iBOM | Centenário de nascimento de Ana Lobato (Dª Nica)



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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Centenário de nascimento de Ana Lobato (Dª Nica)

Dona Nica e Célio Lobato
Publicado em 25/06/2017 12:42:07

TADEU ARAÚJO - Na cidade de Luz, em 26 de junho de 1917, nasceu a menina Ana Costa, filha de José Lino e de Dona Maria Rita. Filha de uma numerosa irmandade, estudou em Moema e usufruiu de todas as benesses de uma vida interiorana e rural.

Na adolescência, foi para a cidade de Itapecerica onde, em regime de internato, completou os seus estudos no Colégio Imaculada Conceição de Maria. Ela tinha a certeza desse privilégio e se sentia premiada. Naquela época, uma mulher se formar era uma dádiva.

Formou-se para normalista e minha avó promoveu uma festança. Foi nesta festa que ela foi apresentada ao meu pai Célio Xavier Lobato, que, encantado, reconheceu ser ela o seu amor maior.

Casaram-se em Moema em maio de 1940 e ela passou a se chamar Ana Costa Lobato. Foram morar em Belo Horizonte onde, em 1942 nasceu o primeiro filho Aécio (Patota). Escolheram formar uma família em Bom Despacho, onde nasceram Aelcio (Preto), Aelson (Zuca), Aelton (Bocão), Ana Maria (Bilula), Aeler (Baé - in memoriam), Ângela, Alda, Aliana, Ada e Aida.

Competente e dedicada, dona Nica tinha um orgulho enorme em poder alfabetizar crianças, adolescentes e adultos. Pelas ruas de Bom Despacho, em sua companhia, sua filha Ângela diz que presenciou, por várias vezes, as manifestações de carinho de seus ex-alunos.

Dona Nica, mestra das mestras. Empenhada em fazer e dar o seu melhor em todas as suas funções: de mulher, de esposa, de mãe e de profissional. Todos os seus 11 filhos foram cuidados com muita dedicação mesmo com tantas tarefas a serem cumpridas.

Era uma dedicada e competente costureira. Adorava pegar a sua máquina de costura e fazia milagres com linhas e tecidos. Quando suas filhas saíam vestidas com as suas preciosidades, as pessoas se aproximavam para apreciarem os seus modelos.

Admirava o belo e transmitiu o seu gosto apurado em tudo o que fazia.

Super-humanitária e sempre imbuída da virtude cristã da caridade, todo sábado, uma romaria de pedintes eram atendidos por ela com palavras de conforto, com gestos generosos e com mimos na porta de nossa casa.

Bom Despacho a reconheceu como "Cidadã Honorária Bondespachense”. No Grupo Escolar Coronel Praxedes ela ocupou cargo de professora, auxiliar de gabinete e diretora. Era comum preparar seus filhos para participarem do Congado, no Corte do Dunga. Nesta época ela os vestia com alegria e cuidado para que pudessem acompanhar as festanças do Reinado de Nossa Senhora do Rosário.

Muito devota da Mãe de Deus, no mês de maio nos vestia de anjos para coroarmos Nossa Senhora na Igreja Matriz.

Todos fomos catequisados e o Preto, o Zuca e o Bocão estudaram em regime de internato no pré-seminário dos padres. Como ela torceu para ter um sacerdote na família!

Esta era Dona Nica do Célio Lobato, mãe de numerosa família, professora, educadora, guerreira, acolhedora, cúmplice e acima de tudo, uma mulher de verdade, com letras maiúsculas.

Os filhos foram se casando, os netos chegando, acolhidos com amor e com afeto. Deus deu a dona Nica o privilégio de conhecer não só muitos netos, mas também alguns bisnetos, antes de partir para o reino do Pai, junto de Deus.

Ana Costa Lobato, dona Nica, mulher, educadora, esposa e mãe que enobreceu com sua existência a comunidade de Bom Despacho, soube a que veio neste mundo e, em 26 de junho de 2017, completaria 100 anos.

Coube à sua filha Ângela, à qual agradeço, através de seu talento literário, me ajudar na elaboração deste texto comemorativo do centenário do nascimento de sua mãe. Ângela terminou sua entrevista comigo afirmando emocionada: “Ao falar sobre ela nesta homenagem do Jornal de Negócios, é com muito amor e orgulho que me vejo sabedora do dever cumprido.”

Tadeu Araújo é professor e escritor



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