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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

Precisamos aprender a respeitar a dor sofrida pelo outro

A morte de Marisa Letícia: independente das convicções políticas, é preciso respeitar a dor da família
Publicado em 05/02/2017 15:48:38

DÉBORA RODRIGUES - Vamos falar sobre Dona Marisa Letícia. Essa mesma, mulher do ex-presidente Lula. Ela teve a falência de seu cérebro decretada. Exames marcados para a última sexta-feira (3/2) confirmariam sua morte cerebral. Desde quinta-feira, quando a notícia se espalhou, mensagens de ódio surgiram como um tsunami na Internet.

A família Lula da Silva é amada e odiada na mesma intensidade, como todas as famílias de políticos. O fato é que, independente de como Lula governou, ou dos crimes pelos quais está sendo investigado, ele era casado com Dona Marisa desde 1974, com quem teve filhos, constituiu uma família. Conviveu, amou, brigou, fez as pazes, passaram por momentos difíceis, outros felizes. Igual a qualquer um de nós e às nossas famílias.

Sendo assim, por que algumas pessoas se acham no direito de proferir palavras odiosas e ofensivas contra Lula e sua família? Elas não conseguem perceber a dor que eles estão sentindo? E se fosse com a família deles? Chegou ao cúmulo de uma médica vazar informações sobre o quadro de Dona Marisa em um grupo no aplicativo de conversa WhatsApp e, colegas com a mesma profissão inclusive, sugeriram que fizessem um procedimento médico de forma errônea para que o “capeta abraçasse” a esposa do ex-presidente, fato ocorrido antes da morte cerebral.

Mesmo que Dona Marisa seja culpada da acusação que pesa contra ela de lavagem de dinheiro, mesmo que Lula seja realmente corrupto e tenha cometido tudo do que o acusam, nada justifica a maldade alheia. Nada justifica o que estão falando na Internet. Nada justifica a felicidade de alguns por uma vida que se foi e uma família que ficou sofrendo. Ela era mulher, mãe, esposa, amiga. Ela era como qualquer uma de nós, com seus erros e acertos.

Você aí que está feliz com a morte de um Lula da Silva por acusa-los de certas coisas, em quê é melhor que eles se você é capaz de tal sentimento? Alguém que fica feliz com a dor do outro não é munido de discernimento.

Vamos aprender a nos colocar no lugar do outro para entender sua dor e assim respeitá-la. Respeito é bom e todos nós gostamos.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD 



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