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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Wagner Fidelles: um novo romancista de Bom Despacho

Publicado em 08/11/2016 11:21:07

TADEU ARAÚJO - Na Literatura de Bom Despacho temos vários poetas, cronistas, historiadores, documentaristas, mas raros romancistas. Até agora conhecia apenas uma: a Stael filha do Ranulfo (ex-secretário da Câmara Municipal). Ela escreveu um admirável romance sobre “Marília de Dirceu”, o famoso casal apaixonado de Ouro Preto, cujas vidas foram para sempre separadas pelas penas da Inconfidência Mineira. Dirceu (cognome de Tomás Antônio Gonzaga), desembargador, companheiro de Tiradentes, foi preso em 1792 e deportado para Moçambique, de onde nunca mais voltou. A não ser seus restos mortais trazidos nos meados do século XX, para o panteon dos Inconfidentes em Ouro Preto. Sua noiva Marília (cognome de Maria Dorotéa Joaquina de Seixas), uma jovem de quinze anos, por quem ele morria de amores e para quem fez versos maravilhosos. Ela morreu na velha Vila Rica aos 90 anos, solteira. Sempre fiel ao noivo ausente.

Stael tem outros livros publicados e premiados em Lisboa, Portugal.

Agora se junta a ela nosso segundo romancista (que eu conheço): Wagner Fidelles Campos, com a publicação do romance : “Leon e Noel”

 

Apreciações da obra

Alguns amigos e/ou intelectuais fizeram as seguintes apreciações sobre esse livro:

Maria José de Abreu Valadares, professora. Foi casada com um dos personagens do livro, inspirado em seu esposo.
“Wagner, seu livro é muito bom. É uma leitura que prendeu totalmente minha atenção. Embora ele seja em parte fictício nos leva a uma grande reflexão. Achei interessantíssimos os diálogos entre os dois personagens centrais. Sinceramente fiquei fascinada com tudo que você escreveu.”

Alexandre da Fonseca Cesário, escritor, membro fundador da Academia Bondespachense de Letras
“O livro Leon e Noel mostra-nos uma leitura fascinante, com linguagem fácil e atual. A cada palavra, a cada página, nascem sentimentos, pois há uma diversidade de significações que alimentam a imaginação do leitor na procura de dar razão ao escrito. Emocionante.”

Luciano Almeida, empresário
“Seu livro é uma mistura incrível: é envolvente e também muito reflexivo. Está entre os bons que já li. Nota dez. Parabéns!

José Vantuil de Oliveira, formado emAdministração de Empresas e empresário.
“Achei o livro ótimo e digo que sua história foi muito bem bolada e com um final surpreendente.”

 

Prefácio de uma obra literária

(Tadeu de Araújo Teixeira - Professor, escritor e jornalista)

Wagner Fidelles Campos faz sua estreia como escritor com um romance atraente. Talvez tenha buscado sua inspiração no que os críticos literários chamam de estilo “Romântico Fantástico da América Latina”. Estilo cuja figura maior foi Gabriel Garcia Marques, colombiano, prêmio Nobel de Literatura, autor de “Cem anos de solidão”.

Em sua narrativa, Wagner já começa fantasiando com o anagrama do título: Leon e Noel, iniciando um mistério que só se revelará de modo surpreendente no final do enredo. No fantasioso mundo da obra, não faltam contatos com ET’s, caixas de tesouros, intervenções do “demônio”, de protetores extraterrenos e viagens espaciais.

Porcolândia, o povoado palco da história, tem aspectos e personagens tanto da elite local como de tipos populares e pessoas comuns da comunidade: donas de casa, bêbados inveterados, analfabetos, lavradores, jogadores de baralho, filósofos de boteco, curandeiros, prostitutas, um declamador de provérbios, que lembra muito Sancho Pança, o escudeiro fiel de Dom Quixote de La Mancha.

O interessante é que o pessoal de Porcolância surge nas páginas do livro cada um no seu papel. São protagonistas que se entrelaçam, cada um em seu espaço e com sua devida importância no contexto da narrativa. Todos intervêm com igual desempenho e deixam expostos, ora suas tragédias, ora seus momentos felizes...belos exemplos de tiradas humorísticas... o jogo...a bebida... a traição... o perdão... a grandeza ou a pequenez dos corações.

Gente como a gente brasileira desses fundões do interior, da zona rural ou de minúsculos vilarejos, aonde o progresso ainda não havia chegado. Sem luz elétrica. Sem cinema. Ou telefonema. Sem médicos, dentistas ou advogados diplomados. Como Ibitira, Albert Isaacson, Mato Seco, Córrego Areado. Território conhecido e vivido a fundo pelo Wagner.

Como conhecedor de Wagner Fidelles desde nossa adolescência e começo da juventude em nossa cidade, posso dizer que várias cenas e personagens de Porcolândia foram inspirados - e até alguns nomes copiados – de moradores de Bom Despacho dos anos 40, 50, e 60. Suas citações ganham foros de realidade para quem viveu nessa época, aqui nos fundos das Minas Gerais.

Uma lembrança disto é que seus dois personagens principais – Leon e Noel – são um dentista e outro farmacêutico práticos. São dois tipos de profissionais que cobriam o Brasil afora, antigamente, com heroísmo amador à falta de médicos e dentista formados em cursos universitários.

Guimarães Rosa pra aprender a filosofia do sertanejo, de médico que era, virou boiadeiro e conduziu, com os vaqueiros, boiadas pelas Gerais de nosso estado. O criador de “Leon e Noel” nos ostenta personagens que ele conheceu bem de perto, em seu trabalho e em sua vivência e que ele introduziu em seu livro, com todos os seu modos vivendi. O leitor vai facilmente identificar esses personagens que, por certo, o cativarão.

A leitura de “Leon e Noel” me surpreendeu agradavelmente. A emoção mais profunda fica para as páginas finais. O desfecho é realmente empolgante e digno do epílogo de grandes romances mundiais. Um final que se não é vero, é probabile – se não é verdadeiro é provável, como diriam os italianos.

E não duvide da magia do final, pois, já dizia o grande Shakespeare: “Há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.”

Tadeu Araújo é professor e escritor



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