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Bom Despacho (MG), 25 de novembro de 2017

A PMMG ajudou a fundar a cidade de Bom Despacho

Imagem de Bom Despacho antiga
Publicado em 01/06/2017 23:03:48

TADEU ARAÚJO - Em 1º de junho de 2017, faz 250 anos, iniciou-se a povoação de Bom Despacho, antes envolta numa lenda registrada nos livros de tombos da paróquia. Registros esses coletados pelo Padre Nicolau Ângelo Del Duca junto a antigos moradores locais, cuja veracidade histórica se mostrou infundada.

Até hoje se fez muita confusão em torno desse fato histórico. Vou nesse artigo esclarecer, mais uma vez, em definitivo, a verdade dos acontecimentos. Para isso baseio-me numa entrevista com o nosso grande historiador Orlando Ferreira de Feitas. E mais ainda em pesquisas sérias, competentes e seguras feitas por ele e registradas em seu livro “Raízes de Bom Despacho”. Livro editado, a meu pedido, em 2006. Como também na obra de Dr. Laércio Rodrigues dos anos de 1960 sobre as origens de nossa cidade.

Início de tudo: Uma capelinha e um quartel da PMMG
Por volta de 1767, ou um pouco antes, uma grande tropa militar chegou dos rumos de Pitangui seguindo uma picada que seria mais tarde a histórica Rua da Tabatinga. Nome lendário do qual ela foi espoliada pelos legisladores da nossa Câmara Municipal de Vereadores.

Essa tropa era composta de soldados da Milícia (PMMG) de Pitangui, de combatentes civis e mercenários dos batalhões dos Capitães de Mato, de um sacerdote, de músicos, ferreiros, carpinteiros, cozinheiros, de físicos (médicos e dentistas).

Um pouco acima, a tropa torceu rumo à atual Cruz do Monte. Eles vinham para combater os quilombolas que haviam constituído seus quilombos na região dos Rios Pará, Lambari, Picão e São Francisco. Fugidos da judiação dos brancos, aqui eles se estabelecerem como seres humanos livres e independentes. Costumavam atacar ferrenhamente os colonos europeus que aqui penetrassem. Então as cortes de Lisboa e o governo da Capitania de Minas decretaram guerra sem tréguas aos escravos nesses rincões, com o fim de aqui estabelecerem a posse da terra para uso da agropecuária e criação de povoações.

Lideranças da fundação de Bom Despacho
Vou citar os nomes de alguns esquecidos vultos históricos que ajudaram na fundação do futuro arraial de Nossa Senhora do Bom Despacho do Picão: Padre Agostinho Pereira de Melo, capelão das tropas de combate aos quilombos, que recebeu do rei de Portugal extensas sesmarias e que aqui passou a viver até sua morte. Responsável direto pelo nome de nossa cidade.

João Gonçalves Paredes, capitão mor da Milícia de Pitangui (PMMG), ele ganhou uma sesmaria de 10.000 hectares que envolvia toda a atual zona urbana de Bom Despacho até a Garça e o Bom Retiro. Não chegou a viver aqui, morreu logo depois das lutas e vitórias contra os quilombolas. Seus herdeiros venderam sua sesmaria para o Alferes Luís Ribeiro da Silva, que aqui se estabeleceu como grande proprietário rural e deixou muitos descendentes até os dias de hoje. Luís Ribeiro tornou-se uma respeitada personalidade da povoação. Ele foi o doador do patrimônio (cerca de 30 hectares de terra) para a Capela se tornar pública e servir a toda a população e não só a seus fundadores.

Luís Ribeiro foi nomeado o fabricador da Capela de Nª Srª do Bom Despacho, isto é, aquele que cuidava do fabrico das velas, das hóstias e do vinho para cerimônias religiosas e do zelo do pequeno templo.

Francisco Ferreira Fontes, capitão do mato, que obteve sesmaria nas divisas com Santo Antônio do Monte.

Domingos Luís de Oliveira, que tornou-se proprietário da sesmaria junto à Cruz Quebrada até o atual município de Araújos. Foi o fundador e presidente da Irmandade de Nª Srª do Rosário dos Pretos. Figura tão proeminente de nossos primeiros tempos que, a pedido registrado em seu testamento de 1806, quando faleceu, em 1808, foi enterrado debaixo do estrado da imagem de São Sebastião da capela.

Manoel Ribeiro da Silva, proprietário de vastas terras, uma liderança de respeito, peso e medida na sociedade de então e fundador do Engenho do Ribeiro.

Bom Despacho ignora seu passado
Entre estes vultos de nossa história que citei aqui, personagens de elevada importância das origens de nossa terra, nenhum mereceu de nossos legisladores a honra de que se fazem merecedores. Aliás só um: o Padre Vilaça. Por ironia aquele que na verdade nunca existiu.

Nenhuma instituição, nem nossas escolas municipais e seus professores nem a maioria absoluta de nossos intelectuais dão notícia deles. Nenhuma placa, nenhuma referência ou lembrança. Nenhuma viela, ou rua, ou praça, ou nome de estabelecimentos públicos foram batizados com o nome de nenhum dos nossos ilustres fundadores.

Nossas sucessivas Câmaras Municipais de Vereadores, por desconhecimento histórico, jamais, em 100 anos, procurou conhecê-los e reconhecê-los como “pais da pátria”. Da pária bom-despachense que esses antepassados ajudaram a fundar e construir nos seus primeiros dias e anos de vida. Com acertos e erros. Com fé dignidade, amor e trabalho.

Isso, eu creio, ainda pode ser corrigido, se houver interesse e civismo por parte de nosso poder público municipal. De minha parte e da parte do pesquisador e historiador Orlando Ferreira de Freitas estamos dispostos a passar-lhes as informações necessárias sobre os verdadeiros fundadores de Bom Despacho. Esquecidos. Ignorados nos baús do desinteresse cívico geral deste município que amamos.

Registro
Mais uma vez, esta coluna e o Jornal de Negócio se orgulham, depois de 250 anos, de registrar em primeira mão esse fato que embora implícito nunca fora antes exaltado: a Polícia Militar de Minas Gerais, através da Milícia de Pitangui que, aproximadamente em 1767, participou das primeiras construções e da fundação de Bom Despacho. Isto pela autoridade de sua presença e a presença marcante de dois de seus componentes: o Capitão Mor João Gonçalves Paredes e o Alferes Luís Ribeiro da Silva, primeiros proprietários das terras que compõem hoje toda a zona urbana de Bom Despacho e suas adjacências.
(Grato a meu colaborador da crônica de hoje, o historiador Orlando Ferreira de Freitas, autor da obra “Raízes e Bom Despacho”)

Certidão de Nascimento de Bom Despacho
Nascimento: 1767, aproximadamente.
Nome: Arraial de Nª Srª do Bom Despacho do Picão
Local: Outeiro da Cruz do Monte
Maternidade: Igreja Católica, Polícia Militar de Minas Gerais, Organização Paramilitar dos Capitães de Mato
Primeiros passos: Construção de uma capela e de uma vila militar
Celebrante: Padre Agostinho Pereira de Melo
Padrinhos: Capitão Mor da PMMG João Gonçalves Paredes, Alferes (sargento) Luís Ribeiro da Silva da PMMG. Capitão do Mato Francisco Ferreira Fontes. Representantes da comunidade e líderes civis: Domingos Luís de Oliveira e Luís Ribeiro da Silva, mais tarde fundador do Engenho do Ribeiro.

Tadeu Araújo é escritor e professor em Bom Despacho



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
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