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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

Quando episódios importantes movem a nossa cidade

Imagem ilustrativa
Publicado em 04/04/2017 21:37:46

DENISE COIMBRA - Ao acordar, dia 22 de março, leio no jornal que, no Dia Mundial da Água, o tema que guia os debates pelo mundo é a coleta e o tratamento de águas residuais, ou seja, da água descartada pela indústria, comércio, residências e agropecuária.Atualmente, ao redor do mundo, apenas 20% desses recursos passam por tratamento sanitário. Os outros 80% voltam à natureza levando a poluição do uso humano.

Durante o café da manhã, ainda estarrecida com as informações lidas indaguei ao meu irmão: como é possível, em pleno século XXI e no Brasil, ainda convivermos com uma realidade tão prejudicial à saúde e ao meio ambiente? Tranquilamente, meu irmão respondeu: - Em Bom Despacho tratamos 100% do esgoto doméstico, mas o desafio maior é como descartamos o nosso lixo! A conversa foi interrompida porque eu tinha que levar minha filha à escola e ir para o consultório. Sigo então, para o centro da cidade.

Ao estacionar na Praça da Matriz vejo algumas pessoas segurando faixas que tratam da coleta seletiva. Reconheço pessoas que participam do Lions e que trabalham no Sicoob, além de servidores da Prefeitura Municipal. O panfleto trazia o título Projeto Cidade Limpa: uma realização da Prefeitura Municipal com o apoio das entidades citadas. Opa! Creio que algo muito especial anda acontecendo em nossa cidade. Fiz um elogio e segui em frente. Dentro de mim, brotou novamente a esperança de que a coleta seletiva faça parte da rotina dos bom-despachenses e daqueles que escolheram viver aqui.

Enquanto caminhava, eu refletia sobre o fato de que a coleta seletiva é, em primeiro lugar, responsabilidade de cada um de nós. Fugir a esta responsabilidade tem conseqüências graves. Ao escolher o que consumir, como consumir e como descartaremos o que não for consumido impactamos não somente a nossa vida, mas a do vizinho e de toda a comunidade onde moramos.

Embora muitos não percebam ou não queiram pensar e agir em consonância com a realidade de que produzimos e consumimos despreocupadamente com o destino ou descarte do que não for utilizado, ou seja, os restos, as sobras, o lixo. Isso é inegável! Imagens do ponto de coleta em frente à minha casa com um colchão e uma mesa. Fogão e geladeira descartados na mata próximo ao Vale do Amanhecer confirmam o descuido e o descaso nosso uns com os outros para citar apenas o que vi naquele dia ao sair de casa para o meu passeio de bicicleta matinal.

Quando há mobilização popular ou social a cidade “fica mais inteligente”. A experiência, a ideia de cada um de nós é valorosa quando colocada a serviço de todos. Eis um conceito utilizado pelas cidades que planejam seu modo de viver de forma a otimizar recursos e embelezar a cidade. E muitos de nós sequer sabem o que significa cidade sustentável...

Logo após o almoço sigo para o salão de beleza da Regina no bairro onde moro. Entusiasmada, relato para ela sobre o ato que presenciei no centro da cidade. Sorridente, ela tira da gaveta uma carta encaminhada ao prefeito Fernando Cabral. Li a carta e selecionei o trecho abaixo:

“Venho por meio desta pedir-lhe o apoio e autorização da Prefeitura Municipal para colocar em prática uma ideia sobre um fato que me incomoda há bastante tempo, na verdade, busco uma parceria em um projeto no qual gostaria de ser a primeira voluntária.

Projeto Meu Bairro Mais Limpo: como moradora e atuante na comunidade do bairro Esplanada conheço a metade das pessoas do meu bairro e a outra metade pretendo conhecer com este projeto. Gostaria de receber folhetos explicativos sobre coletas de lixo e materiais que não podem ser jogados diretamente no lixo.

Gostaria de fazer esse trabalho voluntário de casa em casa, dando os mínimos detalhes, pois todas as manhãs quando saio para colocar meu lixo as ruas estão tomadas de sacolas rasgadas por cachorros de rua e o lixo todo espalhado. Quero ser parceira voluntária desse movimento que acredito vai funcionar.”

Farei um breve comentário, leitor. Esta carta demonstra o que é ser cidadão no Brasil do século XXI. Não há alternativa, ou unimos esforços ao poder público e criamos uma rede de solidariedade e respeito às regras sociais e de convivência, ou nossa vida será cada vez mais restrita, triste e suja!

“Meu Bairro mais limpo” deve ser adotado como um programa em todas as escolas de Bom Despacho e deve ser tema de discussão no café da manhã em nossas residências. Reciclar, reaproveitar e agir em prol da vida comum é dever e compromisso nosso também para com as gerações futuras! - Eu disse a ela, encantada!

Regina é uma mulher admirável pela determinação e consciência do papel que ela tem e quer exercer na comunidade em que vive e tal atitude além de ser elogiada deve ser também seguida por cada um de nós. Volto para o consultório mais esperançosa.

No final da tarde recebo uma mensagem de um amigo informando que a Igreja São Judas Tadeu, situada no bairro Santa Lúcia, solicitou ao grupo de voluntários que vem embelezando as praças da cidade o plantio de árvores no entorno da igreja. No dia seguinte foram plantadas 14 árvores: ipês brancos e amarelos, murta e espirradeiras. Lindo demais!

À noite, pouco antes do jantar vejo várias fotos de alunos do colégio Tiradentes, os quais, juntamente com a Copasa, plantaram 54 árvores na Estação de Tratamento de Esgoto próximo ao bairro Jaraguá, também em comemoração ao Dia Mundial da Água.

Minutos antes de dormir fiquei pensando que os fatos ocorridos no dia 22 de março, ao lado de outros que estão ocorrendo em Bom Despacho, ilustram um dos conceitos mais belos e profundos que conheci ao estudar Psicologia e que foi criado pelo psicólogo suíço Carl Gustav Jung: Sincronicidade. Ela significa “... coincidência, no tempo, de dois ou vários eventos, sem relação causal, mas com o mesmo conteúdo significativo.” (CW VIII, par. 849).

Numa interpretação particular: Sincronicidade é quando acontecimentos significativos movem a nossa cidade!

Denise Coimbra é psicóloga e escritora



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