iBOM | A cidade do coração e o coração da cidade de Bom Despacho



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Bom Despacho (MG), 22 de setembro de 2017

A cidade do coração e o coração da cidade de Bom Despacho

Vista aérea da região central de Bom Despacho
Publicado em 27/01/2015 16:32:23

DENISE COIMBRA - Lembram ­se da minha recomendação ao final do texto de estreia nesta coluna, no artigo “A Origem do Saber Cuidar”: que conversássemos sobre nossa convivência e cordialidade?  Pois bem, saí pela cidade com meu olhar tão atento quanto apaixonado pela vida e pelas pessoas e registrei alguns depoimentos colhidos durante esse meu passeio cuidadoso.

“Bom Despacho é uma cidade repleta de contrastes. A coleta seletiva foi implantada, mas muitos de nós ainda jogamos lixo na rua e não respeitamos os horários da coleta”.

“Muitas famílias ainda não possuem casa própria e convivem ao lado de inúmeros lotes vagos e sujos. Então pensei: deveríamos propor uma lei que impedisse que alguém pudesse ser dono de algo que não possa ou queira cuidar.”

“Existem motoristas que, antes da pessoa colocar os pés na faixa de pedestres, já param o carro, no entanto, há outros que as utilizam como estacionamento, basta ir até a Clinicor e o bar em frente.”

“A ciclovia na Rua Geraldo Nunes, muitas vezes está ocupada por carros. Possivelmente os donos moram em frente. Então me pergunto: é por desconhecimento ou descortesia?”

“Os skatistas que fazem manobras e destroem o piso da Praça da Matriz não sabem que as diversas culturas podem e devem conviver sem prejudicarem­se? O que eles sabem sobre a história da cidade e da construção da igreja?”

“Outro dia, na minha rua vários veículos foram arrombados. A minha vizinha viu tudo e não fez nada. Mais tarde, ao saber que o carro do seu filho também foi quase arrombado ela disse: se eu soubesse teria chamado a polícia”.

“Na porta da escola onde meu filho estuda, os carros param em fila dupla e na contra­mão. Para não falar daqueles que passam em frente à escola em alta velocidade. Aí eu me pergunto: qual é a educação que precisamos?”

Alguns de vocês, leitores, poderão me perguntar: só te deram exemplos de descuido? E de cuidado, ninguém falou? Sim, apenas uma pessoa falou do encantamento e do envolvimento de muitos comerciantes, taxistas, prefeitura e outras pessoas com a iluminação de Natal na Praça da Matriz, para muitos ainda o coração da cidade ou o símbolo da cidade do seu coração.

Pensando bem, esses depoimentos são apenas um recorte. A realidade de uma cidade é muito mais complexa e dinâmica do que essas linhas permitem comentar, analisar. Mas vejo que as opiniões, as percepções recolhidas são riquíssimas e merecem uma reflexão apurada. Afinal, dizem respeito ao desafio que propus na nossa outra conversa: como vivemos e cuidamos uns dos outros. E da cidade?

O que é decisivo na vida não são os fatos, mas o significado e a memória que pretendemos deles, não é mesmo?

Estava me lembrando de que estamos em período de festas. Ressoam ainda, dentro de nós, a ceia de Natal, o brinde do Ano Novo e daqui a pouco a sede de Carnaval. E não é que me veio pela querida Roseana Rodrigues um convite para participar do bloco “Fenda do Bikini”, criado pelo Pedro Couto Gontijo, que ainda não conheço, mas gostaria muito de parabenizar?

Ao contrário de muitos que apontam as faltas, as falhas ­ muitas vezes, responsabilizando o vizinho, a comunidade em geral ou a nova administração ­, Pedro escolheu transitar pela cidade pela via do coração: a cidadania! Aproveitou a fresta, ou melhor, a fenda e, não apenas fala ou reclama: cria, apropria­se do urbano. Decide nos dar um presente, a nós e a Bom Despacho. Faz uma oferenda, ao deus Baco, ou Dionísio, o deus do vinho, das festas, do lazer, prazer e do pão. Brinda­nos com uma possibilidade de, com amigos e amados, enchermos de alegria as ruas da cidade. É carnaval. Que toquem os surdos, tarol, tamborim, agogô e chocalho! “Ô abre alas que eu quero passar... quem sabe faz a hora não espera acontecer.” Faça chuva ou faça sol, o que a vida nos pede é coragem. Em sua origem e etimologia, coragem, vem do coração, no sentido, de que no coração moram os sentimentos.

A cidade em que moro mora primeiro no meu coração. E no seu?

DENISE COIMBRA é escritora e psicóloga em Bom Despacho



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
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