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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

O professor ao longo da história da nossa Bom Despacho

Publicado em 29/10/2016 11:09:37

TADEU ARAÚJO - Dia 15/10 foi o dia do professor. Ainda dentro deste mês de outubro, minha saudação a cada um dos nobres colegas. Farei aqui uma breve história sobre esses profissionais da Educação. Uma lembrança à memória de tantos. Quem se lembra não se esquece, o que é uma maneira de respeitar e amar. Vou ver o que posso recordar da presença desses “ensinadores” por 4 séculos de nossa história.

Século XVIII – 1701 a 1800

Bom Despacho passou a existir como civilização “branca” por volta de 1775. Um aglomerado de algumas casas toscas na Cruz do Monte. Um acampamento militar e uma capela de pau-a-pique e capim. Até 1800, chegavam os “fazendeiros”. Os donos de sesmarias. O historiador Orlando Ferreira de Freitas me desculpe a ousadia de meus cálculos: 10 superfazendas (sesmarias), 10 proprietários com as famílias e os escravos. Se muito. Primeiros habitantes, ditos civilizados da futura Bom Despacho. Entre os portugueses que vieram para colonizar a terra, tinha gente abastada. Sabia ler. Escrever. Fazer as 4 operações. E eles deram continuidade à sua “sabedoria”. Arrumavam “professores”. Instalavam-nos em suas casas. E punham-nos a ensinar seus descendentes as cartilhas e a matemática.

Então nesse tempo, a profissão de ensinar as letras e as tabuadas já tinha representantes por aqui.

Hoje, nesse outubro dedicado a eles, eu os saúdo e reverencio suas memórias, como pioneiros do saber nas terras da Senhora do Bom Despacho do Picão.

Século XIX – 1801 a 1900

O arraial cresceu. Três ruas: a de cima – cruz do Monte até a Praça da Matriz, com um casario do lado da Casa Paroquial, era a Rua do Meio. E a nossa Dr. Miguel seria a Rua de Baixo. Muitos mestre-escolas. Seus nomes perderam-se na neblina do tempo. Mas sem dúvida, o mais culto dos moradores, que aqui chegou em 1887, o italiano Padre Nicolau Ângelo del Duca, foi um deles. Zé d’Avó, o nosso poeta maior... o nosso primeiro poeta, este sim era mestre com discípulos a quem ele ensinava em sala de aula, provavelmente, dentro de sua própria casa. E a primeira mestra a botar banca e formar classe, a virar referência das artes de ensinar no Bom Despacho, foi Dona Chiquinha Soares. Ela tem seu nome imortalizado numa das escolas daqui. Começou a ensinar no século XIX, menina ainda, e prosseguiu sua missão e sua sina, até os princípios do século XX, até morrer.

Foi quando também as escolinhas rurais municipais nasceram e prosperaram para o bem geral e a felicidade da nação.

Século XX – 1901 a 2000

Vamos pras mais antigas fora das escolas oficiais. Dona Maria Guerra um ícone de nossa escolaridade. D.Luziária. Juscelina. Silvana Mascarenhas, professora desde os 11 anos de idade. Logo que se formou no quarto ano primário foi ensinar nas fazendas a troco de um pequeno salário. Casa. Comida. Cama. Roupa lavada. Vou ficar nessas quatro. Ai de mim querer enumerar todas essas heroínas do conhecimento em nosso passado.

Em 1912, a glória. O povoado passa a vila (cidade). O governo cria a primeira escola estadual. O Grupo Escolar de Bom Despacho. E aqui ouso eu, já pedindo perdão. Enumero uns poucos nomes no meio de “milhares” do atual Coronel Praxedes, as já falecidas Dona Judite, Carminha Gauthier, Glicélia, Maria Gontijo, Nica do Célio Lobato. Maria do Doca. Maria Lopes. Célia do Calais. Zélia do Lauro Couto. Saçã e Rolimã. Maria Alves. Roxa do Jacinto. Maria Melgaço. Lenita Couto. Zaíra, mãe da Isa do Dr. Juca.

Dos tempos antigos aos atuais, alguns homens, bendito o fruto, entre as mulheres também ensinaram: professores Calçado, Saulo, Salustiano, Eurico, Tõezinho Lacerda, pai do Padre Pedro. Tião Agostinho, o Tião Folheiro da Tabatinga. O Avelar Barbeiro também o foi, mas em Pompéu. E Mário Morais, em Santo Antônio. Em 1961, depois de longos anos sem homens-mestres do curso primário, eu reinaugurei essa dinastia. Fui lecionar no Praxedes a convite da Helena do Lado.

O Ginásio Estadual de Bom Despacho

Em 1950, o grande salto para o futuro, pela genialidade de Dr. Hugo Marques Gontijo, apoiado por verdadeiros líderes locais. O governador Milton Campos atendeu os anseios de Bom Despacho e suas lideranças e criou o Ginásio Estadual – hoje Miguel Gontijo. E em 1962, o fato extraordinário, Bom Despacho passou a ter curso de 2° grau oficial, profissionalizante: o Curso Normal de Professores Primários, no Miguel Gontijo. Finalmente a sonhada faculdade, nos finais do século XX.

Século XXI - 2001 a 2100

Minha homenagem final a você professor e a todos os seus colegas, de 4 séculos, nesta foto dos professores, muitos, nossos professores – Nicolau Leite, Clarinda e Auxiladora Guerra, Júlio Malaquias, Dona Lea e dona Joesse. Geraldo Mascarenhas e dona Liquinha, Elvino Paiva e Paulinho do Nicolau Leite, professor Majela e professor Calais.

Tadeu Araújo é professor e escritor



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
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