom Pedro II, naturalizou-se brasileiro. Chegou a Bom Despacho em 1880, como vigário do povoado e depois da cidade de 1881 a 1927, quando faleceu.

Foi um dos maiores articuladores da criação do município e da cidade de Bom Despacho e vereador da primeira Câmara Municipal. Dr. Nicolau Teixeira, seu grande amigo e contemporâneo, o considerava como um dos mais importantes vultos da história de Bom Despacho de todos os tempos.

Padre João Heffels- Nasceu na Alemanha, dia 22 de agosto de 1906. Em sua terra, ele teve namoradas, frequentou festas e bailes, antes de entrar para o seminário e vir para Manhumirim, no Brasil, na congregação dos Sacramentinos do padre Júlio Maria, em 1936.

Foi coadjutor e vigário de Bom Despacho, terra que ele amava e onde viveu boa parte da sua vida. Era muito popular e querido pelo povo por sua personalidade simples e cativante.

Faleceu em 14 de julho de 1966. Em 16 de outubro de 1980, 14 anos após sua morte, a Câmara Municipal deu, merecidamente, seu nome à praça do Cemitério, erigindo-lhe ali um busto seu em bronze. No Engenho do Ribeiro, onde era também muito querido, batizaram uma rua com seu nome.

Tipos Populares de Ontem

João Sapato - Andava pelas ruas com uma sacola de mendigo cheia de objetos sem valor: molambos, quinquilharias de metal, pedaços de espelho, botões e calcinhas de mulheres que ela roubava nos varais das casas onde ia rachar lenha, em troco de um prato de bóia ou de uns trocados. Era autista. Não estabelecia contato com ninguém. Não tomava banho. Usava a mesma roupa suja e surrada. Falava poucas palavras em frases repetidas: - Rachá lenha! Comunguei hoje no Batalhão! Abraçá muié é bão...

Mas não perguntava nem respondia a nenhuma pergunta das pessoas.

Lá pelos anos 60, as autoridades resolveram retirar esses tipos populares das ruas da cidade, alegando que alguns deles estavam incomodando, tornando-se inconvenientes. Um grupo foi levado, de trem de ferro, à força, pela polícia para o Hospício em Barbacena. Ali, em pouco tempo todos morreram vítimas da saudade, do banzo, dos maus tratos. Alguns contavam à surdina que naquela instituição para loucos costumavam eliminá-los com “o chá da meia noite”.

Futrica - Dos tipos populares femininos, Futrica era a mais conhecida da cidade. Trajava vestidos longos de seda, de veludo e outros tecidos caros, inteiramente desusados, que mofavam em guarda-roupas de senhoras que se vestiam somente de acordo com a moda. Assim Futrica se julgava chique e elegante. Loira, espigada, belos cabelos, fazia–se de graciosa e sensual. Gostava de freqüentar a rua da Garça.

Numa tarde de sol, de céu límpido e azul, ali pelas 3h da tarde, Futrica, correndo atrás de um menino que a azucrinava, morreu atropelada por um carrinho na Praça da Estação.

A morte de Futrica tirou das ruas uma figura caricata, ainda lembrada até hoje. Naquele dia ela se libertou de sua miséria humana que servia de divertimento insano a outras pessoas.

As fontes para elaboração desse artigo foram o “Jornal Realidade” / 1987 / Revista do Cinquentenário (1962), "O Bom Despacho" / 1977 e livros de Frei Pio, Mário Morais e de meus arquivos e memórias pessoais.

Tadeu Araújo é professor, escritor e fundador da ABDL



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal de Negócios.