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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Picão Camacho: um herói na história de Bom Despacho

Imagem meramente ilustrativa – Bandeirante com escopeta - Ilustração: Belmonte
Publicado em 15/11/2016 13:54:06

TADEU ARAÚJO - Manuel Picão Camacho foi homenageado em nossa cidade com o nome de uma de suas principais ruas. Até nome de escola ele já teve. Através dos tempos ele tornou-se a figura do início de nossa história mais conhecida pelo povo. Ficou muito popular pelo rio batizado com o seu nome e pela lenda de que foi o primeiro homem branco a pisar solo bom-despachense, bem como por outra lenda: a de ter aqui morado e até construído a casa em palafita sobre a nascente do Rio Picão.

Isto tudo não corresponde à verdade de sua biografia.

A verdade

O historiador Orlando Ferreira de Freitas diz que “um mistério de quase três séculos começa a ser decifrado. Manuel Picão Camacho, brasileiro, natural do estado de São Paulo, não deixou um documento sequer pelo que se apurou até o presente momento. Contudo outros documentos fornecem algumas referências, permitindo-nos decifrar sua passagem na nossa região.”

Ele veio do Serro Frio-MG, onde andou, sem sucesso, à procura de diamantes. Sua transferência para Pitangui ocorreu após o ano de 1720. A partir de 1725, encontrava-se percorrendo as terras do cunhado Antônio Rodrigues Velho. Na exploração dos territórios do cunhado, desceu o rio Pará até encontrar a foz do rio que mais tarde seria denominado Picão. Suas incursões, a partir da foz, levaram-no às cabeceiras do rio que leva o seu nome e, consequentemente, uma exploração da Piraquara.

Picão Camacho jamais fixou residência com sua família em território bom-despachense, conforme relata a tradição registrada no livro dos tombos pelo Padre Nicolau.

Descendência

De seu casamento com Ana Maria Bicudo nascerem dois filhos: Joana Maria Bicudo e José Dias Maciel. Pelos idos de 1800, dezenas de netos e descendentes deles estavam estabelecidos em terras de herança materna em territórios de Tiros, Abaeté e Martinho Campos. Bom Despacho foi agraciada com a presença e o estabelecimento de vários descendentes ilustres de Picão Camacho.

Deca (10), enea (9), octa (8) netos do capitão

Um deles é o pesquisador, historiador e genealogista Orlando Ferreira de Freitas, autor entre outros do livro “Raízes de Bom Despacho”, e pelos meus cálculos, deca (10) neto de Picão Camacho

Aqui descendem do herói, por exemplo, a esposa do Zé Leão e seus filhos Eduardo e Breno e a professora Virgína, filha do Ari Maciel, que são eneanetos (nona geração) de Picão Camacho. São todos descendentes do tabelião Egídio Dias Maciel, casado com Gabriela Teixeira Bueno, que foram pais de Segismundo e de Virgínia. Virgínia era a mãe da Dona Liquinha, do Ari, do José Maciel, do Gervique, de Miguel Teixeira Maciel (Cristo), do Sinfrônio, da Etelvina e de Antônio Dias Maciel.

 

Descendentes ilustres em Bom Despacho

Padre Miguel Dias Maciel – bisneto

Batizado em 14 de outubro de 1770. Foi o primeiro capelão da capela curada de Bom Despacho de 1812 a 1823. No seu vicariato ocorreu a demolição da primitiva capela na Cruz do Monte e foi erguida uma nova igreja de pedra, na atual Praça da Matriz. O padre deixou três filhos naturais, trinetos de Picão Camacho: duas filhas e um filho, Manuel da Paixão, esse, filho da negra escrava Maria Parda.

Antônio Dias Maciel - bisneto - (1789-1840)

Capitão da Vila de Ordenanças de Pitangui, depois juiz de paz do arraial de Bom Despacho. .

Miguel Dias Maciel – trineto - 1789/1840

Casado com Conegundes Teixeira Maciel. Aqui foi o primeiro viticultor (dedicado à plantação de vinhas para produção de uvas e vinhos). Líder político do Partido Conservador, partiram dele as primeiras iniciativas para transformar o arraial em Vila.

Antônio Dias Maciel - pentaneto - herói nacional

Irmão da mãe de Ari Maciel e de dona Liquinha, participou da revolta dos marinheiros, liderada pelo marujo João Cândido, em 1910, a bordo do encouraçado Minas Gerais no Rio de Janeiro, exigindo o fim dos maus-tratos físicos existentes na Marinha. O grupo se rendeu e foi trancafiado em cárceres e calabouços no Rio e tratado com requintes de maldade. Dos 59 participantes menos de dez sobreviveram a tantas torturas. Antônio Dias Maciel, pentaneto de Picão Camacho, faleceu na prisão. Mais tarde ele e seus companheiros foram reconhecidos como heróis nacionais, mas ele foi esquecido pelos conterrâneos bom-despachenses. Não se lembraram de colocar seu nome numa ruela da cidade.

Governador Olegário Dias Maciel – trineto

Formado em Ciências, nascido em Bom Despacho em 6 de outubro de 1855. Foi deputado federal, consultor do Ministério dos Transportes, senador, presidente (governador) do Estado de Minas Gerais. Faleceu em 5 de setembro de 1933, de infarto, na banheira do Palácio da Liberdade, quando estava no poder. Instalou em sua terra natal o Sétimo Batalhão, no ano de 1931. Foi o preconizador do pró-álcool, pois instalou uma usina de álcool combustível de mandioca em Divinópolis em 1932.

Sua morte causou comoção nacional, pois ele tinha sido um dos comandantes civis da Revolução de 1930. Pelo Brasil afora há várias vias públicas – em Bom Despacho, uma praça e uma rua - com seu nome e inclusive uma cidade, próxima a Patos de Minas, leva o nome de Presidente Olegário.

Dr. Olegário rio Dias Maciel é considerado o maior vulto da história de Bom Despacho de todos os tempos.

Tadeu Araújo é professor e escritor



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