iBOM | Pequena crônica do cotidiano feita numa praça da cidade



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Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

Pequena crônica do cotidiano feita numa praça da cidade

Foto: Google
Publicado em 11/02/2015 23:16:45

DENISE COIMBRA - Leio. Sentada no banco da praça, meus olhos passeiam pelo entorno e encontram um homem que fuma e olha a bicicleta que descansa o pedal na ponta do passeio. Com ele uma garrafa de cerveja para beber a vida solitária e triste mais tarde e em casa.

Um cachorro modorrento e outro lépido, habitantes comuns do lugar, se aproximam e se afastam de mim e do homem tranquilamente. Em seguida, um deles corre e se esbalda na areia. Como um pêndulo, a minha infância no balanço do tempo.

De lá e de cá duas moças cortam o caminho pela praça. Nas mãos, as marcas da vida embrulhadas em sacolas de supermercado. Uma delas pára, sorri e seus olhos atentos, leem as muitas histórias que a vida narrou em mim.

O menino de bicicleta serpenteia, rodopia e me encanta com seu jeito instigante e radiante numa espécie de galanteio mirim.

Duas mulheres, à porta da casa, cochicham, especulam sobre a leitora inédita sentada na praça entre montes de entulhos e lixo esparramados pelos quatro cantos e os poucos canteiros. Cismadas, entram e trancam o portão: não querem mais saber dos poemas sujos, versos toscos e textos ímpios que a comunidade deposita todos os dias na porta da casa delas.

Dentro de mim, as vozes de muitos que sentaram ali, ecoam vibrantes e vicejantes, desafiando o tempo numa espécie de teima juvenil.

Quase colado à praça vejo o cemitério e relembro: meus avós, meu pai e meu tio estão ali. Entre rosas, vasos, velas e orações deposito o meu silêncio e a minha saudade, numa espécie de aceitação tardia da morte.

Neste momento, o telefone toca: hora de buscar minha filha. Fecho o livro. Pego a chave do carro e o celular. Caminho até o carro e começo a escrever uma pequena crônica sobre o cotidiano.

Essa crônica foi escrita numa praça de Bom Despacho. Embora não seja a minha predileta, gosto muito dela. Uma dica óbvia demais: Ela traz em seu nome o movimento mais importante e inspirador para nós, mineiros: a Inconfidência!

Inspirada pelos ares de liberdade, contemplação e bate-papo que as praças nos suscitam, escreverei minhas impressões para o próximo texto caminhando e proseando pela Praça Irmã Albuquerque.

Nosso encontro já está marcado. Aqui ou lá.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora em Bom Despacho.



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