iBOM | A origem do saber cuidar e o cuidado que devemos ter



140x140
Bom Despacho (MG), 22 de setembro de 2017

A origem do saber cuidar e o cuidado que devemos ter

Publicado em 03/01/2015 01:05:43

DENISE COIMBRA

“Certo dia, ao atravessar um rio, Cuidado viu um pedaço de barro. Logo teve uma ideia inspirada. Tomou um pouco do barro e começou a dar-lhe forma. Enquanto contemplava o que havia feito, apareceu Júpiter. Cuidado pediu-lhe que soprasse espírito nele. O que Júpiter fez de bom grado. Quando, porém, Cuidado quis dar um nome à criatura que havia moldado, Júpiter o proibiu. Exigiu que fosse imposto o seu nome.

Enquanto Júpiter e o Cuidado discutiam, surgiu, de repente, a Terra. Quis também ela conferir o seu nome à criatura, pois fora feito de barro, material do corpo da Terra. Originou-se então uma discussão generalizada.

De comum acordo pediram a Saturno que funcionasse como árbitro. Este tomou a seguinte decisão que pareceu justa:

“Você, Júpiter, deu-lhe o espírito; receberá, pois, de volta este espírito por ocasião da morte desta criatura.

Você, Terra, deu-lhe o corpo; receberá, portanto, também de volta o seu corpo quando essa criatura morrer.

Mas, como você, Cuidado, foi quem, por primeiro, moldou a criatura, ficará sob seus cuidados enquanto ela viver.

E uma vez que entre vocês há acalorada discussão acerca do nome, decido eu: esta criatura será chamada Homem, isto é, feita de húmus, que significa terra fértil.”

Queridos leitores:

Inspirada pela atmosfera do Natal e a chegada do novo ano, apresento-lhes esta pequena reflexão: como o Cuidado nos origina e nos mantém humanos. Para isto lancei mão de um mito latino, numa versão livre em português, transcrita do livro Saber Cuidar – ética do humano e compaixão pela terra, cuja autoria é de Leonardo Boff.  

Se o Cuidado, então, é a nossa essência, não é possível a nossa existência em sua ausência. Também em sua essência, o cuidado é dinâmico e se manifesta nas formas ativa e afetiva.

O cuidado ativo não é ato momentâneo, é atitude diária, cotidiana, frente a tudo que existe e vive. Uma planta, um animal, uma criança ou um idoso, nos revelam a vida em sua beleza, mas também em sua delicadeza, desde o início até o momento em que se aproxima da morte. Portanto, o cuidado ativo é ocupação, preocupação e envolvimento. Daí a dimensão afetiva também inerente ao cuidado.

Cuidar afetivamente é responsabilizar-se, prestar atenção, tomar conta. Cuidamos quando amamos e quando desenvolvemos em nós o sentimento de pertença. Por isso a nossa história, cultura e memória são imprescindíveis para que vivamos ou perenizemos aquilo que, ao descuidarmos ou fizermos descaso, se desmantela, desintegra e desaparece.

O tema escolhido para a minha estréia nesta coluna foi compartilhado com alguns diletos amigos aos quais indaguei: O que gostariam de ler? O que lhes inquieta? O que lhes agrada? Algum fato curioso a ser comentado?  Uma pequena crônica?  Digressões pela literatura ou autor predileto?

Para minha surpresa tive o seguinte retorno: escreva sobre o cuidado que devemos ter com a nossa cidade! Esclarecimento necessário. Escrevo hoje sobre A origem do Saber Cuidar. Na próxima semana cuidaremos de Bom Despacho!

Psicóloga, psicanalista e acompanhante terapêutica por formação e desejo não pude deixar de levar em consideração que a palavra Cuidado, além de ideia central deste texto, é também eixo fundamental na minha vida. Esforço-me diariamente para oferecer o que há de melhor em mim para as pessoas que me procuram no consultório ou quando me abordam, nas caminhadas e pedaladas que faço há dois anos, quando retornei para a mesma casa onde vivi durante a minha infância e adolescência.

Encerro aqui as bases para o nosso próximo tema: Um passeio cuidadoso pela nossa cidade! 

De forma rotineira: em casa, nas ruas, bares, sítios, fazendas e, principalmente, nas praças. Nos intervalos para o lanche ou o café da tarde e ao longo das noites estendidas até a madrugada, conversem sobre convivência e cordialidade: como cuidamos da nossa cidade! Até a próxima semana!

DENISE COIMBRA é psicóloga e membro da Academia Bom-Despachense de Letras



Rua do Rosário, 72 – Centro – Fone (37) 3522.2361 – Bom Despacho - MG
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal de Negócios.