iBOM | Leia trecho do livro do bom-despachense Rafael Mesquita



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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

Leia trecho do livro do bom-despachense Rafael Mesquita

Capa do livro
Publicado em 19/01/2017 11:48:21

TADEU ARAÚJO - Trecho do livro “Memórias da Vida Minha”, do cirurgião-dentista Rafael Mesquita, com modificações minhas. Rafael nasceu em Moema, no ano de 1934, quando aquela cidade ainda era um povoado chamado Largo e pertencia a Bom Despacho.

Eu, ex-coroinha de Padre Libério

Testemunhar Pe. Libério é uma graça, e ainda maior, porque fui coroinha dele em Bom Despacho.

Em 1943, Pe. Libério saiu de Leandro Ferreira e foi até Moema para atender a um fazendeiro chamado Eneias, portador de hanseníase (lepra), uma doença então contagiosa e incurável. E eu fui testemunha de que o Eneias foi curado pelo padre e pôde viver e trabalhar normalmente pelo resto de sua vida.

Nesse tempo, por causa de um abscesso dentário, formando volumoso edema, padecia eu. Nossa casa era de chão batido, com paredes barreadas de pau-a-pique. Os vizinhos estavam ansiosos pela chegada do grande sacerdote. Assim que o Fordinho 29 parou, minha mãe falou-lhe: - Meu filho Rafael está mal com um problema dentário. O senhor pode dar-lhe uma bênção a meu pedido?

Calmo, ele desceu do carro, adentrou o meu quarto. Lembro-me de que usava batina preta, também o chapéu e o guarda-chuva. Na mão dele, um vidro de água benta.

Tocou-me o rosto e o molhou com água benta. Dissera à minha mãe que, desinchado o dente, ela me levaria ao dentista para extraí-lo. Naqueles tempos eram comuns os dentistas práticos. Um deles, sem anestesia local, fez a extração de modo indolor. Isto feito, drenou-o externamente e a dor ficou cessante para sempre.

O Eneias teve a doença paralisada e até se casou com a Fiúca, filha de seu empregado rural.

Sete anos mais tarde, em 1950, cortei o meu pé com um machado, na fazenda do cunhado do Eneias, aquele que fora curado da lepra pelo Padre Libério.

Tive um ferimento muito profundo. Tive de ser levado à Santa Casa de Bom Despacho. Minha irmã Percília cuidou de mim. Curado, recebi das Irmãs Vicentinas proposta para ali trabalhar e estudar. Comecei como faxineiro, depois passei a enfermeiro na ala masculina. Residia na Santa Casa e estudava no Ginásio Estadual. Tornei-me coroinha e ajudava a celebrar as missas em latim. Paralelamente, Pe. Libério ia ouvindo os doentes em confissão. Padre Libério me conduziu a vida inteira, enquanto entre nós ele esteve. Quanto de bom realizei.

Padre Mendes, o diretor do Ginásio, me convenceu a ir para Belo Horizonte, quando concluí o 1º ano ginasial. Anos mais tarde, após duras batalhas, eu me formava em Odontologia.

Escolas? Faculdades? Em muitas laborei! Extrações dentárias? Muitas fiz! Eu não, Padre Libério!

“Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.(Rom.8,14-17)



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