iBOM | A lista de Schindler às avessas revela quem são nossos inimigos



140x140
Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

A lista de Schindler às avessas revela quem são nossos inimigos

O ministro Luiz Edson Facchin, relator do processo da Lava-jato no STF
Publicado em 26/04/2017 22:58:27

FERNANDO BRANCO - Oskar Schindler, empresário alemão, ganhou notoriedade durante a segunda guerra mundial ao gastar toda a sua fortuna para subornar os oficiais das SS e impedir o massacre dos seus empregados judeus. Sua história, décadas depois, rendeu o famoso filme “A lista de Schindler”, dirigido por Steven Spielberg, exibido a partir de 1993. O longa-metragem é considerado uma das melhores obras cinematográficas da história.

Na terça feira anterior, vazou na imprensa outra famosa lista, a lista de Facchin, advinda de delatores da Odebrecht. Com as delações em mãos, o ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava-Jato, instaurou mais 76 inquéritos contra políticos brasileiros. A maior delação da história do Brasil poderá levar ao banco dos réus nada menos que oito ministros do governo de Temer, 29 senadores, 42 deputados federais, 12 governadores, dentre outros políticos, num total de 108 investigados.

O contraste entre a lista de Schindler e a lista de Facchin é interessante. Enquanto aquela continha os nomes dos judeus salvos por Schindler durante o holocausto, esta contém os nomes dos verdadeiros inimigos do país, que, embora investigados/processados, continuarão no poder, travestidos de representantes do povo.

Há, também, um outro contraste que merece ser lembrado. Enquanto os brasileiros, em regra, são julgados por seus crimes na comarca em que os cometeram, os nossos políticos/investigados, quando processados, são julgados com os privilégios da notória lentidão dos nossos tribunais superiores (os 3 primeiros processos da Lava-Jato demoraram 20 meses para terem início no STF). É como se os não-políticos fossem os judeus da segunda guerra mundial e os nossos parlamentares fossem a pretendida raça superior alemã.

E, enquanto isso, os investigados tentarão se salvar da cadeia através da própria lei. Na falta de argumentos, ou na falta de quem possam comprar, a lei pode virar o antídoto contra a própria lei. Há um sem número de parlamentares defendendo novas leis, como, “delação só deve ser admitida com o delator solto”, “anistia do caixa dois é constitucional”, “caixa dois não é propina”, “investigar político sem avisá-lo é abuso de autoridade”, e por aí vai.

É aguardar (sentado, porque vai demorar anos) as próximas listas, a saber: a dos absolvidos, a dos absolvidos pela prescrição, a dos absolvidos pela lei (abolitio criminis), a dos condenados com pena reduzida pela delação e, por fim, a dos condenados.

Mas, lembremos, no ano que vem haverá eleições. O poder de fazer uma nova lista de parlamentares está em nossas mãos.

Fernando Branco é servidor público estadual e vereador em BD



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal de Negócios.