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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Neste 8 de março, todas as mulheres são homenageadas

A cronista e advogada Luciana Gontijo, autora do texto sobre violência psicológica, publicado abaixo
Publicado em 08/03/2017 14:35:38

TADEU ARAÚJO - Minhas personagens da semana são as mulheres. Todas elas. As ricas e as pobres. As bonitas e as feias. A mulher criança. A mulher adolescente, jovem, adulta ou idosa. A avó. A mãe. A neta. A esposa e a filha. A mulher culta e a analfabeta. A mulher feliz e a amada. A discriminada. A vilipendiada. A mulher Maria da Penha. A mulher que ainda no século XXI busca a igualdade entre os seres humanos.

As mulheres são muitas. São várias. E variadas. E na sua variedade são belas. Se perguntarem o que há de mais bonito nesse mundo tão bonito, responderei sem pestanejar: Certamente o que há de mais bonito, nesse mundo bonito, é uma mulher bonita”.

E bonitas todas elas o são...

Hoje, em lembrança ao dia internacional da mulher, coloco todas elas na galeria dos Personagens da Semana, nesse cantinho do Jornal de Negócios, em sua edição de número 1452.

Parabéns a todas elas neste 8 de março. E a certeza de que, a cada dia, dias melhores virão pra vocês, pois ainda hoje as mulheres ainda são vítimas de violência. Existem aquelas físicas que deixam marcas corporais – objeto da aplicação da Lei Maria da Penha. E existe a invisível, que talvez fira muito mais, a violência psicológica”, que a seguir será analisada por Luciana Ferreira Gontijo, cronista e advogada

Violências psicológicas não deixam cicatrizes corporais para serem examinadas pela polícia e pelo judiciário.

Creiam, essas mulheres existem e vão ser mostradas a seguir.

Violência Psicológica

Luciana Ferreira Gontijo

Em pleno século XXI, com o avanço da tecnologia e uso frenético do Whatsapp, onde tudo de que se precisa está a um click no computador, ainda há muitas mulheres vítimas de violência psicológica e muitas delas nem percebem tal agressão.

Sabemos hoje que a violência psicológica ou emocional é uma agressão tão ou mais prejudicial que a violência física, sendo considerada a mais silenciosa de todas as formas de violência. Por ser tão sutil, faz com que muitas vezes não seja corretamente identificada. Nem a própria pessoa que é violentada tem a real noção de que está a ser alvo desse tipo de agressão.

Já se disse que “é a forma mais agressiva de agressão contra a mulher. Diferente do que se imagina não é preciso ser agredida fisicamente para estar em uma relação violenta. Algumas palavras e atitudes podem ferir a autoestima de uma mulher tanto quanto (a agressão física).”

Tais agressões podem ser classificadas como física, sexual, moral e psicológica. Mascarada por ciúmes, controle, humilhações, ironias e ofensas.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) ela é entendida como qualquer conduta que lhe causa dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise desagradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação de direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e autodeterminação.

Acontece quando o agressor quer determinar o jeito como ela se veste, pensa, come ou se expressa. Critica qualquer coisa que ela faça. Tudo passa a ser ruim ou errado. Desqualifica as relações afetivas dela, ou seja, amigos e família “não prestam.”

Expõe-na a situações humilhantes em público. Critica o corpo dela de forma ofensiva e considera isso como uma “brincadeira”, além de outros comportamentos desse naipe.

O agressor tenta fazer você se sentir mal por algo que está fora de seu controle, causando sentimento de culpa. A desaprovação, quando diz que você não é bom o suficiente. Fofoca, quando ele fala negativamente ou com pena de você pelas costas. Recusa a ajudá-la ou atrapalha em suas relações e ainda diz o que você deve ou não fazer, desaprovando atitudes. Essas são algumas das situações enfrentadas num relacionamento doentio e psicologicamente violento.

Como efeito desses relacionamentos, podemos ter desenvolvimento desequilibrado da personalidade (quando crianças). Falta de esperança. Dificuldade em confiar. Dificuldade em criar laços, em construir relações. Influência negativa na vida sexual da pessoa vitimada e a inversão, quando a vítima pode se tornar agressora.

Para quem vivencia sentimentos de humilhação, estresse e sofrimento psíquico, isso pode gerar desagradáveis consequências, como ansiedade, angústia, baixa estima, irritabilidade, depressão, sentimento de incapacidade, sentimento de culpa, perda de memória, abuso de álcool e drogas, pânico, fobias, comportamentos destrutivos, sensação de vazio e até tentativa de suicídio.

A desinformação e o medo por parte das pessoas podem dar força ao agressor, pelo que é urgente inverter essa situação e sensibilizar as pessoas para o compromisso da não violência e da não discriminação.

Somos seres inteiros, não precisamos nos relacionar com outro ser problemático que, para sobrepor culpa, constrange, ameaça e faz do relacionamento um inferno para a agredida. A vida é curta e é preciso ser feliz, isso muitas vezes não acontece porque temos um parceiro, mas talvez fosse melhor fazer prevalecer o ditado “antes só do que mal acompanhada.”

(Luciana é divorciada, mãe, advogada, professora, minha ex-aluna, nascida 03/06/1975, filha de Geraldo Raimundo Gontijo e Vanir Ferreira Gontijo)



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