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Bom Despacho (MG), 22 de setembro de 2017

Dona Augusta: uma mulher guerreira, amorosa e iluminada

Dona Augusta Otaviana aos 83 anos de idade
Publicado em 03/02/2017 08:45:15

TADEU ARAÚJO - Augusta Otaviana dos Santos de Oliveira nasceu em Santo Antônio do Monte, dia 30 de janeiro de 1934. É filha de América Ricardina dos Santos e Antônio Ricardo dos Santos. Cresceu na Chapada, local de onde guarda boas lembranças e várias histórias de amigos e de seus12 irmãos. A velha Chapada, que está no coração e na tradição de toda a sua família. Cuja praça, urbanizada pela prefeitura de Moema, foi batizada solenemente com o nome de Dona América, a matriarca da família. Augusta fez até o 4º ano escolar em Santo Antônio do Monte

Dona Augusta teve seu primeiro emprego muito jovem, quando assumiu a agência dos Correios na Chapada. A correspondência chegava ou era enviada pelo ônibus de Dores do Indaiá. Sô Tonico, o pai dela, levava sempre os malotes até a rodovia para despachar para Dores, onde as correspondências eram distribuídas, e recebia as que eram trazidas pelo mesmo veículo. Trabalhou na Chapada 5 anos, depois foi transferida para os Correios de Bom Despacho, em 1969. Morava na pensão Brasil, próxima à Praça da Estação. Aqui conheceu o comerciante Agostinho de Oliveira, com quem se casou em 9 de maio de 1970. Viveram felizes e harmoniosos. Tiveram três filhas: Regina, e as gêmeas Maria José e Maria Augusta e uma neta, a Bárbara, de quem ela cuida com dedicação e amor.

Dona augusta trabalhou no Correio 40 anos, até 1993, quando se aposentou.

Fez há algum tempo duas viagens internacionais para visitar lugares sagrados do cristianismo e pontos turísticos, como Pádua na Itália para rezar ante os restos mortais de Santo Antônio de Pádua. Assis, cidade de São Francisco, e na terra de Santa Rita de Cássia. Esteve em Jerusalém e orou em seus lugares sagrados. Na França, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes e na capela de Nossa Senhora das Graças. Esteve em Portugal e fez turismo no Egito. Foi a Roma na beatificação do Frei Galvão e coincidentemente eu a vi na televisão, nesse dia, emocionada dando uma pequena entrevista ao repórter da Globo, no Fantástico.

Dª América Ricardina dos Santos

(Mãe de Dona Augusta e mais 11 irmãos, líder do povado da Chapada)

Dona Augusta tem suas raízes na Chapada, onde dona América, sua mãe, escreveu sua história de vida. Ela liderou não só sua família, que criou com pulso firme, mas também se destacou como comerciante de uma venda no local. Conhecia e negociava com todas as famílias. Fez amizade com todas e ajudava e dirigia a comunidade em atividades sociais e religiosas. O povo confiava em dona América e recorria a ela nos momentos difíceis, quer na vida particular, familiar ou social, em que ela estava à frente de grandes eventos. Era respeitada e querida entre ricos e pobres. Dizia-se que quando Dona América entrava na capela, o povo, em sinal de respeito, levantava-se para recebê-la. Segundo Maria Augusta, neta dela, o professor Calais, cuja família sempre teve propriedades no lugar, dizia que dona América era advogada, delegada e o padre da Chapada, tão eficiente e variada era sua atuação na comunidade.

Mulher muito religiosa, no mês de maio levava os 12 filhos, toda noite, para a celebração e coroação de Nª Senhora na igrejinha que ficava defronte a sua casa. Como naqueles tempos fazia frio de verdade, ela os embrulhava em colchas quentinhas para protegê-los da friagem do tempo.

Aos sábados, com a filharada ao lado, ia pra igreja rezar o ofício da Imaculada Conceição, ladainhas, terços e salve-rainhas.

Uma vizinha abençoada

Tenho o privilégio de conhecer dona Augusta e sua família desde 1980. Naquele ano construímos uma casa ao lado da dela, quase na Praça do Colégio Miguel Gontijo. Em 1980, eu tinha 37 anos de idade. Acreditem, nessa idade, desde que nasci eu havia morado em 37 casas, uma para cada ano de vida. Aí me quietei e agora, 37 anos depois resido numa mesma casa. É uma bênção que a vida me concedeu. Mas bênção maior foi a graça de morar esse tempo todo ao lado de uma excelente e maravilhosa vizinha. Nossos filhos cresceram em grande amizade como seis irmãos. Dona Augusta e Sô Agostinho foram sempre amigos e companheiros nossos.

Que dádiva ter conhecido e estar convivendo com essa mulher guerreira, trabalhadora e amorosa com a família. Exemplo de vida para as filhas Regina, Dé, Guta e a neta Bárbara.

83 anos bem vividos

Dona Augusta, você completa segunda feira, 30 de janeiro, 83 anos de vida. Todos que a conhecemos só temos a agradecer a Deus por sermos abençoados pela sua amizade sincera e companhia. A companhia de um ser iluminado, cuja alegria, positivismo, fé e inteligência nos contagiam a todos que a respeitamos e lhe temos em grande consideração.

Parabéns, dona Augusta, pelo seu natalício, que Deus e Nª Senhora a protejam em seu manto sagrado e lhe deem muitos anos mais de vida saudável e feliz.

Tadeu Araújo é professor e escritor



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