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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Feira Interativa mostrou trabalhos dos estudantes

Este colunista na Feira Interativa com as professoras Maria Aparecida, Quênia e alunos
Publicado em 23/06/2017 18:08:05

TADEU ARAÚJO - Pude acompanhar de perto e participar com interesse e satisfação do belo trabalho da Feira Interativa do Colégio Novo Ser, na semana passada, junto com sua direção, professores e alunos. Nesse tempo fui colaborador de parte dessa feira, através de entrevistas para a professora Maria Aparecida Sousa Costa que, junto com a professora Quênia e seus alunos, no currículo de Geografia, criaram e apresentaram o tema “O rio da nascente à foz”. Esse tema bastante estudado e explorado resultou em riquíssimas informações sobre nossos cursos d’água, muito bem expostas na feira para as centenas de visitantes que lá estiveram..

Diálogo com Sandra Correia

Em diálogo com a diretora do Novo Ser, professora Sandra Correia, ela me esclareceu que a feira do colégio foi uma nova proposta de exposição e apresentação de projetos realizados pelas professoras para promover aprendizagens mais significativas através do "saber fazer." “Por isso convidamos as famílias para interagirem com os alunos através de brincadeiras, jogos e experiências sensoriais e conceituais”, diz Sandra.

As exposições foram realizadas com trabalhos dos alunos nas aulas de Geografia, Matemática, Literatura, Ciências, Artes, Música e Inglês.

Histórico do uso da água em Bom Despacho
(Entrevista deste colunista à professora Maria Aparecida Sousa Costa)

Início do povoado
O povoado de Bom Despacho teve início por volta de 1775, na atual Cruz do Monte, com a construção de uma capelinha coberta de capim, dedicada a Nossa Senhora do Bom Despacho e de casas de pau-a-pique para soldados e combatentes que aqui chegaram para expulsar os negros escravos fugidos das minas de ouro de Pitangui e que aqui haviam construído suas moradias.

Os negros foram combatidos, presos ou mortos a mando do Governador de Minas Gerais e do Rei de Portugal, que queriam doar terras aos colonizadores brancos para a construção de fazendas de criação de gado e plantações agrícolas.

Consumo d’água
Essa população, que era pouco mais de cem pessoas, buscava água para seu consumo doméstico e para os animais, em vasilhas, nos lombos de burros e de cavalos no Ribeirão dos Germanos ou no Ribeirão dos Machados. O Germanos é o mesmo que corre abaixo do CAIC, na estrada de saída para a Passagem. O Machados é o mesmo que hoje corta a avenida Dr. Roberto. Ali havia uma ponte, onde está hoje uma rotatória, na Rua do Rosário, que foi ponto tradicional de centenas de lavadeiras por mais de um século, até a época de 1960.

Histórica Biquinha
O povoado, a partir da Cruz do Monte, foi crescendo, com uma rua até a Praça da Matriz, atual, e que se chamava Rua de Cima. Na praça formou-se outra rua, a Rua do Meio e outra onde fica agora Rua Dr. Miguel, que era a Rua de Baixo. Os moradores passaram a usar a Biquinha, aonde lavavam roupa e buscavam água em potes e latas, que carregavam na cabeça sobre uma rodilha de pano, a fim de beberem, cozinharem e fazerem a higiene da casa e até mesmo para aguarem hortas e jardins. Por aqui não se conhecia o sistema de furar cisterna, que só foi introduzido por volta de 1913, no Engenho do Ribeiro, durante uma forte estiagem, na qual os cursos d’água e até o Rio Picão secaram.

Água para as máquinas
Alguns ribeirões do povoado, bem como os das fazendas, forneciam também água para tocar as primeiras “máquinas” rústicas daqueles tempos: o monjolo, o moinho, as rodas d’água, que moíam o milho para fazer o fubá, socavam o arroz e o café e, no caso da roda, essa conduzia o precioso líquido para lugares mais inacessíveis.

A caixa d’água
No início do século XX (1901/2000), surgiu a grande novidade: foi construída a caixa d’água, usada ainda hoje pela Copasa, no mesmo lugar em que foi construída, no início da Rua Cruz do Monte. A água era bombeada do Ribeirão dos Machados até o alto da Cruz do Monte e conduzida em canos para chafarizes na Praça Santa Rita (terreno em que foi construído o Colégio Millenium). Outro na Praça da Matriz. Mais um na praça, mais tarde denominada Altino Teodoro (Praça da Panolli) e outro, na Rua Marechal Floriano, perto da estação ferroviária. As pessoas já não precisavam ir tão longe para buscar água. Podiam colhê-la gratuitamente nos chafarizes.

A água e a energia elétrica
Em 1924, um grupo de empresários com apoio da Prefeitura construiu uma hidrelétrica, na cachoeira João de Deus no Rio Lambari e criou a Companhia Força e Luz, que passou a fornecer energia para a cidade. Essa energia tocava máquinas e a grande novidade: iluminava com as lâmpadas elétricas as casas e ruas de Bom Despacho. Isso foi um dos mais importantes acontecimentos de nossa história.

Nos meados da década de 1930, a Companhia Força e Luz foi vendida para particulares com o objetivo de tocar a primeira grande indústria que Bom Despacho conheceu, a Fábrica de Tecidos. O excedente de energia era vendido para as prefeituras de Bom Despacho, Moema e Dores do Indaiá até cerca de 1960.

A água e lazer
Um dos mais usados meios de lazer é a natação. Nos seus princípios, Bom Despacho não tinha nem uma piscina sequer. Mas os meninos e os jovens usavam os córregos da parte urbana e rural, aonde nadavam e se divertiam nos córregos, lagoas e rios, mas as mulheres não podiam participar disso, só os homens. Eles entravam nos cursos d’água sem roupas de banho, completamente nus.

Outra brincadeira que a meninada curtia era, nos dias de chuva, sair às ruas e brincar nas enxurradas lamacentas, fazendo pequenas barragens onde se divertiam a valer, para desespero das mães, quando eles voltavam pra dentro de casa, todo molhados e sujos de barro.

O milagre da Copasa
Em 1975, a Copasa, Companhia de Saneamento em Minas Gerais, foi instalada em Bom Despacho. A água tratada passou a ser fornecida a todas as casas e estabelecimentos de Bom Despacho. Água com fartura que melhorou a qualidade de vida da população e fez crescer nossa indústria e o nosso comércio e modernizou nosso modo de viver para sempre.

Em Bom Despacho, a Copasa abastece cerca de 48 mil pessoas, o que significa 98% de seus habitantes. Para ter água suficiente para atender toda essa gente, a empresa tem que produzir diariamente 7,5 milhões de litros de água. Essa água é captada no Rio Capivari, e depois levada através de adutores até a Estação de Tratamento de Água (ETA), situada nas margens da BR 262.

(Colaboração e participação do engenheiro eletricista Alexandre Roberto Silva, gerente do Distrito Regional da Copasa de Bom Despacho. Direção das professoras Maria Aparecida e Quênia e de seus alunos.)

Tadeu Araújo é professor e escritor



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
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