iBOM | A praça dos meus sonhos na história da minha infância



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Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

A praça dos meus sonhos na história da minha infância

Grupo de Voluntários atuando na praça do Esplanada
Publicado em 19/05/2017 11:13:38

DENISE COIMBRA - Desde menina eu desejava uma praça no bairro onde moro. Os motivos?

A praça dos meus sonhos tinha árvores onde descansava à sombra a minha liberdade. Tinha bancos de cimento ou madeira para o chamego dos namorados.

Cabia nela uma orquestra, uma banda, uma gaita ou apenas um violão. Era repleta de música, o centro e o contorno dela. Havia roda de conversa sobre política, futebol e religião apesar do risco de que as discussões arranhassem a amizade, mas valia a pena porque a alma de ninguém, ali, naquela praça, era pequena.

Ouvia-se nela o choro e o silêncio por causa da perda ou morte de alguém a quem amávamos.

Havia nela também o tempo infinito da espera.

A ânsia do encontro daquela ou daquela que chegava à pé, de bicicleta, moto, carro ou ônibus porque toda praça, por vocação, é democrática. E era isso o que eu mais amava nela.

Durante muito tempo eu quis essa praça. E, todos os dias, eu abria o portão da minha casa, descia um pouco a rua e, ao virar a esquina eu dava de cara com ela. Minha mãe sorria do meu desatino, mas nunca me reprimia. Meu pai prometia tocar vários chorinhos no cavaquinho e uma valsa linda que meu avô compôs para minha avó. Às vezes eu o escuto ao longe, mas guardo para mim esse encanto.

O mais belo mirante para ver o sol nascer, mirar a Igreja de São Sebastião e contemplar a lua guardei em segredo praticamente a vida inteira. Só o revelei aos dois recentes e queridos amigos, Malê e Robson porque, tal e qual a mim carregam dentro de si a criança que ainda ousam ser.

No dia 7 de maio de 2017 a praça dos meus sonhos tornou-se realidade. Pessoas que vivem na minha cidade e no bairro onde moro vieram e plantaram árvores frutíferas e ornamentais. Em cada uma delas o nome de quem vai cuidar para que elas cresçam, deem frutos e em belezem a praça minha que tornou-se nossa. E você sabe por quê? Porque nossas praças são como os nossos sonhos. Só fazem sentido ou tornam-se realidade quando compartilhados!

Eu não poderia deixar de agradecer ao Grupo de Voluntários e aos moradores do bairro Esplanada. Entregaram-me a praça dos meus sonhos. Meu presente do Dia das Mães foi antecipado.

Denise Coimbra é psicóloga e escritora 



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