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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

Vamos amar hoje, agora, quem sempre está do nosso lado

Imagem ilustrativa
Publicado em 16/02/2017 16:11:41

DÉBORA RODRIGUES - Minha avó teve 17 irmãos, que tiveram 102 filhos, que tiveram mais 190, que tiveram mais 75, por enquanto. Ou seja: meus bisavós tiveram 18 filhos, 102 netos, 190 bisnetos, 75 tataranetos. Isso dá média de 387 pessoas, porque é fácil perder a conta. É muita gente! E a cada dia surgem mais pessoas. Bernardo, que é bisneto, não tem nem um mês de vida.

É impressionante ver como uma família tão grande, em sua maioria, é unida. Vejo famílias bem menores muito mais distante que a nossa. Por causa dessa preocupação com o outro, parece que somos todos parentes de primeiro grau.

Cada um de nós, mais novos, se preocupa com seus avós (nossos bisavós já se foram há alguns anos). É um cuidado, um carinho, uma vontade de estar pertinho. Não é obrigação, é prazer mesmo. Já vi vários primos ou tios não fazendo festa de quinze anos ou de casamento porque o dinheiro não dava para convidar todo mundo e, se não for assim, não tem “coragem” de fazer festa e deixar gente de fora.

Bem, de uma família tão grande, é claro que já perdemos alguns. Meus bisavós, já citados, quatro filhos, doze netos, dois bisnetos e um tataraneto. Se já somos unidos no amor, imagina na dor? Mais uma neta morreu esta semana, infelizmente. Muito jovem, sessenta anos. Uma mulher guerreira, que dedicou sua vida ao marido, aos filhos e à sua mãe, a filha mais velha, que tem 90 anos, de quem ela cuidava desde que seu pai morrera.

E lá estavam quase todos em seu velório. Unidos, sofrendo juntos, despedindo-se de mais um de nós. Escrevo esse texto com lágrimas nos olhos, pela lembrança da minha tia de 90 anos se despedindo de seu quarto filho. Todas as vezes que isso acontece, me pergunto quantas vezes ainda estarei ali, me despedindo de um ente querido.

Diante desse sofrimento antecipado que me vem nesses momentos, também surge outro. Gratidão. Gratidão por ter convivido e vivido com essas pessoas. Me despeço, mas sempre agradecendo pela oportunidade. A dor é grande, mas o amor foi maior.

O clichê de que a única certeza que temos é a morte, é verdadeiro. Ela virá para todos nós. Espero que seja quando estivermos todos bem velhinhos. Aprender a aceitar o luto talvez nunca iremos, mas precisamos conviver, e fica mais simples quando pensamos na vida. Vamos amar hoje, agora. Curtir nossa família que é quem sempre está ao nosso lado.

É isso que quero passar para meu filho. Agradeço a minha por ter me ensinado o amor verdadeiro: aquele que não cobra, que não escraviza e que vem naturalmente. Muitos de nós irão, outros nascerão e em ambos os momentos estaremos juntos. Estejam com a sua também.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD



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