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Bom Despacho (MG), 19 de novembro de 2017

Pense no significado das palavras que você usa com as crianças

Imagem ilustrativa
Publicado em 22/06/2016 13:03:04

DÉBORA RODRIGUES - As crianças nascem como uma folha em branco que nós vamos pintando e imprimindo nelas o que pensamos ser certo e errado. Ao longo dessa arte, mesmo sem perceber, vamos depositando estereótipos de gêneros através de expressões que fomos acostumados a ouvir desde cedo. Por isso, repetimos sem pensar no real significado daquilo que estamos dizendo.

Os gêneros de fato têm suas características particulares, que são biológicas. Não há nada de errado com isso. Errado é usar tais diferenças para humilhar, magoar ou machucar alguém, como se um gênero fosse melhor que o outro. Vamos a algumas frases que dizemos sem perceber o poder que elas têm:

“Meninos brigam mesmo”. Não, meninos não devem brigar. Dizer isso fará com que autorizemos isso e eles entenderão que devem fazer, que podem ser violentos uns com os outros, pois “meninos brigam mesmo” e está tudo bem.

Ensine seu filho que o corpo do outro é dele e que no outro não se toca com a intenção de ferir ou machucar, pois ele não gostaria que o tocassem assim. A frase “se apanhar na rua, apanha de novo em casa”, também se encaixa aí. É outra forma de dizer que autoriza que seu filho viole o corpo do outro e seja violento.        

“Esse menino vai ser um pegador” ou “Esse menino vai fazer várias menininhas sofrerem”. Pensem nessa frase. Aí você está dizendo a seu filho que ele deve “pegar” várias meninas para superar SUAS expectativas. Por que ele tem que se relacionar com várias ou fazê-las sofrer? Acho que você não quer criar um filho que tenha obrigação de ser um babaca.    

“Você tem que se comportar como uma mocinha”. Como uma moça se comporta? Como ela quiser. Meninas podem ser espontâneas e não devem ser proibidas de brincar, correr, pular ou de sujar a roupa. Elas não têm que ficar o tempo todo sentadas, limpas e arrumadinhas. E lembre-se: sua filha de 2 anos não é uma moça.

“Você está correndo como uma menininha”. Qual o problema no jeito em que uma menina corre? A corrida do menino é melhor que a da menina? Meninas não são velozes o suficiente? Não faz sentido.

“Para de chorar, meninos não choram”. Chora sim. E devem chorar mesmo. Todas as pessoas choram e é isso que seu filho deve aprender. Choro não é, em momento algum, sinal de fraqueza.

“Esse brinquedo não é de menina” ou “Esse brinquedo não é de menino”. Gente, brinquedos são para crianças, independente do gênero. Meninas podem brincar de carrinho, meninos podem sim brincar de boneca. Brinquedos não ditam orientação sexual. Sem contar que os brinquedos ditos de meninos são sempre mais legais, estimulam mais a inteligência, desenvolvimento cognitivo e vêm em várias cores. Já os ditos de meninas sempre são rosa ou lilás. Até Lego de menina é rosa! Pelo amor de Deus! Meninas gostam de várias cores, apresente-as a elas.

“Tinha que ser mulher”. Os erros são humanos e não de gênero. Homens e mulheres erram o tempo todo. Não deixe seu filho ouvir você dizendo uma idiotice dessas.

Vamos pensar no peso das palavras e expressões do senso comum antes de falar. Que tipo de pessoas queremos criar? O outro gênero deve ser visto com igualdade e não com superioridade.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD



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