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Bom Despacho (MG), 25 de novembro de 2017

Engenho, pátria dos Rodrigues Costa, reino dos Guilhermino

Quatro representantes dos Guilherminos
Publicado em 17/08/2017 19:24:20

TADEU ARAÚJO - Dedico esse artigo ao amigo, escritor e colega da ABDL, Geraldo Rodrigues da Costa.

O Engenho do Ribeiro entra no mapa da história de Bom Despacho já nos primórdios do século XIX. Imaginemos o Engenho como um reino, como aqueles de antigamente. Vem uma família, uma dinastia e funda o reino, sobre o qual ela governará por muitos séculos.

A linhagem dos Rodrigues Costa

Sigam comigo, caros leitores, esta nobre linhagem que reina até hoje e forma, com outras famílias, as lideranças mais positivas dessa localidade, desde 1800 e pouco.

Tudo começa com Félix Rodrigues Chaves, proprietário de sesmarias na região do Picão. A filha dele casou-se com Manuel Ribeiro da Silva, fundador não só do Engenho, mas também de Bom Despacho, cuja povoação iniciou-se por volta de 1775. De Manuel Ribeiro nasceu, entre outros filhos, Joaquim Ribeiro da Silva. Suas gerações desde então mantiveram a tradição de ter um descendente com o nome de Guilhermino na família.

A linhagem dos Guilherminos

Desse Joaquim nasceu o primeiro Guilhermino, o neto de Manuel Ribeiro, Guilhermino Rodrigues Costa I. Ele (segundo o historiador Orlando Ferreira de Freitas) nasceu em 1832. Guilhermino I, afirma Orlando, casou-se em primeiras núpcias com Balbina Antônia da Silva de quem teve 8 filhos. Num segundo casamento teve como esposa Maria Lina Teodoro, com a qual teve mais 8 filhos.

Entre os filhos de Guilhermino I, nasceu um segundo Guilhermino Rodrigues da Costa II. Ele nasceu em 1888. Viveu mais de 90 anos e foi uma das maiores lideranças do Engenho pela sua sabedoria, tino político, religioso e social e como condutor parcimonioso da comunidade.

Guilhermino Rodrigues Costa II deixou uma enorme geração. Seus filhos como o Guilo, Elídio, Zé Rodrigues, Elias (Nêgo) e outros exerceram também uma liderança positiva na localidade, seguindo os exemplos do pai.

Desde então, na família, houve descendente batizado com esse nome de Guilhermino. Recapitulemos: Guilhermino I, nascido em 1832. O segundo, nasceu em 1888. O terceiro foi o Guilo, recentemente falecido. O quarto, nosso popular Guilito. Este batizou um de seus filhos, seguindo a linhagem, de Guilhermino Clóvis (V), renomado e atuante médico oncologista. E já temos o Guilhermino VI, Guilhermino Lucas Araújo, filho do Clóvis, neto do Guilito, bisneto do Guilo, trineto do Guilhermino Rodrigues da Costa II, tetraneto de Guilhermino Rodrigues Costa I, pentaneto de Joaquim Ribeiro da Silva, hexaneto de Manuel Ribeiro da Silva - o fundador do Engenho e de Bom Despacho - e heptaneto de Félix Rodrigues Chaves, dono de uma das primeiras sesmarias do Vale do Picão.

O cetro dos soberanos

Todo rei que se preza tem de usar uma coroa, um manto e um cetro, espécie de bengala ou bordão, símbolos de seu poder real.

Os Rodrigues Costa e os Guilherminos, como verdadeiros soberanos dessas terras do Vale do Picão, também preservam seu cetro real que passa de mão em mão. Há, porém, uma condição. Esse cetro real tem de ser herdado por um dos Rodrigues Gosta que tenha o nome tradicional da família. Um herdeiro, que perpetue a tradição, tem de se chamar Guilhermino.

Este cetro real é uma bengala de cerca de 90 centímetros, perfeitamente conservada. No seu cabo está gravada a data e o nome de quem a preparou: Guilhermino (I) Rodrigues Costa, 08/08/17. Portanto, neste ano foi muito comemorado seu centenário. De lá até cá, ela já passou pelas mãos de quatro Guilherminos. Hoje está de posse do Guilito. Na falta deste, a bengala vai para posse de seu filho Clóvis Guilhermino, que a passará, após seu falecimento, ao príncipe herdeiro Guilhermino Lucas Araújo.

Memórias do Guilito

Guilito, o Guilhermino IV, me passou de memória o nome de 12 dos filhos de seu bisavô (o Guilhermino I). Nomes que repasso para memória de milhares de seus descendentes de hoje.

Filhos de Guilermino I – Neto de Manuel Ribeiro

Genoveva do Altino Quirino; Balbina do Dico da Olaria; Chica do José Amélia; Luísa do Pedro Mendonça; Faustina do Juca da Emília; Custódia do Augusto Nazário; Flávio Guche, da Chica; José Ribeiro da Silva (Sinhô); José Teodoro, da Chica; Chico Guilo, casado com Severina, ele era sogro do Sintico Elias, morreu solteiro; Guilhermino Rodrigues Filho, esposo de Maria

Engenho do Ribeiro de Ontem
O Engenho passou a cidade antes de Bom Despacho

Segundo testemunhos e documentos históricos conhecidos do Padre Paulo, um dos maiores conhecedores das memórias de nossa terra, o Engenho do Ribeiro virou cidade por algum tempo, no século XIX, bem antes de Bom Despacho, por decreto do Imperador dom Pedro II. Naquele tempo as terras de nosso município e outros vizinhos a nós pertenciam a Pitangui. Dom Pedro II criou o município e a vila (cidade) do Engenho do Ribeiro, por volta de 1870 ou mais tarde um pouco.

Bom Despacho de Hoje
Fidelidade de um Guilhermino de hoje

Lucas Guilhermino, que depois do avô e do pai, será o herdeiro da bengala histórica, afirmou que, quando se casar, terá um filho que se chamará Guilhermino. Se tiver só filha mulher, uma delas se chamará Guilhermina. Mas, Lucas, se não tiver filhos, adotará um menino que batizará com o nome de Guilhermino. Ele terá então direito de posse sobre a bengala de 1917, que teve origem em seu trisavô. Assim a linha sucessória de sua família não sofrerá interrupção, perpetuando-se séculos e milênios afora.

Tadeu Araújo é professor, escritor e fundador da ABDL



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