iBOM | Éder Deivid: jovem talento da cultura de Bom Despacho



140x140
Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Éder Deivid: jovem talento da cultura de Bom Despacho

Publicado em 02/05/2017 07:44:32

TADEU ARAÚJO - Tenho a satisfação de apresentar aos leitores e aos meios literários e intelectuais de Bom Despacho um nova e destacada liderança intelectual e social entre nós, o jovem professor, ensaísta e escritor Eder Deivid. Ele, muito jovem ainda, sendo meu aluno, estreitou comigo laços de convivência e amizade que perduram sadiamente. A nossa admiração um pelo outro é recíproca. Recentemente ele me prestou uma bela homenagem, que acolhi emocionado e com gratidão. A porta de entrada do seu curso, num interessante painel, com minha foto, ele a registrou como “Sala Professor Tadeu”. Das lembranças que tenho recebido como mestre – há 56 anos em atividade – essa ficará guardada sempre no meu coração.

Éder nasceu em Uberlância, em 1991. Graduado em Letras pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Pato Branco, é diretor e professor de Língua Portuguesa, Redação e Literatura, escritor, poeta, cronista de jornal, músico, compositor, além de ativista nas questões sociais e culturais.

Próximo de uma década atrás, ele foi meu aluno no Curso de Português, preparando-se para as provas do Enem, onde alcançou brilhante resultado e como conseqüência conquistou uma bolsa de estudos para cursar Letras no Paraná.

Mercê de sua capacidade e seriedade, sempre muito criativo e empreendedor, lá ele se destacou como um aluno de excelente rendimento escolar e participou de programas educacionais federais oferecidos Brasil afora.

Logo que se formou, voltou a Bom Despacho, aonde vem desenvolvendo projetos interessantes, com participação destacada na vida cultural da cidade como fundador e diretor do curso Tipura, professor de Português, articulista de jornal e em áreas diversas de nossas manifestações culturais.

O primeiro livro

Éder Deivid acaba de lançar seu primeiro livro, um ensaio crítico sobre o cantor brasileiro Belchior, a partir de duas canções proibidas pelo Regime Militar nos anos 70. O que chama atenção na sua obra é que o autor, apesar de sua juventude e em início de carreira, se mostra um cuidadoso pesquisador e analista não só de Belchior, que viveu os anos de censura da Ditadura Militar, mas sobretudo mostra sua lucidez analítica dos desmandos dos anos de chumbo no Brasil, denunciados pelo próprio Belchior.

Ponderações do escritor

Eder escreve que Belchior se mostra um poeta-compositor multifacetado, que pensou e questionou a realidade da ditadura militar em nosso país. Esse poeta de várias faces incomodava o regime militar, sobre o qual Belchior sempre exprimiu reflexões pungentes e realistas de atrocidades que o governo militar cometia.

Belchior diversifica vários elementos para usufruí-los na elaboração de suas canções, bem como uma forte presença de elementos intertextuais nas suas composições lítero-musicais. Nesta obra trabalhou com as canções (proibidas na Ditadura) “Um pequeno mapa do Tempo” e “Caso comum de trânsito.”

E Éder continua: o artista Belchior e suas composições demonstram-se valiosas como objeto de estudo, uma vez que tais elementos são estritamente complexos e evolutivos com relação ao momento em que se vive. Não podemos deixar de expressar que, infelizmente, nos dias de hoje, esse artista, que é um dos grandes compositores e intérpretes do Brasil, não tem sido valorizado adequadamente pela grande maioria dos meios de comunicação e pela sociedade brasileira.

Impressões do professor Marcos Hidemi de Lemi

O professor Marcos Hidemi de Lima, no prefácio do livro, registrou suas impressões sobre nosso mais jovem talento literário, que ele conheceu na universidade:

“Conheci Eder Deivid pouco tempo depois de ter ingressado, em meados de 2013, como professor de Literatura Brasileira na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no campus de Pato Branco. Ele participava de um projeto de pesquisa no qual estava sob sua responsabilidade atualizar para o Português corrente um texto do fundador do Romantismo brasileiro. Naquele momento, ele precisava de um orientador para dar prosseguimento à tarefa, que se encontrava interrompida. Interessei-me pelo acadêmico de ar tranqüilo e jeito de Che Guevara e pelo ensaio “Considerações Econômicas sobre a Escravatura”, de Torres Homem, publicado na famosa revista “Niterói”. Quase simultaneamente a esse início de trabalho, passei a participar da comissão de estrutura da Semana de Letras que ocorreria no fim daquele ano. Foi trabalhando juntos para a realização do evento que Eder e eu estreitamos nossa amizade.”

Versos proibidos pela censura (1975)

Caso comum de Trânsito (Belchior): - E aquele poeta moreno e latino? Que em versos de sangue a vida e o amor descreveu? Onde é que ele anda?/ Ninguém sabe dele: / Fez uma viagem? Desapareceu, desapareceu, desapareceu...

Pequeno Mapa do Tempo: (Belchior): Eu tenho medo e medo está por fora/ e medo anda por dentro do teu coração/ Eu tenho medo de que chegue a hora/ em que eu precise entrar no avião.

Tadeu Araújo é professor e escritor



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal de Negócios.