iBOM | Os primórdios de BD e os personagens da nossa história



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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Os primórdios de BD e os personagens da nossa história

Desenhos ilustrativos de Alferes Luís Ribeiro(esq), capela da Cruz do Monte em 1.665 e Padre Agostinho (dir)
Publicado em 31/05/2017 22:18:50

TADEU ARAÚJO - O primeiro personagem de nossa história relacionado às futuras terras de Bom Despacho foi Gervásio de Campos Bicudo, em 1715, citado nos documentos da Coroa Portuguesa e das crônicas de Pitangui. Esse descendente de bandeirantes famosos de São Paulo aqui veio parar nessa época e recebeu do governo lusitano e da Capitania de Minas Gerais uma sesmaria de 72.000 hectares de terras, que se iniciava no local conhecido como Deus-me-livre, pouco para lá do Engenho do Ribeiro e se estendia por muitas léguas até o Ribeirão dos Machados.

Batista Maciel: 72.000 hectares por 2 escravos

O cidadão Batista Maciel é o segundo nome relacionado a nosso território, pois ele adquiriu as posses de Gervásio de Campos Bicudo. Mas Batista Maciel ficou por aqui também por pouco tempo. Ele trocou seus 72.000 hectares de sesmaria por 2 escravos de Domingos Rodrigues Neves, o 3º nome de nossa cronologia.

Líderes da guerra aos quilombos

Vasto território junto ao Pará, ao Lambari, ao Picão e ao São Francisco, nos finais do Século XVIII, era ocupado por quilombos e aldeias de negros escravos fugidos.

Com a decadência das minas de ouro de Pitangui, o governo da Coroa Portuguesa, por seus representantes, ordenou a extinção desses focos de povoação africana, hostil aos brancos colonizadores. Era necessário agora ocupar esse território para produção agrícola e pecuária, gerando riquezas e impostos para os colonizadores e para a Real Coroa Portuguesa. Começou-se então uma guerra sem tréguas contra os escravos negros.

Combatentes

Em 1755, tropas da Milícia de Pitangui da centenária Polícia Militar de Minas Gerais, com tropas sob comando dos Capitães de Mato, formadas por aventureiros e pagas com bons soldos, começaram a atacar os quilombos da região. Invadiam as aldeias, travavam lutas ferrenhas contra a resistência dos cativos. Prendiam, matavam-nos, incendiavam suas povoações. Os prisioneiros, eles os levavam de volta para Pitangui e recebiam uma boa recompensa ao entregá-los aos seus antigos donos.

A guerra chega a “Bom Despacho”

No ano de 1767, depois de desbaratar os quilombos a partir do Rio Pará – campanha iniciada em 1755 – a guerra chegou aos territórios da futura povoação de Bom Despacho. Instalaram-se no outeiro da atual Cruz do Monte. Construções de pau-a-pique e capim foram levantadas da noite para o dia: moradia para os homens, cercados para cavalos, uma humilde capela de capim, onde foi entronizado o oráculo (protetora) da ermida, uma imagem de Nossa do Bom Despacho.Extirpados os quilombos de Gaya e da Ripa, dos Alves, do Retiro dos Agostinhos (Chapada e Moema) e outros, os líderes do movimento receberam como prêmio as sesmarias do Rei de Portugal e do governo da capitania de Minas.

Os fundadores de Bom Despacho

Os primeiros habitantes fixos do território bom-despachense, e, portanto nossos fundadores, foram os membros de três instituições que aqui vieram para combater os quilombos:

Um padre da Igreja Católica. Oficiais e praças da Polícia Militar de Minas Gerais. Os capitães-de-mato e seus combatentes.

Os primeiros bom-despachenses

Terminada as batalhas contra os quilombos, a ocupação do território se fez com os colonizadores brancos que aqui se fixaram em suas sesmarias: João Gonçalves Paredes – Capitão-Mor da Milícia de Pitangui. Francisco Ferreira Fontes – líder de um pelotão como Capitão do Mato. Domingos Luís de Oliveira – sua sesmaria partia de terras da cidade até a Cruz Quebrada (região da Copasa) estendendo-se até as fronteiras com o território de Araújos. Manuel Ribeiro da Silva – fundador do Engenho do Ribeiro. Padre Agostinho de Oliveira – sua gigantesca sesmaria ia do Rio São Francisco ao Lambari. Parte de seu território foi vendido a Félix Rodrigues Chaves, Francisco Martins da Silva Vilaça e Francisco Dias dos Santos, que deram nome às atuais fazendas do Ribeirão dos Santos e do povoado do Vilaça.

Alferes Luís Ribeiro da Silva

Um dos mais importantes vultos da nossa história recebeu uma sesmaria de 10.000 ha que se iniciava na Cruz do Monte e a Oeste se dirigia até a Garça. A Leste até o Bom Retiro – para os lados da Passagem. Ao Norte até o Vilaça. Ao Sul até onde se localiza a estação da Copasa. Em suas terras estava construída, desde 1767, a capela da Cruz do Monte. Considerada capela particular, usada pelos combatentes. Foi ele quem doou, em 1772, o terreno do patrimônio exigido por Portugal e pela Igreja para que a capela se tornasse pública, cerca de 20 ha, onde se construiriam depois a casa paroquial e a sede de associações assistenciais, sociais e eclesiásticas.

Este grande vulto e benfeitor de Bom Despacho aqui faleceu em 1797, deixando uma grande descendência, sendo que muitos representantes dela vivem ainda entre nós.

O primeiro Vigário

Até 1812 Bom Despacho era um curato de Pitangui – uma filial da Paróquia de Pitangui. O primeiro sacerdote que aqui atuou foi o Padre Agostinho que veio com os combatentes dos quilombolas.

A partir de 1812, depois da construção da velha Igreja Matriz, na mesma praça da atual, bom Despacho ganhou seu primeiro vigário: Padre Miguel Dias Maciel da família do mais ilustre político bom-despachense, o governador Olegário Dias Maciel.

Parabéns Bom Despacho 105 anos

Daí pra frente o arraial só fez crescer até se tornar nossa querida cidade de Bom Despacho, terra que saúdo com os belíssimos versos do poeta Roberto Teixeira Campos, nosso conterrâneo:

“Bom Despacho da Cruz do Monte/ Enquanto envelheço/ Veja, não me esqueço/ De te adorar/ Riachos de tristes lamentos/ Palmeiras ao vento/ Biquinha a correr/ Terra amada/ Meus muitos amores/ Cubra-me de flores/ Se me vir morrer.

Tadeu Araújo Teixeira é professor e escritor



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
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