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Bom Despacho (MG), 21 de setembro de 2017

Bela, recatada e do lar: visão machista do padrão de mulher

Publicado em 05/05/2016 09:54:17

DÉBORA RODRIGUES - Ainda repercute nas redes sociais uma entrevista que a esposa do vice-presidente da República, Marcela Temer, deu à revista Veja no último dia dezoito. O título é "Marcela Temer: bela, recatada e ‘do lar’". A Internet caiu matando e várias pessoa ficaram indignadas com a forma como a revista colocou Marcela. A Veja deu a entender que ela era uma mulher perfeita. Aquelas que não são recatadas, levam o filho para a escola, usam cores claras, tiveram um único namorado ou vestem roupas até joelho não são boas o suficiente.

Não estou aqui dizendo que Marcela não pode ter tais características. Pelo contrário, digo que Marcela pode ser sim bela, recatada e "do lar". O que não pode é persistir essa visão machista de que nós mulheres temos que nos encaixar em um padrão, que não temos direito de expor nossas vontades. Se Marcela quer ser assim (o que nem sabemos se realmente é verdade), Juliana pode não querer ser e preferir ser bela, devassa e "do bar". Rafaela pode ser mãe, homossexual e bailarina. Já Laís decidiu que será homem, advogado e não terá filhos. Bia escolheu ser prostituta, esposa e cristã. Maria resolveu que não vai resolver nada agora, que vai deixar as coisas acontecerem. Ju depois de tanto apanhar, é uma mulher livre, guerreira e já teve vários parceiros.

É necessário entender que qualquer pessoa, independente de gênero, orientação sexual ou qualquer outra coisa que algumas pessoas se acham com poder para considerar anormal e julgar, tem o direito de decidir sobre sua vida e escolher a forma com que a irá conduzir. É uma tecla que nós mulheres e outras minorias temos que bater nela todos os dias. Em casa, no trabalho, na padaria, em um olhar, gesto, na rua, em uma festa. A todo momento temos que desconstruir o machismo que nos persegue há anos. A luta é constante, diária e a guerra ainda demorará para acabar.

A vida é nossa e o corpo também. Mais respeito, por favor. Que a partir de hoje cada um possa ser o que desejar.

Débora Rodrigues é psicóloga e conselheira tutelar em BD



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