iBOM | AIDS: ignorância gera preconceito contra os portadores da doença



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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

AIDS: ignorância gera preconceito contra os portadores da doença

Imagem ilustrativa
Publicado em 19/05/2016 10:11:40

DÉBORA RODRIGUES - Esses dias estava pensando em quantos assuntos polêmicos já retratei aqui no Jornal de Negócios. Alguns repetidas vezes, para tentar desconstruir conceitos absurdos. Em meio a tal devaneio, vejo um médico dizendo que as pessoas que são portadoras do vírus HIV deveriam se calar diante de sua condição. Achei aquilo um absurdo e percebi que ainda não sei o por quê, nunca retratei esse assunto. Vai ver, é exatamente pelo fato de esse vírus ser um tabu tão grande que muitas vezes esquecemos da importância de falar sobre ele.

Então vamos partir do início. O HIV pode ser transmitido por qualquer tipo de sexo sem camisinha, de mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação. Se a mãe seguir o tratamento durante a gravidez, as chances são mínimas. Pode ser transmitido ainda pelo uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa, instrumentos de corte ou perfuração sem esterilização e até através da transfusão de sangue contaminado com o HIV. Lembro que isso é muito difícil de acontecer, pois o sangue doado é testado várias vezes antes de ser colocado no banco. É através dessas formas que uma pessoa pode ser infectada.

Beijo, usar o mesmo banheiro, partilhar o mesmo talher, lavar a roupa junto com a da pessoa portadora do vírus, encostar no suor dela, o sangue dela encostar na sua pele e outras formas que rezam o senso comum serem formas de contágio, estão erradas.

Agora um fato que a maioria (sim!) das pessoas não sabe: HIV e AIDS não são a mesma coisa. HIV é o vírus da imunodeficiência humana. Já a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é uma doença causada por esse vírus que ataca o sistema imunológico. Então, é possível viver sendo portador no HIV e nunca ter AIDS. Para isso, é necessário que o soropositivo tome seus remédios indicados e siga as recomendações médicas. Sendo assim, a qualidade de vida dele pode ser excelente.

É importante que todas as pessoas façam o exame, pois quanto mais cedo o vírus for detectado, mais chances de viver bem e muito a pessoa terá. Mesmo não apresentando nenhum sintoma, faça o teste, pois a doença pode ficar silenciosa em seu organismo. Os primeiros sintomas são parecidos com o da gripe e, mesmo os apresentando, pode não ser diagnosticada.

Este assunto é extenso, porém mais simples do que muitos acham. Procure seu médico para melhor se informar e não viver na ignorância, pois é ela que causa o preconceito.

Sobre o médico que pensa que os soropositivos devem viver no anonimato, quem é ele para decidir isso? Quem pode resolver se guardará sua condição para si ou publicará em suas redes sociais que é portador do vírus, é apenas quem está nessa posição. Senhor médico, não tente decidir ou ditar regras para a vida do outro.

Você que é portador do vírus, cale-se ou grite, mas jamais tenha vergonha de tê-lo. Só você conhece sua história e nenhuma outra pessoa tem o poder de te julgar.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD



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