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Bom Despacho (MG), 22 de setembro de 2017

Meio ambiente é feito também pelas ações de cada um de nós

Arvores cortadas na avenida Padre Augusto
Publicado em 15/06/2017 09:37:13

DENISE COIMBRA - Na segunda-feira, 5 de junho, Arnaldo, do Grupo de Voluntários, logo cedo e através do whatsapp, acorda em nós a lembrança de que aquele era o Dia Mundial do Meio Ambiente. Ao descer a Rua Dr. Miguel Gontijo vejo uma passeata com crianças e professores de escolas públicas numa manifestação clara sobre o cuidado e a atenção com o meio ambiente em que vivemos. Onde estão os alunos das escolas particulares? – Indaguei a mim mesma.

Na manhã seguinte, a caminho do consultório, encontrei com meus primos Sérgio e Indianara. Eles estavam indignados com uma poda de árvores em frente à casa deles, no canteiro central da Avenida Padre Augusto, bairro São José. A justificativa da poda? Disseram-me: - As folhas das árvores sujam as ruas. Fiquei estupefata.

Na quarta-feira, na esquina da minha casa - que é ponto de coleta de lixo - vejo um carrinho de mão, cheio de lixo. E eu? Repleta de perguntas: Aquele carrinho deveria estar ali? Quem o colocou? Se o ponto de coleta fosse em frente à casa dela, ela o colocaria lá? Esperei para ver se aparecia algum vizinho, mas ninguém surgiu. Fui trabalhar nesse dia muito contrariada. Matutava uma fórmula mágica para educar-nos em algo tão básico.

Naquele momento, eu sentia o que a Regina sente quando vê fraldas, absorventes, sacos de lixo estourados e outras sujeiras espalhadas na esquina da rua onde ela mora. O programa Meu Bairro mais Limpo, idealizado por ela, precisa ser implementado, urgente, no bairro Esplanada. À noite, no bairro São Vicente, a Malê, que é membro do Grupo de Voluntários passou pela Praça Irmã Maria. Lá estavam duas crianças com idade menor que dez anos, “cheias de si,” molhando as mudas recém plantadas. Ela não resistiu. Desceu do carro, abraçou-os e agradeceu a atitude delas. Primorosa, valorosa. Ali, naquele momento, nascia o futuro meio ambiente moldado por aqueles gestos infantis.

Na quinta-feira, antes do envio deste artigo, minha filha e eu fomos molhar nossas mudas na praça. Sentadas em meio fio porque a praça ainda não tem bancos, conversamos sobre as vivências do dia, os desafios atuais e os planos futuros. “Tava bom demais!” De repente, nossa conversa foi interrompida pela Minerva, uma corujinha que eu já conhecia porque visita, de vez em quando, o nosso quintal. Utópica, dirigi minhas indagações a ela:

Se ao invés de pedir a poda das árvores, os moradores tivessem conversado sobre varrerem as folhas. Depois, essas folhas poderiam ser usadas para adubar a terra de uma praça que, tenho certeza, deve existir naquele bairro? Como querem viver naquela rua? Poderiam conhecer-se um pouco mais, enquanto amarrassem bandeirinhas de uma festa junina que eles poderiam organizar. Fortaleceriam a solidariedade e a amizade, tênues laços em tempos tão sombrios, aumentando a potência do viver comum?

Sabe Minerva, enquanto nos recolhemos, após um dia extenuante de trabalho, você inicia o seu. Tão pequena e consegue enxergar à noite. Sem medo vai à caça. E nós? Intranqüilos. Nem saímos à porta. O seu pescoço gira 360 graus e com isso consegue, ao contrário de nós, enxergar o todo. Ter uma visão ampla do território em que vive. E nós? Nem sabemos que o Meio Ambiente é também o que fazemos uns aos outros!

Junho é Outono. Estação conhecida pela beleza do céu, das cores das folhas nas árvores ou caídas no chão. Quando as folhas caem, é uma mudança necessária para que as árvores suportem o frio. Por isso também o ciclo de vida dela continua.

“Como pode um ser humano querer destruir as árvores por causa das folhas que caem no chão? Eu, sinceramente, não consigo entender. Conseguimos evitar o estrago total. Foram cortadas, de maneira irresponsável e arbitrária, apenas duas árvores. As demais continuam lá, lindas!”.

Este último parágrafo foi retirado do Facebook da Indianara.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora 



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